Colo

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As paredes ornamentadas com inúmeras fotos de momentos dos quais já não me recordo mais. Na verdade penso que essas imagens enganam a minha memória, traem os meus sentidos e me convidam a idealizar certos momentos, ou melhor, endeusá-los, santificá-los.

Eu sei que não há nada de errado nisso, mas me contaram que o passado é uma mentira que a gente conta a si a fim de nos sentirmos vivos. Tão estranha definição! Mas não posso deixar de concordar com isso ao olhar os sorrisos nas fotografias coladas nas paredes frias de meu apartamento. Em cada registro esqueço de detalhes pequenos que poderiam mudar todo o meu entendimento daquelas cenas bucólicas.

Imagine recordar as brigas, os desentendimentos e as confusões. Talvez os sorrisos e os olhares animados se transfigurassem em outras recordações, provavelmente dolorosas.

Ou quem sabe, por algum momento, a brevidade com que você recorda das desavenças, façam com que você se recorde do momento de perdão, do reconciliar e dos abraços e pedidos de desculpa. O que torna o momento mais belo? Os sorrisos registrados ou o pano de fundo que foi construído e os levou a registrar o que viviam?

Um dia me disseram que o passado é uma mentira, bom, prefiro acreditar que o passado é uma  passagem estreita entre duas montanhas: quem fui e quem sou agora. E eu não seria nada se lá atrás eu não tivesse enfrentado esse desfiladeiro chamado vida.

notas de Valentina

na minha estante: Plutão

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Há algum tempo atrás – mais precisamente um ano em outubro – conheci a história de August Matthew Pullman, um menino Extraordinário com características e experiências que me fizeram repensar diversos valores e amizades, principalmente não julgar um livro pela capa.

Quase um ano depois, ao descobrir Plutão, um spin-off de Extraordinário, redescobri a sensibilidade de R. J. Palacio em abordar um tempo tão delicado quanto a deficiência. Em Plutão, Palacio traz a história de Christopher Angus Blake, melhor amigo de Auggie, que por diversas razões acabou se afastando do amigo de infância, e quando digo que é de infância é bem lá do comecinho, visto que as mães são amigas antes mesmo dos meninos nascerem, e precisam de alguma forma lidar com essa nova situação.

O distanciamento ocorre primeiro porque Christopher muda-se com os pais para longe da família Pullman e, como sabemos, a distância, assim como o cotidiano agem, muitas vezes, de maneira negativa nos relacionamentos, o que os afastou pouco a pouco. Contudo essa história não é sobre distanciamento, tal qual Plutão longe da Terra, mas sim sobre como os laços que existem podem perdurar apesar de tudo.

Àqueles que leram Extraordinário – o primeiro livro da série – Plutão, provavelmente, os fará sorrir, tal qual o primeiro livro. Aos que não leram, aconselho ler primeiro Extraordinário e depois descobrir outros pontos de vista nos spin-offs: O capítulo de Julian e Plutão, vocês não vão se arrepender.

Autor: R. J. Palacio
Tradutora: Rachel Agavino
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 90

Cantigas

073ef9e35371a0ca53fcc631f2ee9a6fLembro das noites quentes de verão e de ouvi-la cantar baixinho velhas cantigas de ninar. Eram o ponto alto do meu dia, voltar para casa e vê-la feliz. Ao participar de tamanha alegria genuína, sentia-me contaminado, por um breve momento sentia-me também acolhido, transportado ao lar onde fui criado.

Um sentimento de extrema segurança. Era uma boa sensação. Algo como imaginar a melodia sendo traduzida em aconchego e amor. O cheiro de café e pães frescos completavam a cena idílica.

Nos dias de hoje esses cheiros ainda visitam a minha mente, de forma especial nas noites de verão. Memória olfativa, já ouvir falar? Tão poderosa e sútil que às vezes parece um inimigo invisível- claro, só quando parece nos provocar, quando nos faz resgatar lembranças que nem sempre são confortáveis.

Muitas noites de verão passaram e muitas vezes fiz questão de acreditar que as canções também passariam. Que um dia elas estariam tão distantes quanto a nau que navega em alto mar, partindo em busca de novos portos, desbravando mares e oceanos. No entanto nunca estive tão enganado na minha vida.

das memórias de Bernardo

na minha estante: A mulher silenciosa

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Num belo dia, ao entrar na Livrarias Curitiba para fuçar a pilha de livros em promoção a partir de R$ 9,90 encontrei esse livro entre as muitas edições de livros de receitas (sempre em promoção) e outros muitos que no momento não me chamaram atenção. A capa numa aura de suspense atraiu meu lado curioso e me rendi ao livro, que apesar de não estar pelo preço mais baixo, não estava num valor absurdo. Voltei pra casa o lendo no ônibus.

A mulher silenciosa é uma ficção psicológica/criminal, escrita pela canadense Susan Harrison -também conhecida como A. S. A. Harrison – que conta a história do casal Jodi e Todd. Ela psicóloga e ele um empreendedor. E logo de início Harrison joga para nós a questão sobre Jodi que orienta toda a narrativa.

Apesar de saber desde o início para que caminho a história se desenrolaria, isso só aumentou a minha curiosidade para saber quais seriam os passos que levaram a personagem para esse desfecho e confesso que gostei muito do modo como a história foi contada. Para mim, a impressão é a de que Harrison não era apenas uma narradora onipresente, mas também onisciente, do tipo que ainda parece julgar suas personagens. Algo novo para mim!

Acredito que aqueles que gostem de histórias de suspense, crime e perfis psicológicos intrigantes, A mulher silenciosa é uma ótima escolha.

Autor: A. S. A.  Harrison
Tradutor: Alexandre Rapos
Editora: Intrínseca
Ano: 2014
Páginas: 256

na minha estante: Expresso Zahar

  • As cinco sementes de laranja de Sir Arthur Conan Doyle (2012);
  • Chapeuzinho Vermelho de Charles Perrault (2012);
  • A história dos três porquinhos de Joseph Jacobs (2014);
  • A princesa e a ervilha de Hans Christian Andersen (2014);

As quatro obras citadas acima fazem parte da coleção da Editora Zahar, conhecida como Expresso Zahar e tem como objetivo trazer contos, histórias e fábulas de autores famosos em mini cápsulas de leitura. 

No site da Amazon encontrei essas e outras obras distribuídas gratuitamente e outras da coleção por valores bastante acessíveis, não tem desculpa para não ler. Mas confesso que das quatro histórias, gostei mais da escrita por Sir Doyle, e a que menos gostei foi a do Hans Christian Andersen.

na minha estante: Sejamos todos feministas

sejamostodosfeministas

A obra publicada pela editora Companhia das Letras na verdade é uma adaptação do discurso da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé (você pode conferi-lo aqui). Para mim, este discurso é um relato que aponta como muitas coisas ainda precisam mudar para que tenhamos um mundo mais justo e quem sabe até pacífico, onde mulheres e homens serão tratados com equidade e respeito. A leitura é bastante rápida, mas nem por isso perde seu poder de nos fazer refletir. Li o discurso disponibilizado de graça pela Amazon no Kindle, mas também é possível conferi-lo no vídeo acima. Acredito que vão gostar!

Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2014
Páginas: 46