Gaiola

Eu não sinto mais nada.
O gosto do café preto e amargo não incendeia mais minhas papilas gustativas.

Eu não tenho mais nada.
Mãos e pés não caminham calçadas frias nem tocam rostos turvos.

Eu não falo mais nada.
Da boca não verte sangue nem veneno.

Eu não sou mais nada.
Só um corpo inerte nesse laboratório escuro que é a vida.

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