melhor assim

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Já era tarde quando os quatro apareceram empoleirados no número 401 e me arrastaram porta à fora.

O apartamento estava quentinho e eu havia me aninhado na poltrona perto do televisor a fim de me manter aquecida, enquanto assistia a Orgulho e Preconceito pela milésima veze bebia chocolate quente, receita de um livro antigo da minha avó. Era um dia especial, eu sei, mas a última coisa que eu gostaria era sair de casa, em um sábado a noite, para enfrentar o frio tempestuoso lá fora e os corações gelados nos bares pelo caminho. Seria pedir muito ficar em casa naquele dia? Uma vontade quase infantil de bater o pé e dizer que eles não poderiam me obrigar.

Mas aqueles olhares encantadores para mim me dominaram. Eles estavam tão empolgados que acabei cedendo. No elevador, depois deles terem me feito me produzir um pouquinho, falavam dos planos para aquela noite.

Eu os conhecia muito bem e acreditava que cada um havia pensado em uma coisa e não tinham decidido nada. Não seria nada fora do comum se eu acabasse escolhendo para onde iríamos. Nós trabalhávamos de uma forma bastante sútil: todos, animados, sugeriam diversas opções, com um brainstorm bem amplo, aos poucos, votávamos nas melhores opções e, por último, um de nós decidia. Geralmente eu. A dificuldade para tomarem uma decisão fazia com que eu assumisse as rédeas da situação.

Estranhamente, naquela noite fria de julho, eu não tomei nenhuma decisão.
Deixei me levar.

Chegamos à um estranho local do qual eu nunca ouvira falar: The Cinnamon, devia ser um lugar novo. Do lado de fora, a arquitetura lembrava muito um pub londrino daqueles que todo mundo já viu em filme. Uma placa daquelas com um desenho e o nome do local em letras meio irlandesas, pendia em cima, ao lado da porta de entrada. Uma porta muito bonita por sinal, vermelha feito sangue, e era ornada com flores da estação.

Comecei a me sentir um pouco mais à vontade, com aquela sensação de estar saindo do casulo e descobrindo algo novo, de novo.
Era reconfortante.

Encontramos uma mesa no canto e nos acomodamos, Lucas se prontificou a ir até o bar fazer nossos pedidos. Depois da pequena jornada até ali é que percebi o tamanho da fome que eu sentia. Enquanto aguardávamos os nossos pratos, bebíamos e ríamos como universitários. Eu já começava a me sentir grata pelo fato deles terem ido até a minha casa me sequestrar para comemorar aquela noite. Afinal de contas, celebrar a amizade e o companheirismo com as pessoas mais importantes do mundo já era mais do que um bom motivo para sair de casa. Eu os amava e sentia-me muito feliz por estar ali.

Adèle
20 de julho de 2009

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Fri(end)

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Acredito que a palavra Friend (palavra inglesa que significa amigo) é escrita dessa forma por um motivo muito válido: para nos lembrar que a sexta-feira acaba e que a amizade é aquela relação que permanece quando a festa termina e o que resta de nós é um moletom velho e histórias boas, tristes ou silêncio pra contar.

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"Longas amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias"

“Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. 
A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto.”
Francis Bacon

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No último post eu falei sobre as amizades que aparecem virtualmente e que vão permanecendo, e durando, de alguma forma contribuindo para a nossa construção como pessoa. Hoje eu quero falar dos velhos. Falar daqueles velhos amigos e das suas grandes histórias e de como eles mudaram a minha vida.

Muitos que acompanham o meu blog há tempos sabe dessas minhas amizades duradouras. Algumas são sem pontos, sem reticências e quase sem vírgulas, elas já existem há tanto tempo que eu perco a conta de anos, meses e dias, é como se já estivessem integradas ao meu ser. Outras tiveram algumas vírgulas e reticências e graças não houveram pontos. Então vamos falar delas e me perdoem se o texto ficar muito extenso, é pra mostrar o quão compridas essas amizades são. Você ainda tem uma chance para desistir.

Vamos começar pelas amizades resgatadas, aquelas das reticências e vírgulas. Quando o meu irmão era pequeno, ele tinha vários bons amigos e eles muitas vezes se encontravam aqui em casa para jogar videogame. Geralmente nesses dias vinham só os amigos do meu irmão, para não lotar a casa e a minha mãe não ficar louca. Bom, eu não era uma irmã legal, então eu ia lá encher o saco deles e tentar jogar videogame junto, às vezes eu conseguia. Era divertido poder participar das brincadeiras deles. Até jogar futebol eu jogava. (Claro que às vezes acaba me machucando, mas acontece). Eu cresci rodeada por eles e adorava ver o quão forte a amizade deles era. Em um determinado momento, um dos meninos precisou se mudar para o Japão, com isso apareceu a primeira reticência, mas logo o contato voltou através da internet, após um tempo, cada um dos meninos seguiu para uma escola diferente e apareceu a primeira reticência. Mas no fundo a gente sabe que amizades verdadeiras perduram, mesmo nas distâncias e ausências. No ano passado, o menino do Japão, o Andre, voltou e veio de surpresa aqui em casa. Ele combinou comigo e pediu para que não falasse nada para o meu irmão, quando o Andre apareceu aqui em casa meu irmão ficou perdido e logo colocaram a conversa em dia como se os 6 anos longe não tivessem mudado nada, aos poucos, o Bruno, o Juliano e o Vinícius também foram reintegrados. E novamente parecia que nada havia mudado. Foi tão bom ver como a amizade deles é forte. Não importa distância e nem tempo, ela permaneceu. E hoje, um ano depois é engraçado ver como eles se tratam e como há carinho e respeito entre eles. Verdadeiros amigos e eu sou privilegiada por participar disso. Obrigada meninos!

Agora eu vou falar das amizades quase bíblicas de tão antigas. Vamos a primeira. A Patricia que agora está do outro lado do globo, em Praga. Ela é minha amiga mais antiga. Nos conhecemos na primeira série e a amizade dura até hoje. Esses dias eu abri minhas caixas de lembranças e encontrei umas cartas antigas dela e cartões postais. Em todas eu encontro aquele carinho e dedicação de velhas e boas amigas. É tão bom quando a gente encontra pessoas assim, que permanecem na nossa vida apesar de qualquer coisa: distância, crenças, mudanças… Agradeço todos os dias por ela fazer parte da minha história. Tem também aquele amigo que de tão carinhoso conquistou a família toda, o Ian já é meu amigo há tanto tempo que é como um irmão pra mim. Um irmão que escolhi e que amo muito, que tem uma mãe e um irmão incríveis, uma família que adotei por completa. Ele é como meu porto seguro. É pra ele que eu corro quando preciso de colo ou conselhos. E foi por ele que eu conheci o Vitor. Uma amizade que começou na fila do cinema e que hoje faz parte de filas de cinema, noites de filmes e fondue em casa, idas ao museu e muitas conversas e textos importantes. Uma amizade puxa outra e temos o Tarcísio. O Tar é aquele tipo de amigo que conquista a gente na primeira conversa. Lembro bem de tê-lo conhecido no aniversário do Vitor e depois de alguns copos e muita conversa parecia que eu já o conhecia uma vida toda. Por último nessa linha veio o Murilo, apresentado pelo Ian, ele é o mais novo, mas nem por isso menos importante membro desse grupo maravilhoso. Como sou grata por ele estar no meu círculo de amigos e por poder contar com todos eles.
Por último vem os amigos da faculdade. Primeiro a Thainá que eu já conhecia do cursinho e com quem eu não conversava muito, mas que na faculdade tornou-se uma pessoa tão importante que eu fico me perguntando por que não nos falávamos antes. Hoje eu acho que tudo acontece no tempo certo. Da faculdade também tem a Alyne, a Anne, a Nina e a Sissa, meus amores. A primeira é como se fosse uma filha, jamais esquecerei das manhãs no shopping e das diversas conversas sobre o nível de tripolaridade da Lyh. A segunda conquistou um espaço também importante no meu coração, sempre doce ela consegue nos ouvir e entender e ser sempre gentil. A terceira é minha irmãzinha e nada muda isso, mesmo que exista distância, tenho tantas recordações boas que nem sei como pontuá-las aqui. A última é aquela que mais me desafia, é com quem converso sobre livros, filmes e ideias, é a pessoa que marcou meu primeiro período com a famosa frase de “o povo é uma pedra”. Meninas, obrigada por existirem!
Acho que por hoje é isso gente, eu poderia ficar horas aqui escrevendo sobre a importância de cada uma dessas pessoas, mas eu sei que não é preciso, pois elas sabem disso. E para você que leu até o final: obrigada!

"A amizade dispensa os juramentos"

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Curitiba, 11 de maio de 2012.

Querida amiga,

Quem diria que 15 anos depois de nos conhecermos você, agora, estaria indo começar mais uma nova jornada na sua vida, dessa vez do outro lado do mundo, mais especificamente em Praga, na República Tcheca. Que orgulho de você. Sei que você fará um excelente trabalho por lá e acrescentará muito às pessoas com quem conviverá e sei que vai aprender muito também. Espero, principalmente, que aprenda a ser menos esquecida… rs. Bom, eu não preciso te lembrar de tudo o que passamos juntas, mas se fossemos falar de tudo, teríamos muita coisa pra contar. Imagine, eu lembro do dia que você chegou pra mim no Tia Paula e me perguntou por que eu estava chorando e desde aquele dia nós somos amigas. O tipo de amigas que realmente não exige juramentos, pois, de alguma forma, sabemos que sempre podemos contar uma com a outra. E quero agradecer especialmente pelas palavras de apoio em fevereiro, quando perdi meu padrinho, elas realmente foram muito importantes, pra mim e pra minha família, jamais esquecerei. Nessas palavras eu pude ver o quanto você cresceu como ser humano. Você realmente aprendeu como acrescentar coisas boas às pessoas, e por isso sou muito grata. Obrigada amiga por todos os bons e maus momentos, por todas as palhaçadas, por me apresentar diversas bandas novas, por pirar comigo ouvindo as músicas do Red Hot Chili Peppers e por criar coreografias para as músicas do Joãozinho. Obrigada pelos anos de estudo na mesma escola, pelos anos de amizade e dedicação. Mesmo quando não estudávamos na mesma escola e morávamos no mesmo bairro, ainda escrevíamos cartas uma para outra e eu espero que continue assim, viu? Não é por que você vai pra tão longe que vai deixar de se comunicar comigo e sim, acho carta mais legal. Ai amiga, te desejo uma abundância de coisas boas e magníficas pra você. Eu espero que dê tudo certo, que você não perca nada pelo caminho e que esse caminho te leve para infinitas coisas boas, porque você merece tudo isso. E saiba que mesmo eu aqui, nessa terrinha brasileira, vou sempre querer o teu bem e torcer para o seu sucesso sempre e se precisar de alguma ajuda, grite, que eu arranjo um jeito de ajudar. Te amo muito e toda a sorte do mundo pra você.
Com carinho,
Mé.
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Dia 50: Uma foto de alguém por quem você arriscaria sua vida

“Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida…”
Soren Kiekegaard

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Acho que eu sou meio vendida. Tanta gente me faria arriscar minha vida, começando pela família. Não tem coisa que me irrite mais do que ver alguém afetando o bem estar desses que amo. Infelizmente, às vezes, a própria família é responsável pelo próprio mal estar e daí tudo piora, é como pisar num campo minado, deve haver muito cuidado na escolha das palavras. Lembra-me um pouco o Neville, em Harry Potter, ouvindo o Dumbledore dizer que “é preciso coragem para enfrentar os inimigos, e ainda mais coragem para enfrentar os amigos”. Às vezes os nossos riscos são mais emocionais do que físicos. Eu também arriscaria minha vida pelos meus amigos. Não há grupo de amigos melhor do que o meu: são tantos e tão diferentes, eu os amo e devo muitos momentos divertidos e alegres à eles. Família e amigos em primeiro lugar.
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Dia 15: A foto de um irmão/irmã de alma

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Ian-Hassan com certeza é meu irmão de alma. Não nascemos na mesma família, mas tivemos nossas vidas direcionadas ao momento que nos conhecemos e nos reconhecemos como amigos e irmãos. Muito obrigada por esses 12 anos de amizade. Conte comigo sempre. “Por você, faria isso mil vezes”. Obrigada irmão.
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