na minha estante: Se eu ficar

Capaseeuficar

Acredito que estou tendo muita sorte com minhas últimas leituras – e espero que essa onda continue assim. Dessa vez o achado foi a obra de Gayle Forman, Se eu ficar, veio a mim por meio de um amigo. Iniciei a leitura de forma bastante despretensiosa, sem expectativas e felizmente, mais uma vez, fui surpreendida de forma bastante positiva.

Se eu ficar narra a história de Mia, uma jovem violoncelista de 17 anos que se vê, não só diante de uma terrível tragédia, mas também uma das peças desse assustador acidente. É difícil contar fatos do livro sem achar que estou contando coisas demais, e para evitar isso resumo a obra em algumas palavras:

Mia é jovem, musicista, filha de pais modernos e irmã mais velha de um menino carinhoso, namora o guitarrista, Adam, e num dia incomum sua vida muda completamente e ela é quem tem o poder de mudar esse quadro. Independente da escolha que ela fizer, a vida não será fácil para ela, mas nem por isso deixará de ser bela à sua maneira. E acredito que é isso que o livro nos ensina – quando a vida toma decisões por nós é mais fácil aceitar, mas quando precisamos nós mesmos decidir o que fazer é preciso muita coragem.

Gayle Forman foi fantástica no modo como tratou um fato tão delicado com tanta naturalidade, gentileza e por que não amor. Em muitos momentos me vi chorando, mas em muitos outros sorri, suspirei e me senti grata por essa história linda ter chego até mim. Leiam! Vale a pena. E se não gostarem me procurem, adoro debater e trocar ideias.

Autora: Gayle Forman
Tradutor: Amanda Moura
Editora: Novo Conceito
Páginas: 224
Ano: 2014

 

 

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Eu me lembro

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Eu me lembro da primeira vez que te vi. Não sei se nos vimos, não me recordo do seu olhar no meu, mas me lembro bem. Te vi. Bem te vi ali no cantinho esquerdo da entrada principal do prédio onde trabalhava. Seus cabelos castanhos estavam encharcados e a chuva parecia castigar os passantes. Você, por acaso ou brincadeira do destino, foi um dos afetados. E é por isso que estava ali, parado, procurando um abrigo da chuva intensa que caía lá fora. A chuva também me afetou. Não da mesma forma, eu continuava seca, mas já não era a mesma.

Dei-me conta disso no exato momento que me percebi também parada. Eu, que tantas vezes saía do prédio com a rapidez de uma maratonista, naquele dia me vi mais como uma espectadora concentrada em não perder detalhes. Distraída por alguns minutos, ignorei os colegas que saíam me desejando um bom final de semana. Sexta-feira e eu continuava ali, sem vontade de ir embora.

Queria dizer a eles que não foi por querer. Eu não os ignorava de fato, apenas não percebia nada ao redor além daquela figura ali parada conversando com o porteiro do prédio. Queria dizer-lhes que de súbito algo invadiu minha mente e que fui arrastada pela correnteza de pensamentos tal e qual uma folha que cai mansa no rio. Olhar você ali no canto despertou em mim sentimentos que há muito tinham sumido do meu vocabulário e principalmente do meu ser.

Não sei se posso dizer que isso tudo era amor à primeira vista. Como posso dizer que é amor se naquele momento não trocamos sequer uma palavra? Talvez fosse um mal súbito, uma atração fatal ou algo cósmico, quem sabe!

Desculpe, não quero e nem devo rotular nada.

Naquela noite na qual conversamos pela primeira vez combinamos de que a história dos cosmos querendo que nos conhecêssemos seria a história do nosso primeiro encontro real. O que éramos um para o outro e o que significou aquela primeira troca de olhares não era mais do que uma artimanha do universo para nos ver frente a frente. Se era pra ser amor, amizade, paixão ou qualquer outra coisa não importava mais, nunca importou. A única coisa que contava era que poderíamos ficar ali a vida toda, lembrando de momentos como esse e nos olhando nos olhos sem qualquer pressa.

Nota

Caça às bruxas

Às vezes sinto como se os olhos da inquisição queimassem às minhas costas. Assustador. Coloco-me no lugar de tantas pessoas perseguidas por pensarem de forma diferente, por olharem o mundo que se mostrava diante de si com olhares mais gentis e empáticos e perco-me em meio a esses pensamentos. O senso crítico nunca foi muito apreciado por aqui e eu, tristemente, sempre me vi no direito de olhar de forma crítica àquilo que me era entregue. Entretanto, por mais vezes do que gostaria, me vi calada diante de ideias radicais e mentes pequenas, sempre evitando o confronto, o desgaste. Será que vale a pena?

do diário de Valentina 

Nota

Outrossim

Gosto quando o sol de fim de tarde irradia cândido no céu, encontra objetos inesperados pelo caminho e, sem pretensões, transforma-os em algo mais bonito. Parece que um pouco de luz consegue criar certo encantamento nas coisas. Ademais, observar o tempo passar por meio do movimento do sol é desligar-se um pouco do mundo, conectar-se à algo dentro de si, divagar e permitir-se ir além de onde se está. Deixar as coisas mudarem. Talvez observar o céu seja compreender um pouco as mudanças que ocorrem conosco. Em muitos momentos como esse me distraio e deixo passar os minutos, às vezes as horas, e nem noto que o sol já se pôs e que agora as estrelas ocupam o céu. E tudo isso é tão mágico. Não pelo momento, nem pelas cores fantásticas no céu, mas por tudo que me permiti pensar e viver nesses momentos. Isso já aconteceu com você?

rascunho de uma carta de Olívia para alguém
novembro de 2006

Da série: notas da Ella

Tudo é Silêncio1

O amor nem sempre é uma via de mão dupla.
Às vezes ele é apenas uma longa estrada seguindo num sentido onde, a cada quilômetro, encontramos transeuntes, aventureiros, sonhadores.
Alguns nos seguem, outros nos acompanham até o próximo ponto, outros ainda estão à espera de uma condução ou companheiro de viagem e ficam à beira de nossa estrada.
Outras vezes o amor é um atalho. Possivelmente ainda mais bonito do que a autoestrada.
Pode ser ali que vamos encontrar alguém que queira desvendar o caminho conosco, compartilhar o carro e sem esquecer de querer dividir a gasolina.

Mas o que é que estou dizendo, quem estou querendo enganar? Eu mal sei interpretar um mapa, quem dirá dizer o que é o amor.

Ella
novembro de 2009

You+Me

De um armário abarrotado de inutilidades na Noruega a um minúsculo apartamento na Berkeley St. em Boston até a bela montanha em Queenstown na Nova Zelândia, onde conquistei a maior varanda que poderia imaginar e que preencheu algumas poucas linhas de minha secreta biografia. Emborquei a vida, o que aqui significa que “a virei de cabeça para baixo”. Sem qualquer ferocidade, medo ou ansiedade encontrei um novo caminho. Mansamente um amor que se desfez diante dos meus olhos, dedos, nariz e até porta retratos deu espaço a uma descoberta mais pura e serena.

Você e eu, éramos apenas alma gêmeas.

O mais descrente diria que estou debochando, com dor de cotovelo. Afinal, alma gêmeas não deveriam permanecer atadas até o fim da vida? Não foi bem assim que aconteceu. E era o jeito certo pra nós dois. Nós, como gêmeos, jamais poderíamos permanecer lado a lado sem intrigas e confusões, somos espelhos um do outro e muitas vezes mostramos aqui que mais machucava, o que era mais difícil de confrontar. Mas e o que importa nisso?

Tente adivinhar!

Não importa mais. O que era pra ser, foi. O que não era, perdeu-se e encontrou outro destino. E não é difícil, porque a vida às vezes caminha numa direção bem diferente daquela imaginamos num dia ao olhar pela janela e nem por isso é ruim. Uma chance para quebrar o ciclo, uma porta aberta o auto conhecimento e uma bela estrada pela qual vale a pena percorrer.

* o texto começou com a ideia de fazer um tributo
à dupla composta por Dallas Green e P!nk,
mas acabou virando outra coisa