Motor imóvel

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Era madrugada, a rua estava silenciosa e a noite era fria e chuvosa. Os poucos corajosos a caminhar falavam baixo, respeitavam os sonos dos ajuizados, algo bastante atípico para aquela região. Bernardo era um deles; o andar cabisbaixo denunciava as muitas horas a que tinha se dedicado naquele dia. Cansado, deixou a mente viajar e então parou. Em uma escura encruzilhada no centro da cidade o menino de sorriso doce se questionava a cada instante “o que me faz dar cada um desses passos em direção ao meu destino final?” O tardar da hora não o assustava, na verdade, ele já nem o reconhecia mais. A pergunta o corroía. “O que me move?” Não sabia responder. Naquele exato minuto, sua única motivação era chegar até em casa, tomar banho e largar-se na cama. Triste diante de tal constatação, fechou os olhos e a viu. Inconscientemente, o sorriso tímido dela saltou diante dele e então suas memórias começaram a provocá-lo: o perfume da pele dela ao sair do banho, as risadas doces dos momentos a dois, o toque macio da mão dela deslizando pela nuca e os olhos tipo oceano, daqueles que todos querem arriscar mergulhar. Em um ímpeto de bravura e determinação, Bernardo voltou a caminhar, não mais em  direção ao lar frio e escuro, mas à fonte de seus movimentos.

Desafio proposto por L. R. Andreatta 

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