na minha estante: As boas mulheres da China

Há algum tempo atrás, não lembro bem quando, a Sté me indicou este livro  e mais uma vez a história que ela recomenda é fascinante e me conquista logo de cara.

Em As boas mulheres da China, a jornalista, radialista e escritora chinesa Xinran, trabalhando em Nanquim (etimologicamente, “capital do sul”, em oposição à Pequim, “capital do norte”), utiliza seu programa de rádio para desvendar a mulher chinesa, e o verbo é desvendar mesmo, pois a visão que temos da China é bastante nebulosa, como se coberta por um véu, e muitas vezes, ao acompanhar as histórias contadas por Xinran, a impressão que eu tinha é que inclusive para os chineses a vida de suas mulheres está coberta por um véu frio, que provoca certa invisibilidade.

Logo, por meio de inúmeros depoimentos, Xinran constrói um amplo panorama sobre as diferenças e semelhanças entre o modo de vida, as histórias de infância, o tratamento durante a Revolução “Cultural” no país, bem como as tradições, os sentimentos e a maneira como tudo isso afeta a vida de cada uma dessas mulheres e também a da jornalista. É difícil não sofrer e não pensar: “puxa, como tenho sorte”, mas na verdade, quando terminei de ler o livro o sentimento foi: “estamos no mesmo mundo, em países distintos, é claro, mas de que forma nós podemos transformar a vida dessas mulheres?”. Acho que Xinran nos trouxe uma grande oportunidade, ela deu voz a dezenas de mulheres mutiladas, física ou psicologicamente, e isso nos permite saber a respeito e também a questionar: “que mundo estamos oferecendo às mulheres?”.

Aos que gostam de histórias reais, bem escritas e densas, As boas mulheres da China é um retrato sensível e emocionante do Oriente. Vale a pena conhecer!

“Quantas são as pessoas que olham através das palavras para enxergar o coração?”, p. 226

Autora: Xinran
Tradução: Manoel Paulo Ferreira
Editora: Companhia de Bolso
Páginas: 256
Ano: 2007