Para resgate diz que…

CapaDizque

Às vezes agimos como se tivéssemos uma pedra amarrada à perna. Em vez de desamarrá-la, prosseguimos caminhando, arrastando-a por onde vamos. Como uma corrente prisional, ela nos lembra a todo momento de nossa condição de prisioneiro. Ao olhar para trás, por vezes, notamos o rastro triste que deixamos, mas nada fazemos, apenas lamentamos. Ignorantes, desconhecemos nossa capacidade de desatar o nó a fim de seguirmos leves.

Às vezes, em momentos nunca calculados de forma precisa, prendemos a respiração por tanto tempo que não percebemos o quanto permanecemos inertes, sem ar nos pulmões. Sem inalar e exalar o oxigênio que nos sustenta e renova. Seguimos em um ritmo que não nos permite sequer notar algo tão simples e natural quanto respirar ou piscar os olhos.

Às vezes, por imaturidade ou medo, fechamo-nos em nossos casulos virtuais e deixamos de viver o real. Deixamos de ir atrás dos sonhos e ficamos naquela linha nada tênue onde dizemos muito e fazemos muito pouco. Para alguns, a simples menção da vontade já é a vontade realizada.

Por quanto tempo permitiremos a nós mesmos estar acorrentados, sem ar e vivendo de ilusões?
É preciso desatar o nó, respirar, despertar e ir ao encontro de algo novo e também velho.
Talvez o segredo seja resgatar velhos costumes.

na minha estante: Fábulas chinesas

CapaFábulas

Nada como ter um livro na bolsa quando você precisa esperar na fila do banco, na sala de espera do consultório médico, no ônibus a caminho de casa ou do trabalho, ou em qualquer outro momento disponível que permita tal ação. A coleção 64 Páginas da L&PM  tem sido uma mão na roda quando o quesito é boa leitura e pouco peso na bolsa, melhor que isso só tendo a coleção completa. Fábulas Chinesas é o terceiro livro da coleção que eu leio e saio da leitura, não só encantada com a facilidade que é ter um livro pequeno desses na bolsa, como também deslumbrada com o universo chinês de contar fábulas. A cada nova página uma nova surpresa, um novo despertar, uma descoberta sobre si mesmo em textos escritos há muito, mas muito tempo atrás. É impossível não se identificar com alguma das histórias. A capacidade dos chineses de ensinar por meio de parábolas e metáforas é fascinantes. Para aqueles que assim como eu curtem o universo das lições de vida através das histórias, não deixem de ler esse livrinho tão pequeno de conteúdo tão imenso. A seguir eu transcrevi um dos textos para deixá-los com vontade, confiram!

A RAPOSA E O TIGRE

Liu Xiang

Um tigre agarrou uma raposa na floresta e decidiu matá-la para comê-la no almoço. A raposa, muito esperta, disse ao tigre:
– Se eu fosse você, não me comeria. Sou uma enviada do Imperador do Céu para ser o rei dos animais. Ele vai ficar muito desgostoso ao saber que você me matou por causa de uma simples refeição.
O tigre exclamou:
– Ah, é?!
– Se duvida do que estou dizendo, vem atrás de mim, vamos passear na floresta. Vai notar que os animais ficarão aterrorizados ao me verem.
O tigre aceitou a proposta.
Os dois foram para a floresta, a raposa na frente, o tigre logo atrás. Em pânico, todos os animais fugiam. O tigre ficou espantado. Ele não percebeu que os animais fugiam dele, e não da raposa.

Autor: Vários autores
Organizado por: Sérgio Capparelli & Márcia Schmaltz
Editora: L&PM Pocket
Páginas: 64
Ano: 2013

Temporada de férias

Ela é uma cidade. Uma dessas cheias de histórias e mistérios que fazem com que tudo fique mais interessante, enigmático, despertando a curiosidade dos que a visitam.

Ele é um turista. Um desses que visita a cidade num final de semana e, tolo, gaba-se pra quem quiser (ou não) ouvir que já conhece toda a cidade.

A cidade histórica é mais do que monumentos e pontos turísticos, é mais do que o cenário que está exposto. O tolo turista, em poucas horas, percorre monumentos, mas não se aprofunda em nada. Mal sabe o nome de cada lugar.

Ele sai dizendo que me ama, leva algumas recordações, mas não lembra nem da cor dos meus olhos.

Nota

País das maravilhas

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Tal qual Alice, rendeu-se ao gramado verde e às flores. Um dia lindo, de céu azul com poucas nuvens, deitada sobre as flores do jardim, entregou-se ao chão. Fechando os olhos passou a sonhar. Ia longe… viajava até as estrelas e voltava na cauda de um cometa, caindo feito chuva sobre a terra. Com os pés firmes no chão voltava o olhar para o céu e contava estrelas, nunca estava satisfeita. Um pé na terra o outro no céu. De tanto brincar entre as duas dimensões, nossa pequena Alice viu-se diante de um grande desafio, escolher apenas um lugar para estar. “Mas e como eu posso escolher entre coisas que eu gosto tanto?” Olhou pro chão, olhou pra cima… repetiu o movimento tantas vezes que chegou a ficar tonta. Era tudo tão encantador aos seus olhos de menina que ficou perdida. Talvez fosse melhor não escolher nenhum. Mas será? Com medo de ficar mesmo sem nada, nossa menina optou pela terra. Da terra ela poderia construir um castelo com uma torre bem alta e, todo dia, poderia sentir um pouquinho do céu novamente.
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devaneios de uma menina sonhadora
Nota

nebulosa

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[…] e de repente bateu uma saudade.
nós quatro e um céu estrelado.
à vontade e encantados com as possibilidades encontramos um lugar confortável para observar aquela beleza, uma ponte de madeira, dessas de jardim japonês, sobre um lago no interior do estado.
vimos estrelas e estrelas cadentes, batendo continência pra quem quiser assistir.
nós assistimos de camarote, num lugarzinho tão bom, tão nosso.
sinto falta dos dias estrelados.
e você?
do que sente falta? […]

sobre noites em família

Nota

Observações

Eu sei, você faz de tudo para parecer bruto: deixou a barba crescer, não sorri com a mesma frequência de antes e faz o impossível para não tocar em assuntos que se referem ao coração, porque “não faz o seu estilo”. Tudo bem, mas eu conheço um segredo seu. Sei de algo que, por mais que você tente, não consegue controlar. E nós dois sabemos que não adianta fechar os olhos. Se não está diante dos olhos está presente no ar, no toque, nas palavras. Depois de olhar pra ela, de saber que ela está ali, não adianta vendar os olhos. O que você os impede de dizer, o sorriso alegre e meio bobo de poucos segundos já revelou por detrás dessa imensa muralha facial que você construiu. Numa olhada rápida deu até pra notar que ela gostou do seu novo visual. Acredito que, ao te olhar desse jeito, ela foi capaz de te enxergar de uma forma diferente, talvez até mais maduro. Mas, por favor, não crie expectativas em torno de minhas palavras, essas são apenas algumas observações a respeito de alguém que eu não conheço, mas de quem há algum tempo ouço falar. Para quem está apenas a observar, digo que ela parece animada. E será que você está? O que toda essa sua reação diz sobre o que sentes? Você sempre disse que ela é determinada e persistente, algo bem diferente da sua insistente e infantil teimosia perante à vida, acreditando merecer por merecer. Ela parece o tipo de garota que acredita em algo e corre atrás até alcançar, mas e você? Pela primeira vez, pelo que você está disposto a correr atrás?

Da série: encontros de Valentina e Bernardo