Sozinho

d9e1d1aacdc18992f8c23973f00ed713A cada novo passo que eu dava, mais profundamente me embrenhava naquele espaço escuro, úmido e silencioso. A respiração pesada alcançava as paredes e reverberava em mim como um trovão: aumentando ainda mais a sensação de solidão e angústia.

– Olá! – disse na esperança de ser respondido.
– Olá!
– Quem está aí?
– Quem está aí?

Pensei: “será que isso é uma brincadeira de mau gosto? Isso só pode ser uma piada sem graça.” Então, a princípio, decidi não responder àquela provocação. Deixaria quem estivesse a brincar com o meu medo sentir um pouco o que é estar sozinho no mundo. No entanto, rapidamente lembrei que essa era uma das piores sensações, do tipo que faz seu coração se sentir tão apertado como se estivesse encolhido de tamanho. Não pude evitar sentir empatia por aquele ser que se escondia nas trevas.

– Não sei quem é você e agora noto que também não sei quem sou. Sinto que estou onde deveria estar, só não sei dizer por quê. Talvez eu esteja em busca dessa resposta e isso me trouxe até aqui. Isso faz algum sentido pra você? O que tem a dizer sobre isso?

O silêncio se fez presente. As palavras ecoaram dentro dele, ressoando de forma única: uma bela ópera a ser apresentada em um grande teatro italiano. No fundo, nas profundezas daquilo que ele não sabia descrever, talvez o que ele precisava era fazer ecoar ainda mais alto as palavras: para que penetrassem a pele até alcançarem o coração.

Desafio feito por L. R. Andreatta
Inspirado no poema Sozinho

Anúncios