Mar vermelho

China-red-sea

Levantei os braços e ele não se abriu. Falei gentilmente e nada. Gritei palavras de ordem e ele continuou em suas tarefas habituais. Procurei uma ferramenta, qualquer coisa que me ajudasse a transpor aquela barreira e não encontrei. Então olhei para o céu azul celeste, que aos poucos era substituído pelo cinza chumbo, e senti o vento forte bagunçar meus cabelos e trazer consigo o frio. Notei alguma movimentação, porém nada satisfatório. A sensação de angústia tomava conta de mim, sentia-me impotente e incapaz. Durante anos fiquei ali naquela praia apenas observando a maré subir e descer, pensando e arquitetando meios para vencer aquele obstáculo. Num dia qualquer de junho ou talvez já fosse julho, não sei precisar com segurança, olhei para a esquerda e havia um caminho novo. Assustada pensei estar olhando para uma miragem, uma ilusão ou apenas um sonho quase real. Por alguns dias recusei ir até lá verificar, pensei ser uma brincadeira da minha mente já cansada de tanto projetar meios de transpor aquele empecilho. Ao transpassá-lo me vi num mundo novo e foi como se todos os períodos de dificuldade e medo tivessem contribuído para me trazer bem até aqui, uma preparação para estar do lado de cá.

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2 thoughts on “Mar vermelho

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