Parte VIII – Pra me fazer dormir

E estava tarde, frio e um pouco escuro. A iluminação pública anda meio precária nessa região, o que torna tudo diferente. Por quê? Porque de repente, no meio daquela parte tensa daquele filme de terror a luz acaba e ficamos ali, ambos assustados sem coragem de sair do lugar. Então nos acostumamos à pouca luz e tateamos os móveis em busca de algo que ilumine pelo menos um cômodo. Uma oportunidade única de deixar o ambiente a luz de velas, sem assustar, é claro. Ele sempre pensa que quero alguma coisa.
E ele está certo.
Quero ele ao meu lado, mas não precisa ser vinte e quatro horas por dia, porque não dá tempo de sentir saudades. Um tempinho bem aproveitado já está valendo. Quero ele me cuidando e eu cuidando dele. Cafuné até dormir. Beijinhos, abraços, um aconchego em momentos que parece que o mundo vai desabar e eu momentos que a felicidade parece quer se expandir. Cantar a vida. Canta pra mim? Não há momento que eu goste mais do que quando estamos abraçados e de repente ele canta pra mim. Me faz ir longe. Me faz adormecer calma e docemente em seus braços. Canta pra mim e me encanta. Sempre.

Parte VII – a tua canção favorita

Já posso vê-la dançando e sorrindo, ou talvez ao contrário, sorrindo e dançando ao ouvir a canção favorita tocando, seja na rádio ou na loja de conveniências. Você é assim tão você. Sem se importar com o que os outros pensam já sai logo dançando e mostrando que a vida é feita para usufruir desses breves e importantes momentos de felicidade. No teu caso, às vezes compactado em algumas notas, um refrão meio clichê, num timbre não muito apaixonante – até irritante – e uma pista improvisada, mas que mesmo assim, de forma inexplicável, te conquistou e me conquistou. É belíssimo! Te ver dançar, sorrir, se soltar sem pensar em nada é belíssimo e apaixonante. Não imagino momento mais encantador de demonstração pública de liberdade do que esse. E é graças a tua canção favorita, essa que você dança a todo e qualquer momento, essa que você faz questão de ouvir toda vez que viajamos e que você faz questão de cantar a plenos pulmões. A tua canção favorita eu sei de cor.
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Mais em:
Parte VII – A tua canção favorita
Parte VI – De mãos dadas
Parte V – O olhar que não me sai
Parte IV – Ele sabe como arrancar um sorriso
Parte III – Paz velada
Parte II – É quem eu quero
Parte I – Sou o que você quiser
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Parte VI – De mãos dadas

A tarde fria de agosto ganhou um ar acalentador quando os olhos dele, pretos como a noite, encontraram o meu e ficaram a me fitar. É engraçado ver o jeito bobo dele me encarar, posso até imaginar o que se passa em seus pensamentos, provavelmente está lembrando do dia que me conheceu e de toda maluquice que ele insiste em dizer que é verdade e eu só aceito porque é meio fofo. Mas eu sempre questiono. Questiono o fato de ele dizer que se apaixonou por mim no instante em que percebeu o quão livre eu parecia ser. De onde será que ele tirou essa ideia de liberdade? O que será que ele notou em mim que pudesse transparecer tal sensação? Não sei, mas como eu disse, é meio fofo. É lindo quando ele diz que despertei nele um desejo por mudança, ou que eu trouxe um pouquinho de vida ao mundão dele. Digo mundão porque ele também trouxe tanta vida pra mim. Me mostrou um outro lado das coisas, uma outra perspectiva das oportunidades que a vida nos traz. Ele me mostrou que não preciso ter mais medo, que sou forte o bastante para lutar por aquilo que quero. E tendo ele ao meu lado sei que posso realizar mais.

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Mais em:
Parte VII – A tua canção favorita
Parte VI – De mãos dadas
Parte V – O olhar que não me sai
Parte IV – Ele sabe como arrancar um sorriso
Parte III – Paz velada
Parte II – É quem eu quero
Parte I – Sou o que você quiser
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Parte V – O olhar que não me sai

Jamais esquecerei daquela tarde fria de agosto, quando, depois de um dia terrivelmente chato e incrivelmente depressivo, eu, por muita sorte, encontrei aqueles olhos camaleões, delicadamente posicionados num rosto diabolicamente angelical, que até hoje não param de me fitar. Quando te conheci sabia que eu era o cara mais feliz do universo, por quê? Só por saber que havia no mundo alguém tão livre quanto qualquer flor silvestre, que nasce por aí sem precisar de auxílio. Tudo isso eu descobri quando te vi. E mesmo que você insista em dizer que é exagero da minha parte, eu sei que no momento em que te vi, soube que você era a garota mais incrível do mundo e que eu seria um tolo se não fosse atrás daquele belo par de olhos e daquele sorriso de fazer qualquer um se entregar. E eu estava certo, porque você me arrancou da minha vida miserável e trouxe um turbilhão de músicas, beijos, abraços e carinhos que eu jamais ousei imaginar. Você, que por tantas vezes diz que não – na sua sincera e apaixonante humildade -, trouxe espontaneidade ao meu espaço vil. Tornou-me raro. Grato por tudo isso procuro sempre mantê-la comigo. Ao me deitar não fecho os olhos até que os seus, depois de muito me olharem, tranquilizem-se e coloquem-se a dormir, a fim de que eu possa revisitá-los nos meus mais profundos e apaixonados sonhos.
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Parte VII – A tua canção favorita
Parte VI – De mãos dadas
Parte V – O olhar que não me sai
Parte IV – Ele sabe como arrancar um sorriso
Parte III – Paz velada
Parte II – É quem eu quero
Parte I – Sou o que você quiser
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