Noturno

Eu o cobria
E ele ia lá e se descobria
Era um descobridor nato

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Light

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Ele partiu antes do alvorecer, deixou o bilhete doce em cima da mesa e uma flor sobre a cama. Na nota um pedido para que não dormisse tarde, que me alimentasse corretamente e que lembrasse sempre de trancar bem a porta, apesar de nosso apartamento ficar no penúltimo andar. Fora uma despedida silenciosa e carinhosa como tantas outras: com passos de algodão ao sair pela porta.

No entanto, diferente das outras, algo em mim dizia que as coisas já não eram mais as mesmas. De imediato senti sua ausência e fui além de seus pedidos: quis ser o farol a guiá-lo de volta e coloquei uma vela próxima à janela. Mentalmente repetia como mantra: “enquanto você ver a luz, saiba que estou aqui”.  No fundo eu só queria que ele não deixasse de ter certeza que continuaria o iluminando, não importava onde ele fosse.

desafiada por L. R. Andreatta

Entrelace

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A mão percorria vagarosamente a nuca alva; os dedos se entrelaçavam nas ondas emaranhadas dos cabelos e encontravam o lugar certo no qual se fixar. Os olhares se cruzaram e os sorrisos se revelaram espontaneamente – como tudo o que ocorria entre eles. Cada gesto era um pedido velado: fica. Fiquei e a mão nunca deixou o posto: não por medo de que eu me fosse, mas porque se sentia confortável no local em que estava – o tipo de abrigo que protegia duas sensíveis almas, dessas que sofrem, mas que no fim acreditam que tudo, inclusive as tempestades, são um bom motivo para sorrir.