Nota

Frágil

moreias

Moreias

A natureza me fez forte o bastante para sobreviver ao calor, ser resistente ao frio e encarar com maestria às duras chuvas, para então florescer em qualquer ambiente, mas lembre-se: eu continuo sendo uma flor. Dependendo da forma com que me tocas, ainda posso acabar despedaçada. Por favor, seja gentil e permita que minha florada aconteça, regue-me com delicadeza e poderá usufruir do aroma e das cores que trarei pra enfeitar tua vida, caso contrário…

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Font’Ana

“O coração dela eram um jardim secreto e seus muros eram muito altos”.

Ela é uma menina feita de flor, do tipo que atrai beija-flores, borboletas, abelhas e, infelizmente, de vez em quando, uns insetinhos sem-vergonha. E porque ela é uma menina feita de flor, não vê maldade ao seu redor. Mesmo em dias nublados e chuvosos consegue sorrir e sentir-se animada, pois a chuva renova e nutre, ajuda a florescer. Sendo uma menina flor ela chama atenção por onde passa, mas nem nota, pois apenas transmite o que tem, mas num mundo cada vez mais cinza, o pouco de cor que encontramos por aí já desperta a atenção. Mas não era fácil ser feita de flor, ao embelezar de forma inocente os espaços por aí, mais e mais vezes surgiam seres desalmados a podá-la, a impendido de crescer livremente. Aos poucos, os espinhos – antes quase inexistentes – ganharam tamanho e resistência. De repente, sem notar, já não saía mais. Escolheu um refúgio e por lá ficou. Poucos ousaram transpor os muros que agora a guardavam.

Doces rabiscos

Tudo é Silêncio1

Ela é apenas uma garota cheia de sonhos. Na calmaria vista naqueles que andam nas nuvens, flutuando acima do terreno, ela, doce e delicada, flutua igual e busca em seu caderno registrar todos os passos de um novo caminho. Rabisca linhas e mais linhas de palavras mal traçadas e mesmo assim profundas, sobre situações e momentos que ainda não viveu, mas que, quem sabe um dia, viverá. As páginas de um diário nunca foram suas amigas. Falar de coisas que já aconteceram parece muito limitado. Já foi, não é possível mudá-lo, alterá-lo, nem colori-lo, se o fizer estará contando algo que nunca aconteceu. Já o futuro, ahhh, o futuro é cheio de vazio, uma imensa página em branco, um espaço oco imenso para ela preencher com tudo aquilo que ela mais desejar.

do moleskine de Olívia 

Nota

Observações

Eu sei, você faz de tudo para parecer bruto: deixou a barba crescer, não sorri com a mesma frequência de antes e faz o impossível para não tocar em assuntos que se referem ao coração, porque “não faz o seu estilo”. Tudo bem, mas eu conheço um segredo seu. Sei de algo que, por mais que você tente, não consegue controlar. E nós dois sabemos que não adianta fechar os olhos. Se não está diante dos olhos está presente no ar, no toque, nas palavras. Depois de olhar pra ela, de saber que ela está ali, não adianta vendar os olhos. O que você os impede de dizer, o sorriso alegre e meio bobo de poucos segundos já revelou por detrás dessa imensa muralha facial que você construiu. Numa olhada rápida deu até pra notar que ela gostou do seu novo visual. Acredito que, ao te olhar desse jeito, ela foi capaz de te enxergar de uma forma diferente, talvez até mais maduro. Mas, por favor, não crie expectativas em torno de minhas palavras, essas são apenas algumas observações a respeito de alguém que eu não conheço, mas de quem há algum tempo ouço falar. Para quem está apenas a observar, digo que ela parece animada. E será que você está? O que toda essa sua reação diz sobre o que sentes? Você sempre disse que ela é determinada e persistente, algo bem diferente da sua insistente e infantil teimosia perante à vida, acreditando merecer por merecer. Ela parece o tipo de garota que acredita em algo e corre atrás até alcançar, mas e você? Pela primeira vez, pelo que você está disposto a correr atrás?

Da série: encontros de Valentina e Bernardo

Nota

Confidências

hugcouple“Gosto daqui”, disse ela com um sorriso tímido e olhar meigo.

“Eu também”, afirmou ele de forma animada – “o clima é agradável, sem exageros, e a vista não poderia ser melhor! O que mais poderíamos querer vendo o mar pela janela e podendo desfrutá-lo todos os dias”.

Ela riu sem jeito, com cara de quem esperava uma resposta melhor, quem sabe um pouco de romantismo e fantasia. Ele olhou para ela como se perguntasse “o que tem de engraçado nisso? E não somos privilegiados por estarmos aqui?”.

Estou dizendo que gosto daqui”, declarou ela encostando gentilmente a ponta dos dedos no peito dele, onde se aninhou de maneira perfeita. O local parecia desenhado especialmente para ela.

Ele sorriu esclarecido.

“Também gosto quando você se aconchega aqui. Saiba que você não precisa de visto nem de passaporte para permanecer por essas ‘terras’. É cidadã honorária. Melhor, já faz algum tempo que você foi eleita dona desse pedacinho e de todo o resto”, riu-se ele, afirmando a declaração como se estivesse decretando uma ordem de Estado.

Então o sorriso tímido dela tornou-se seguro e, atento, ele a olhou com amor. Sorriram de forma cúmplice. Nem o mar, nem as montanhas, nem as matas verdes e úmidas ou o céu poderiam competir com aquele lugar único para os dois.

na minha estante: Na terra da nuvem branca

CapaNZ

Emocionante saga familiar sobre a colonização da Nova Zelândia e a cultura dos nativos Maori

A Nova Zelândia, muito antes de ser a terra que receberia filmagens importantes como Senhor dos Anéis e O Hobbit, era a terra dos Maori, da colônia da Coroa inglesa e dos pioneiros e conquistadores que dali tirariam o seu sustento por meio da criação de ovelhas e mais tarde do gado de corte. Em meio a esse cenário colonizador, a falta de mulheres nas terras neozelandesas era um fator preocupante. Como manter o desenvolvimento da colônia sem famílias? Então, a paróquia de Christchurch (cidade da ilha sul da Nova Zelândia) publicou o seguinte anúncio:

A Igreja Anglicana de Chirstchurch, Nova Zelândia, procura jovens mulheres, honestas, com experiência em serviços do lar e educação de crianças, interessadas em contrair matrimônio com membros de nossa comunidade, todos de boa reputação e situação econômica estável. 

E é a partir dessas primeiras linhas que Sarah Lark, autora de Na terra da nuvem branca, inicia a história de Helen Davenport e Gwyneira Silkham, duas mulheres de classes econômicas distintas que veem suas vidas se cruzarem no navio Dublin, rumo às terras da Nova Zelândia. É durante a viagem de quase três meses pelos oceanos Atlântico e Índico, que as senhoritas Helen e Gwyn tornam-se amigas, mas é na Nova Zelândia que a amizade verdadeira das duas inglesas mostra a força que tem.

A minha vontade é contar para vocês cada pequeno detalhe dessa incrível história, que envolve desde o matrimônio apontado logo no primeiro parágrafo até a corrida pelo ouro na região de Otago, mas eu não posso (e nem quero) tirar de vocês as descobertas e surpresas que a narrativa de Lark proporciona ao acompanhar as 700 páginas dessa história. O que posso adiantar é que a história é bem trabalhada, a autora não esquece de nenhum personagem importante e sempre temos uma visão bem ampla dos acontecimentos. Para aqueles que gostam de romances históricos e paisagens diferentes, este livro é uma pérola. Para aqueles que não gostam ou nunca leram, acredito que este é um bom livro para começar a gostar.

Autora: Sarah Lark
Tradução: Stéfano Paschoal
Editora: Europa
Páginas: 708
Ano: 2012