Namorada Belga

Pictures

Em um dia qualquer de Janeiro ou Dezembro, ela, Olívia, a menina doce de alma colorida – dessas pessoas dotadas de afetos e paixões, que pintam sorrisos em todos que encontra – seguirá num tapete voador rumo a muitas confidências, um passo em busca dos segredos da Latinoamérica perdida e sabe por quê? Cansaço. Depois de algum tempo ela cansou de esperar à sua porta, cansou de aparecer apenas na última cena do livro egoísta que você vem escrevendo, quando tudo que você precisa é alguém para consolá-lo. Acabou. Ela virou as costas pra você e encontrou algo muito diferente à sua frente, assumiu o controle da própria vida e avançou uma casa na conquista de um presente e futuro melhores.

Com o passar dos anos, ao encontrar seus conterrâneos, fará questão de brindar à vida que construiu, pode ser com água, champanhe ou o bom e velho guaraná, pode ser na taça de vinho, na xícara de café com leite ou no copo de vidro que veio com o requeijão, não importa, acabaram as frescuras, o que conta é a celebração dessa descoberta chamada amor-próprio. E ao som da felicidade descobrirá boas novas ocultas nesse mundo esquisito, que insiste em querer controlar tudo e todos. Com determinação ela romperá as poucas cordas que ainda a mantém amarrada a costumes que não cabem mais em sua vida e dirá a quem quiser ouvir: vamo aí, pra qualquer lugar, o que importa é continuar caminhando.

No quarto de um albergue universitário do outro lado do globo, a menina de alma colorida sentirá a umidade no ar e o calor que abafam aquele cômodo bem iluminado com uma vista de perder o fôlego e estará feliz, não porque partiu como numa fuga, mas porque do passado ficará apenas a sensação de que fez algo para mudar, para melhorar seu próprio mundo e, de alguma forma, mudar também as coisas ao seu redor. O destemperamento daquele que antes era a nuvem no céu e sombra de árvore em dia quente não a importunará mais, pois ela terá se colocado em primeiro lugar e para isso precisou de certos livramentos, abrir a janela da alma para novos humores e pessoas agregadoras. E ela continuará caminhando. Sempre.

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You+Me

De um armário abarrotado de inutilidades na Noruega a um minúsculo apartamento na Berkeley St. em Boston até a bela montanha em Queenstown na Nova Zelândia, onde conquistei a maior varanda que poderia imaginar e que preencheu algumas poucas linhas de minha secreta biografia. Emborquei a vida, o que aqui significa que “a virei de cabeça para baixo”. Sem qualquer ferocidade, medo ou ansiedade encontrei um novo caminho. Mansamente um amor que se desfez diante dos meus olhos, dedos, nariz e até porta retratos deu espaço a uma descoberta mais pura e serena.

Você e eu, éramos apenas alma gêmeas.

O mais descrente diria que estou debochando, com dor de cotovelo. Afinal, alma gêmeas não deveriam permanecer atadas até o fim da vida? Não foi bem assim que aconteceu. E era o jeito certo pra nós dois. Nós, como gêmeos, jamais poderíamos permanecer lado a lado sem intrigas e confusões, somos espelhos um do outro e muitas vezes mostramos aqui que mais machucava, o que era mais difícil de confrontar. Mas e o que importa nisso?

Tente adivinhar!

Não importa mais. O que era pra ser, foi. O que não era, perdeu-se e encontrou outro destino. E não é difícil, porque a vida às vezes caminha numa direção bem diferente daquela imaginamos num dia ao olhar pela janela e nem por isso é ruim. Uma chance para quebrar o ciclo, uma porta aberta o auto conhecimento e uma bela estrada pela qual vale a pena percorrer.

* o texto começou com a ideia de fazer um tributo
à dupla composta por Dallas Green e P!nk,
mas acabou virando outra coisa

só lá mi fá dó lá si: Norah Jones

Dezembro, a neve grossa cobrindo os passos, e cá estou, de volta à Manhattan. Depois de tanto tempo numa caça aos piratas, preso em uma perseguição que parecia não ter fim, chego aqui e não sei o que fazer. Tanto tempo livre e tão pouca ideia do que fazer. Com a dedicação de um devoto entreguei minhas energias a algo em que acreditava e, agora, sentindo-me leve como uma pena, resolvo descansar.
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No entanto, o descanso não dura muito. O sangue jovem a fluir pelas veias mostra-me que estou vivo e ficar parado não é solução para nada. Ainda menos para esquecer. Esquecer olhos e olhares, bocas e beijos apaixonados, o perfume impregnado na roupa depois de um dia todo junto. Momentos que permanecerão por algum tempo gravados na memória.
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A saída foi me entregar a uma nova missão e pela primeira vez em meses eu sabia e sentia que, nessa nova persecução, eu não precisaria de você. Talvez jamais volte a precisar. Pode demorar. Mas será pra melhor. Porque você sabe o tempo que fiquei esperando e acreditando, e mesmo assim você me arruinou. (Ou talvez eu tenha deixado você me arruinar).
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Então, por favor, faça um favor a nós e diga a sua mãe a verdade. Diga que não você não é e nunca foi uma santa. Diga que é uma devoradora de corações solitários. Conte o número de vezes que seduziu e deixou o outro ali, entregue, inerte por só pensar em perder você, a quem ele nunca teve e nem terá.
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Há pouco tempo eu era o homem do momento e agora o que sou? O que somos? O que fomos? Momento breve não é mesmo? Não existe mais bom dia, o café feito na hora e os biscoitos caseiros para acompanhar. Só existe um longo e triste “diga adeus” ecoando em minha mente. O que restou depois da queda foi essa terra seca e fria dos pequenos corações partidos. Infértil e improdutiva, provocando o meu êxodo, a minha saída para uma nova busca. Um novo destino.
Um novo começo.
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Viajando fora da estrada, matando tempo à base de “comprimidos de alegria”, sigo gritando como louco “leve de volta! Leve de volta os quatro corações partidos que você deixou para trás, sem serventia, estéreis”. Grito e ninguém responde.
Os que me conhecem há tempos, preocupados com a minha ensandecida loucura tentam argumentar: “mas ela só tem 22, o que você esperava?”. Eu me recuso a acreditar que é imaturidade. Eu não escuto. Não quero escutar. Faço-me de surdo. Eu não quero ouvir nenhum outro som além da sua queda iminente, Miriam.
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Deve ser tudo um sonho. Melhor, um pesadelo. Talvez eu esteja equivocado e tudo o que vivemos não passou de mera invenção da minha mente carente e romântica. Contudo, no momento, eu sou só mais um coração partido desejando coisas que jamais desejaria pra você. Me desculpe.
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Gostaria de poder deixar no passado todo o mal que você me fez, ou que penso que tenha feito, e separar apenas os momentos bons. Lembrar, por exemplo, de quando estávamos naquele pequeno quarto da casa dos seus pais, ninando sua nova sobrinha, Rosie, com sua canção de dormir. Você lembra disso? Lembra desse dia? Nós dois, felizes, adormecemos no sofá observando aquela pequena criaturinha dormir. Angelical.
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Uma lição que eu ainda não aprendi.
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Ainda.
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Quebrado e ainda assim pensando em você, afundando rapidamente num oceano de sentimentos e pensamentos, desejo desesperadamente que alguém me acorde. Olhar para o lado, encontrar um sorriso e dirigir-me a ele com um “seja meu alguém, fique comigo e me ajude a sair desse abismo no qual eu caí”. Mas nada acontece e eu continuo caindo.
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E quando eu acordo, poucas coisas me mantém de pé. No meu querido país, por exemplo, o sol não gosta de você. Então, o jeito que você encontrou para continuar sobrevivendo é permanecendo nos espaços escusos da minha mente ou até mesmo caminhando por becos vazios e escuros.
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Talvez não seja tarde demais pra perceber que o escuro não é meu amigo e que estamos separados por caminharmos por lugares tão diferentes.
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O que eu sou pra você? O que fui pra você? Fui aquelas palavras doces que pronunciei ao pé do ouvido quando vimos o nascer do sol? Ou aquele que quando de manhã, ainda de pé depois de uma noite de festas, segui o caminho mais longo para casa com você, porque você queria ter mais tempo para apreciar a brisa fria da manhã? Ou eu sou, fui, aquele que espontaneamente disse que a coisa mais linda já fora vista no mundo era você?
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Eu fui um sonho ou um pesadelo?

Esqueça. A culpa não é sua. Não sei por quê demorei pra perceber que ambos estávamos acima do chão, novamente em lugares opostos, eu com os dedos dos pés firmes na terra e você flutuando inalcançável. Relutante eu sentia que as coisas estavam diferentes. Pensava, “por favor, esteja aqui pra me amar, porque você me torna humilde, me faz querer ser alguém melhor”. Mas pra quem? Você nem notava. Em meus piores pesadelos eu estava na cidade do carnaval, olhando ao redor, procurando por algum sinal de você, rastejando sem forças e não encontrava nada.
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Eu não sinto nenhuma saudade sua, agora.
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Agora.
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Depois de sete anos vivendo com um coração gelado, eu não sinto mais a sua falta. A louca vontade de encontrá-la em cada canto não existe mais. Embora certas lembranças ainda façam com que eu acabe me sentindo do mesmo jeito, mas não dura muito. O longo dia acabou. O rouxinol canta durante um voo para baixo e sinto que estou bem, posso ver o céu e voar também. Atire na lua e flocos de neve cairão sobre a cidade. A música da pintora, que vive ao lado, preenche os meus ouvidos, me excita e diz que eu não sou mais uma estrela solitária.

Sinto que, agora, depois de tanto tempo, quando você resolver ligar – se resolver -, e dizer “tenho que te ver novamente. Venha embora comigo”, como em muitas noites eu ousei imaginar, vou responder “não”.

A proximidade de você é tóxica, viciante e eu sou só mais um viciado que acredita estar curado. Repito para os outros, diversas vezes, que está tudo bem, que um olhar a mais não fará mal. Mas faz. E por isso eu evito. E continuarei evitando. Porque eu sei , eu senti, a dor da queda. Foi difícil recolher e reunir os pedacinhos dos pequenos corações partidos. Sei também que não é bom se sentir em casa quando as coisas não andam bem. É perigoso se acomodar. Então, por favor, venha comigo, vou te mostrar que não é tarde para perceber que não somos nada além de estranhos agora.
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Ordem de aparecimento:
The Fall
Little Broken Hearts
Not Too Late
Feels Like Home
Come Away With Me

só lá mi fá dó lá si: The Paper Kites

O jovem Tenenbaum, visitando Featherstone em Staffordshire, Inglaterra, acompanhou os primeiros dias da chegada da primavera e o florescer de uma nova estação. Era impressionante o quanto se acumulava de cor viva ao bosque da cidade. Um espetáculo à parte.
Era quase fim de março e passeando pelo bosque, Tenembaum sentou-se à sombra de um salgueiro, beijou a grama e pensou em pintar aquele incrível cenário primaveril. Mas algo o impedia. Talvez fosse a lembrança de Eve que o detivesse. Aquele era um lugar onde ela adoraria repousar.
As folhas verdes e novas, o cheiro úmido do orvalho nas plantas e o céu azul de brigadeiro representavam, de certa forma, tudo o que ela sempre desejou para si: um paraíso no meio da turbulência da vida cotidiana; um respiro em meio às ventanias invernais; um mergulho gelado depois de horas sob o sol quente.
Certa vez, um fabricante do meu tempo, desses que me poupam as horas, concordou que afundar nos braços de Eve era aceitar a lição de Mr. Gray: somos seres maleáveis, logo, tudo cabe dentro de um doce abraço. Mesmo assim, o jovem de vestes austeras não tinha mais a menina sardenta de cabelos vermelhos e olhar inquieto em seus braços. Estava sozinho na Leopold Street. E permaneceu assim durante muitas de suas idas ao salgueiro.
Às vezes, o jovem Tenenbaum jurava ter ouvido um Martim-Pescador a cantar. O que é bastante improvável naquela região. Talvez fossem as lembranças de seu último dia com Eve brincando com ele. Estava entorpecido por elas, elas brincavam com a sua cabeça assim como ela o fez.
Naquele estado, paralisado pelas memórias de outrora, o jovem passou a se questionar. Já não lembrava mais as razões e os caminhos que o levaram até ali, pra longe dela. Existia uma falha em suas recordações. Quando foi que tudo mudou? Quando nossas pernas cresceram e nossos corações, pesados e ameaçados, começaram a nos controlar? Por que as coisas não continuavam como antes? Sentia falta dela e tudo o que podia fazer era reviver, por meio da memória, os bons momentos, visto que, dos maus, já não lembrava mais. E nem fazia questão de recordar.

O texto é inspirado nos títulos da banda The Paper Kites e você pode conferir boa parte das músicas na playlist a seguir.

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só lá mi fá dó lá si: London Grammar

London Grammar é um trio britânico fantástico formado por Hannah Reid, Dan Rothman e Dominic ‘Dot’ Major. Os conheci por meio da minha irmãzinha linda, Nina Tschumi, que me apresentou a música Strong, linda. A voz da Hannah é mágica.

Bem, e como o meu conhecimento sobre estilos musicais é nulo, eu digo que o estilo deles é o de inspirar a escrever.  Eles são o tipo de banda que que criam cenários por meio de melodias e letras.

O fato de ouvir estas músicas e sentir já é um bom sinal pra mim. Música pra mim é isso: sentir. Não preciso de mais nada. O som pesado, por vezes melancólico e profundo do London Grammar me faz viajar e querer ir além. Espero que curtam! 

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só lá mi fá dó lá si: Daughter

Não lembro exatamente como eu descobri esta lindeza, mas acredito que foi em algum dos vídeos relacionados, que o YouTube sugere quando estamos assistindo a um estilo de música constantemente.
Se eu não me engano, Daughter apareceu como sugestão depois de eu ouvir Sarah Jaffe (Clementine), e que bom que eu dei uma chance para ouvi-los. 
Dauhter me conquistou de primeira, há dias que venho escutando a playlist que encontrei no YouTube e gostaria de compartilhar com vocês algumas dessas músicas!
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