na minha estante: As boas mulheres da China

Há algum tempo atrás, não lembro bem quando, a Sté me indicou este livro  e mais uma vez a história que ela recomenda é fascinante e me conquista logo de cara.

Em As boas mulheres da China, a jornalista, radialista e escritora chinesa Xinran, trabalhando em Nanquim (etimologicamente, “capital do sul”, em oposição à Pequim, “capital do norte”), utiliza seu programa de rádio para desvendar a mulher chinesa, e o verbo é desvendar mesmo, pois a visão que temos da China é bastante nebulosa, como se coberta por um véu, e muitas vezes, ao acompanhar as histórias contadas por Xinran, a impressão que eu tinha é que inclusive para os chineses a vida de suas mulheres está coberta por um véu frio, que provoca certa invisibilidade.

Logo, por meio de inúmeros depoimentos, Xinran constrói um amplo panorama sobre as diferenças e semelhanças entre o modo de vida, as histórias de infância, o tratamento durante a Revolução “Cultural” no país, bem como as tradições, os sentimentos e a maneira como tudo isso afeta a vida de cada uma dessas mulheres e também a da jornalista. É difícil não sofrer e não pensar: “puxa, como tenho sorte”, mas na verdade, quando terminei de ler o livro o sentimento foi: “estamos no mesmo mundo, em países distintos, é claro, mas de que forma nós podemos transformar a vida dessas mulheres?”. Acho que Xinran nos trouxe uma grande oportunidade, ela deu voz a dezenas de mulheres mutiladas, física ou psicologicamente, e isso nos permite saber a respeito e também a questionar: “que mundo estamos oferecendo às mulheres?”.

Aos que gostam de histórias reais, bem escritas e densas, As boas mulheres da China é um retrato sensível e emocionante do Oriente. Vale a pena conhecer!

“Quantas são as pessoas que olham através das palavras para enxergar o coração?”, p. 226

Autora: Xinran
Tradução: Manoel Paulo Ferreira
Editora: Companhia de Bolso
Páginas: 256
Ano: 2007

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na minha estante: Não conta lá em casa

CapaNCLC

Final de semana, feriado de independência brasileira e, de quebra, feriado na segunda-feira por conta da padroeira de Curitiba. Tudo junto num misto de “tenho três dias” para ler e ficar “à toa”, mas que acabou recebendo um excelente upgrade com o convite da Thai para ir para a praia, curtir o mormaço permitido de forma humilde pelas nuvens que cobriram o céu paranaense.

Então, fui à praia ler.

Entre caminhadas, comilança e dormidas, reservei um tempo muito bom para ler o livro “Não conta lá em casa: uma viagem pelos destinos mais polêmicos do mundo”, do jornalista brasileiro André Fran, de apenas 308 páginas, cheio de imagens e um conteúdo contado de forma divertida e leve, apesar do conteúdo sério do livro. Fran narra a aventura em que ele e mais três amigos (UFO, Leondre e Pesca) resolvem visitar e retratar destinos que não fariam parte do roteiro de muitas pessoas. São países vistos, muitas vezes, como polêmicos pelas nações ocidentais, com exceção de Dinamarca, Itália e Japão, que entraram na jogada por motivos também bastante interessantes.

Com apoio do canal Multishow, que após ver a apresentação dos rapazes sobre Myanmar – o primeiro destino da série -, apoiou os quatro, que embarcaram em viagens incríveis por destinos como Irã, Iraque, Afeganistão, Itália, Indonésia, Dinamarca, Japão, Somália, Etiópia, Tuvalu e Coréia do Norte (componentes das 1ª e 2ª temporada da série na TV). Em cada um desses países, os meninos cariocas buscaram retratar algo que, na visão deles, mostrasse de fato a cultura daqueles países. Não só se focando em suas formas de governo ou a religião dominante, mas sim no conteúdo humano, nas pessoas que compõe aquele destino. Procuraram mostrar um pouco como eles gostariam que o seus países fossem retratados, lembrando que nem tudo o que está sendo divulgado na mídia é verdade.

E então a busca por destinos polêmicos tornou-se uma busca por pessoas e suas ideias, suas atitudes diante da dificuldade e também suas ambições e revoluções pessoais. Não é preciso dizer que devorei o livro. Também não nego que fiquei curiosíssima para saber como seria uma versão feminina dessa empreitada, apesar de saber que seria algo bastante arriscado em muitos desses destinos, mas isso fica para uma próxima, quem sabe.

Àqueles que gostam de narrativas bem contadas, ainda mais sobre viagem e História recomendo e muito a leitura desse livro, não brasileiro, mas já global, com uma visão bastante importante que precisamos ter a respeito de ditaduras, fanatismo religioso, meio ambiente, guerras e outros assuntos tão interessantes que podem abrir nosso pensamento para algo maior.

Autor: André Fran
Editora: Record
Páginas: 308
Ano: 2013

Expositiba: João Turin

Acredito que, desde que comecei este blogue, seis anos atrás, nunca deixei por aqui alguma impressão minha acerca de atividades culturais, apesar de gostar muito delas. Então, para estrear esse quadro no Tudo é Silêncio, sem preocupação com frequência de postagens, hoje quero falar sobre a exposição “João Turin – Vida, Obra, Arte” que está sendo realizada aqui em Curitiba.

À convite de um amigo muito querido, fui nesta quinta-feira (31) ao Museu Oscar Niemeyer para conhecer alguém que, muitos anos atrás, defendeu as raízes paranaenses e desenvolveu uma arte única, bastante regionalista por sinal, o escultor – pintor e poeta, apesar de não se intitular assim -, João Zanin Turin. A sala escolhida para a exposição é a Sala Araucária, mais conhecida como Olho. Para quem não conhece o espaço, ele é como um imenso sótão, só que numa casa chamada museu. E que casa, você sobe as escadas e se depara com aquela peça imponente, bela e tocante bem ali na sua frente: uma escultura em bronze de Tiradentes prestes a receber sua punição. Ao fundo, uma casa muito devota do símbolo paranaense: o pinhão, a Araucária.

O trabalho da curadoria na criação dessa exposição com 130 esculturas de bronze, pinturas e outras obras é impecável. A trilha sonora emociona e você se sente transportado para aquela época e passa a conhecer um pouco mais esse artista. Acredito que a exposição tenha mexido muito com os meus sentidos por conta das raízes paranaenses, mas não é só isso. Penso que todo mundo que tenha a oportunidade de visitar a exposição poderá sentir um pouco dessa sensação, a sensação de sentir o que o artista sentiu, de se colocar no lugar dele. É uma empatia tão grande que me emocionei ao ler uma das cartas expostas em tamanho sobre-humano nas paredes da exposição, era pura poesia.

Quem estiver por essas bandas paranistas, procure um tempo para visitar a exposição. Depois de quase uma hora e meia lá dentro, saí com a crença de que tenho muito mais a descobrir sobre esse grande artista. Para aqueles que não podem vir até a capital paranaense, este é um site incrível com o conteúdo da mostra (Página oficial – João Turin). Aos que pretendem visitar a exposição, acessem a página após a visita, você não vai se arrepender.

SERVIÇO

João Turin – Vida, Obra, Arte
Data: até 2 de novembro
Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Local: Museu Oscar Niemeyer – MON
Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico – Curitiba

Cartas para um certo alguém

Alguém,

Como você está? Faz tempo que não te mando notícias. Às vezes o tempo parece brincar comigo, rouba-me os ponteiros do relógio e eu nem noto que já passou da meia-noite e que ainda  não sentei pra te escrever esta carta. 
Está escuro e silencioso. E pra completar o meu cenário favorito está um tempo agradável lá fora e eu estou de novo na estrada, desta vez em terras argentinas.
Buenos Aires é uma cidade fantástica. Dessas que nós nos apaixonamos pelas histórias que imaginamos encontrar por aqui. É tudo tão histórico e grandioso, faz com que a gente sinta vontade de passar um dia todo admirando pra ver se em algum momento algum detalhe nos salta aos olhos e então descobriremos algo impressionante (apesar de tudo aqui já ser impressionante sem histórias cotidianas para nos distrair). Entende o que quero dizer? São tantos cenários, é improvável que não haja centenas de histórias. Você consegue imaginar dezenas delas só pelo modo como as pessoas interagem com a cidade. Incrível.
Mesmo assim, no meio de tanta coisa linda como os Bosques de Palermo, com o belíssimo Rosedal, também encontramos sinais de abandono. Em cada esquina encontramos prédios históricos com fachadas abandonadas, diversas placas de aluga/vende pelos imóveis na cidade, pichações políticas (as quais aprendi a apreciar durante a estadia), vandalismo e muito, muito lixo nas ruas. O império de outrora está sofrendo uma baixa (e isto é uma das coisas que pode deixar qualquer um muito triste). É como olhar para um jardim abandonado, nós podemos enxergar diversas flores belas em meio ao mato que cresce grosseiramente, mas é preciso olhar com cuidado.
Será que você iria gostar desta cidade?
Apesar da crise há tantos lugares bonitos para conhecer e o melhor de tudo: dá pra se fazer muita coisa por aqui sem usar o carro. Faço quase tudo a pé. Em San Telmo, antigo bairro glamouroso de Buenos Aires, hoje um bairro boêmio, a segurança ao andar pelas calçadas durante a noite é invejável: um policial em cada esquina. Apreciar o tango na Plaza Dorrego é uma pedida certa e segura. Além disso, agora, no começo do ano, é bem provável que você consiga acompanhar os ensaios de algumas baterias de escola de samba. Pois é, parece que o carnaval não é forte apenas no Brasil, os argentinos também curtem o samba.
Se vier a cidade, não deixe de conhecer o metrô, histórico. E mais histórico ainda é a livraria El Ateneo, que fica na Avenida Santa Fe. O local é um antigo teatro transformado em livraria. São três andares de êxtase para os apaixonados por cultura e literatura. E se ainda assim não se sentir satisfeito existem diversos cafés, parques, museus e lugares incríveis para conhecer.

Com saudades,

Ella.
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Pé na estrada: Palmas-TO (Parte I)

Para quem não sabe, em julho deste ano, fiz uma viagem muito especial para Palmas-TO. Meus tios, que há 16 anos residem na capital tocantinense, me convidaram para regressar com eles para casa, e, pela primeira vez na história, uma integrante da família Weber-Oliveira foi visitá-los.

A viagem começou com uma despedida inesperada em Curitiba: a neve e o frio congelante de 2º. Seguimos animados para São Paulo capital, onde ficamos hospedados por duas noites. Visitamos a Rua 25 de março, comemos sanduíche de mortadela no Mercado Municipal e provamos da pizza sem queijo *um absurdo* em uma pizzaria da capital.

Na quinta-feira, 25, saímos de São Paulo a caminho de Itumbiara-GO, onde encontramos pouso numa singela, mas gostosa pousada de beira de estrada (BR-153), com direito a quarto e banheiro limpinhos (básico), wi-fi e café da manhã. O atendimento também foi impecável.

Curiosidade: Dia 25 de julho é dia do Motorista e muitos postos pelas estradas oferecem um lanchinho aos motoristas que estão na estrada. Paramos em um em Minas Gerais que ofereceram refri e salgadinhos aos que passavam. O engraçado da situação foi o espanto dos frentistas e caminhoneiros com o tamanho da família que saiu da Zafira, o mais alto tem 2,00m.

Logo cedo, depois do café da manhã, lógico, partimos para a etapa final da estrada. Destino: Palmas-TO, parada para almoço em Uruaçu-GO. Chegamos exaustos, mas a paisagem compensou tudo. O Brasil é tão imenso em diversidade que eu não fechei os olhos nem por um minuto, foi uma experiência incrível ver a mudança na vegetação, no clima e, infelizmente, nas estradas, muito precárias nas regiões entre Minas Gerais e Tocantins.

Nas próximas postagens eu conto um pouco da experiência.

Embarque para…

Deixei a cidade em busca de novos caminhos, novas vistas e novos você e um novo eu. Não fique triste, não é culpa de ninguém, nós mudamos e isso é bom. Somos melhores do que fomos e ainda imaturos perto do que seremos. Então, por favor, não fique triste, apenas siga um caminho diferente, assim como fiz. Ou descubra um novo você. Eu sei que está em algum lugar aí dentro, apenas esperando uma chance de sobressair nesse caos que somos. Siga um novo rumo, com companhias diversas ou até mesmo sozinho.

Conheça-se e/ou conheça alguém que te apresente a um destino novo.

Lembre-se que isto não precisa ser uma fuga. Independente do que for fazer ou para onde for, você continua sendo você e as questões que precisa resolver continuarão a fazer parte de quem é, logo, aproveite cada momento para resolver o que for preciso, seja dentro ou fora de você.

Então, pegue um trem, corra ao aeroporto e escolha a próxima viagem no impulso de um momento feliz, abasteça o carro e coloque o pé na estrada, ou fique onde está, não importa: mas mexa-se, siga seus sonhos, estou seguindo os meus. E neste exato momento só quero aproveitar a vista e esperar pela próxima parada, e você? O que anda fazendo?
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