Prognose obsoleta

Tenho certeza de que o diagnóstico de esquizofrenia já está descartado. Até por que, semana passada foi retirado dos verbetes das principais patologias do século XXI. Agora o drama é outro. A doença não é mais a do escarro, do prurido ou tantas outras grotescas. O doentio agora é banal.

Já sei o que você quer. Quer saber onde o meu problema se encaixa. Sim, semana passada eu teria sido considerado esquizofrênico. Não é à toa. Ouço vozes o tempo todo. Vozes desfacetadas, programadas… frias. Eu as ouço em todos os lugares. Às vezes até no banheiro quando não me aguento mais e alivio as necessidades de um dia polifônico.

Ouço no carro, no trabalho, na faculdade e em casa também. Vozes que não pertencem a rostos. Vozes que não pertencem a vidas. Vozes que não consigo ver ou reconhecer. Eu nunca as vejo. Eu nunca as sinto. Mas as escuto. E pior: as sigo.

A última vez que ouvi foi um pouco antes de chegar ao novo local de trabalho. Uma voz doce, feminina, dessas que transmitem não só calma, mas também confiança e credibilidade disse quase ao pé do ouvido: você chegou ao seu destino. Espero um dia também retribuir.

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Ex-vazio

Calarão o silêncio com gritos
sussurrados
em vãos estreitos
destroçados

Colarão bocas maduras
suturadas
em gargantas doidas
esvaziadas

. . . . . . . .
vazio estreito
na garganta vã

insana

Calarão o silêncio com gritos
esquecidos
vencidos

Colarão bocas imaturas
saturadas
. . . .
cansadas