25 coisas para saber aos 25 anos

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Eu adoro listas e sei que muita gente tem usado e abusado dessas amigas colaborativas da organização pessoal. Eu mesma tenho uma conta em um site chamado Listography só para criar e organizar coisas que às vezes nem precisariam estar listadas como: músicas que ouço, filmes que assisti, lugares que visitei, apelidos. Mas, mesmo assim, crio listas sobre qualquer coisa que possa surgir em minha mente e que eu tenha vontade de eternizar.

Gosto tanto de listas que, inspirada em uma que vi esses dias zanzando pela internet, resolvi escrever alguns “conselhos” sobre coisas que gostaria de saber ao chegar aos meus 25 anos de idade (menos de um ano para isso). Caso goste de algo nesta lista, sinta-se livre para trazê-la consigo.

1. Você não sabe tudo. Isso é uma verdade aos 24 e será aos 80 anos. Mas isso não é um problema, pois a mantém curiosa, aproveite e aprenda sempre, absorva o máximo de conhecimento que puder adquirir, só não esqueça de compartilhá-lo.

2. Não acesse tanto as mídias sociais. Sério. É um desperdício de tempo. Já pensou no tanto de coisas que você pode fazer no intervalo de uma hora longe do Facebook? Não registre tudo, não conte tudo, há coisas que não precisam ser compartilhadas com o mundo inteiro. Viva as de verdade, sem a necessidade de expor aos outros.

3. Você tem 25 anos. Já está mais do que na hora de aprender a cozinhar uma refeição saudável. Seu corpo está gritando por isso, ouça-o.

4. Seja grata por todas as coisas boas que acontecerem em sua vida. A vida não se resume em grandes espetáculos, mas sim em pequenos e belos momentos que fazem seu coração vibrar. Seja grata pelos maus momentos também, apesar de ser difícil de entender, eles também tem muito a ensinar.

5. Apaixone-se. Apaixone-se todos os dias.

6. Viaje pelo mundo tantas vezes quanto dinheiro e tempo permitirem, porque você sabe como essas experiências são de valor inestimável. No entanto, não esqueça das aventuras menores: saídas de fim de semana com seus melhores amigos, um piquenique em alguma cidade próxima ou até mesmo uma ida à casa de seus parentes mais distantes. São experiências que preenchem a alma e permitem uma fuga da rotina.

7. Reserve um tempo para seus pais. Eles podem viver por mais 50 anos, mas, provável e infelizmente, não é o que acontecerá. Aproveite o tempo com eles, não tente apressar o telefonema quando eles estiverem contando sobre a sua semana, nem adie um compromisso com eles porque você está cansado ou sem vontade. Eles foram pacientes e atenciosos contigo quando você começou a aprender a falar, a comer, a ir à escola, é justo retribuir tanto carinho.

8. Adendo, aprenda a dar tempo para todos em sua vida. Provavelmente você tem um monte de gente em sua vida que você ama e que te ama, seja grato. Nunca se torne uma daquelas pessoas que estão sempre ocupadas. Arranje tempo para o passeio no parque, a xícara de café, o copo de vinho, a conversa telefônica, não importa, arranje tempo.

9. Cuide da postura. Sim, postura. Essa “descanso” que você pensa oferecer à sua coluna será muito mais dolorosa quando você estiver com 70 anos.

10. Não seja um resmungona. Pare com isso IMEDIATAMENTE. Sim, a vida não é fácil, joga algumas bolas difíceis de segurar ao longo dos anos, mas isso faz parte da jornada. Não deixe que obstáculos e pequenas coisas a tornem uma pessoa amarga.

10. Não se compare a outras pessoas. Não queira ser ninguém além de você mesmo. Queira evoluir, mas jamais deseje estar no lugar de outra pessoa, você não faz ideia das lutas pela qual ela possa estar passando, e você já tem o material necessário para lutar por suas próprias batalhas.

11. Faça novas amizades, mas jamais se esqueça daqueles que há tanto tempo trilham ao seu lado. Saiba trazer o novo sem desvalorizar e perder o velho.

12. Continue escrevendo, mesmo que algumas das coisas que você escrever sejam realmente ruins. Escreva de qualquer maneira. Escreva porque isso te faz feliz. Escreva porque é importante ter hobbies. Escreva porque, às vezes, em ocasiões muito raras, as coisas que você escreve te impulsionam a ir além, a ser mais forte. Escreva uma música, uma carta, um bilhetinho carinhoso para alguém e cole na porta da geladeira, mas escreva.

13. Tenha um plano, mas não limite-se à ele. Ficará tudo bem se você sair um pouco (ou muito) fora da reta e se perder um pouco. Lembre-se que você tem um sistema de apoio incrível, que estará lá quando você passar por tudo isso. E não esqueça de estar lá para eles também.

14. Seja destemida e corajosa. Você não tem mais dois anos de idade. Não é mais aquela criancinha que tinha medo de escuro ou de palhaços. Você é uma jovem que acredita em si e em todo o potencial que tem. Nunca se esqueça disso.

15. Não tome decisões precipitadas. Apesar da ideia de morar sozinha realmente te encantar, lembre-se sempre de se questionar:”tenho condições financeiras para me manter sozinha?”, “por que estou tomando esta decisão?”, “este é o melhor momento para decidir isso ou seria melhor eu me acalmar e pensar com calma?”. O tempo é seu amigo.

16. Mesmo que você realmente queira adotar um cão, espere. Você mal pode cuidar de si mesma, será que terá tempo e condições de cuidar e proteger outro ser? O mesmo vale para crianças. Apenas espere. Tenho certeza que você será uma ótima mãe um dia, mas não precisa ser tão cedo.

17. Leia mais livros. Blogs são ótimos e mídia online é grande e cheia de informação, mas não supera o prazer de desligar o computador, abrir um livro e devorá-lo no mundo real.

18. Acredite em algo. Acredite em algo que talvez você nem compreenda. Pode ser acreditar em Deus, no Universo, ou qualquer outra coisa, mas tenha fé em algo, pode ser inclusive na humanidade. É importante ter um motivo para manter-se firme.

19. Passe algum tempo na natureza. Trabalhe no jardim da sua casa, numa horta improvisada no apartamento de 30m², no quintal da casa de seus pais, não importa, “suje” as mãos. Visite um parque, admire as flores, as árvores, os pássaros, vá à praia. Carregue todo o ar renovado e a energia da terra dentro de si.

20. Permita-se.

21. Ouça música. Ouça muita música, preencha os ouvidos com os mais belos sons e as mais belas melodias, mas não se esqueça de saber cultivar o silêncio. O equilíbrio é uma lição importante.

22. Não tenha medo de excluir, deletar, afastar aquilo que não te faz bem. Os antepassados já diziam que “o mal a gente corta pela raiz”.

23. Procure fazer, todos os dias, pelo menos duas pessoas felizes, e lembre-se, uma delas sempre deve ser você.

24. Não se preocupe tanto com o seu trabalho. Nem sempre será chato, nem sempre será legal, é importante para você ganhar dinheiro, mas, mesmo assim, não será ele que irá te definir. Direcione a sua atenção às coisas que realmente importam.

25. Por fim, lembre-se sempre, você é incrível e capaz de coisas inimagináveis, acredite nisso. Eu sei que você às vezes esquece isso, mas eu gostaria de lembrá-la da grande capacidade que existe em você.

BÔNUS: Em hipótese alguma revide violência com violência, grosseria com grosseria. Não importa o que a outra pessoa fez pra você, jamais permita que você trate outra pessoa com ódio, rancor ou raiva. É o tipo de sentimento que envenenará você, além de que não ajudará a solucionar nada.

BÔNUS 2: Não tenha pressa. O que for pra ser seu encontrará o tempo certo para chegar até ti.

a menina mar

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um dia, havia na praia uma menina. uma menina de olhar compenetrado e apaixonado, tinha os olhos mais lindos que eu já vi: uma mistura bem dosada de verde e azul, parecia o oceano. eu a apelidei de menina mar. o mar não estava apenas em seus olhos, ele a preenchia completamente, às vezes, inclusive, a transbordava.

a menina mar às vezes era aquela calmaria que permite aos pescadores dirigirem-se para longe do cais, em direção à área costeira. em outras, agitada, o mar transbordando de seus olhos belos, produzia ondas gigantescas, que quebravam duramente na beira da praia. assim como a enigmática Capitu do menino Assis, nesses dias difíceis, a nossa menina mar tinha olhos de ressaca.

olhar capaz do mesmo efeito do canto das sereias, faz com que qualquer menino experimente ser marinheiro, apesar dos tantos riscos ocupacionais.

por vezes o olhar de ressaca também despertava em nós mortais uma necessidade de protegê-la, tranquilizá-la, mas a cura sempre vinha dela mesma, a maré virava dentro de si e lá estava aquele mar calmo que nos conquistou no primeiro encontro. ela passava a ser água abrigada: uma baía, uma enseada, um refúgio em si mesma.

soube depois de algum tempo que alguns marinheiros mais experientes souberam ler seus sinais. leram o vento verdadeiro e navegaram de popa rasa, aproveitando a força do vento para seguir ao lado dela. outros bordejaram, enfrentando o vento de frente. estes também conseguiram algum tempo com a menina mar, mas os momentos não foram tão fáceis.

no fundo, depois te tanta observação, pude notar que a menina mar é quem determinava quem poderia se aproximar e quem não, um direito legítimo, não se pode negar. quem me dera ter tido a oportunidade de conhecê-la mais de perto. eu que nunca aprendi a nadar, jamais descobri sequer o nome da menina mar, fiquei ali a ver navios.

o menino que não sabia nadar

na minha estante: Max e os felinos

Max

 

Sim, este é o livro da polêmica: “o que veio antes, Max e os Felinos, ou, As aventuras de Pi?”. Acertou quem respondeu com o primeiro livro, mas não estou aqui para dizer quem é melhor, nem coisa parecida, inclusive porque não li e nem assisti o menino Pi. Vamos ao que interessa!

Em 1981, Moacyr Scliar publicou pela editora L&PM a história do alemão Max Schmidt, um rapaz miúdo que se vê diante de um enorme contratempo: fugir ou não da Alemanha depois de ter o caso com uma mulher casada descoberto por um nazista. Assustado e sem norte, Max embarca num navio com destino ao Brasil. Infelizmente, não é neste navio que o nosso protagonista chega às terras brasileiras. Depois de um naufrágio, o agora naufrago Schmidt está em alto mar, com comida limitada e sem nenhum sinal de terra à vista. E seguindo as leis de Murphy, nada está tão ruim que não possa piorar. De repente, de uma caixa de madeira, sai um jaguar, o qual agora ocupa o mesmo barco que Max. E é aqui que se desenrola a parte mais interessante da história, a relação desenvolvida entre humano e felino parece uma enorme metáfora sobre os medos que nos assombram. Sem querer estragar a sua leitura, acredito que o livro vale muito pelo encontro entre Max e o jaguar.

Quando Max chega ao Brasil, depois de uma temporada forçada em alto mar, ele se vê sem provisões e diante de mais uma escolha: ficar no Brasil e fixar residência por aqui ou voltar para a Alemanha. E é em sua temporada no Brasil que Max depara-se com o segundo felino em sua vida: a onça. Mais uma vez, para mim, uma metáfora muito interessante. Acredito que pela forma com o escritor e médico, Moacyr Scliar, desenhou a sua narrativa é possível extrair várias interpretações. Vale a pena a leitura, com certeza, é rápido, leve e psicologicamente interessante.

 

Autor: Moacyr Scliar
Editora: L&PM
Páginas: 130
Ano: 1981

Yes, dear

Sim, querida,

a estrada é longa, esburacada e cheia de contornos,

alguns desvios, de vez em quando pontes e também bloqueios,

mas

você já reparou nas margens da estrada?

Não?

Se você reparar para além do asfalto vai notar um infinito mar de flores,

árvores e lugares diferentes para conhecer,

um horizonte novinho,

cheio de oportunidades.

Ao caminhar é capaz de que note alguns espinhos,

poças de lamas e animais indesejados,

no entanto, lembre,

em todo lugar há algo belo para ser observado,

mesmo que seja pequeno e difícil de enxergar.

Mas não esqueça-se

é tua escolha o que vai querer enxergar.

Acumuladora

coleçao

É a pessoa mais esquisita do universo. Às vezes para em frente à janela do quarto e fica ali, sentindo o vento atravessar os limites e acertar em cheio o seu rosto delicado. Conta quantas vezes isso acontece e as coleciona.

Coleciona cada brisa
e cada maresia que a atinge

Coleciona das estrelas mortas às radiantes
às vezes chega até a avistar um cometa

Coleciona passos leves
e pegadas na areia
o barulho das ondas na praia
e as mais variadas formas de nuvens no céu

Coleciona flores, folhas
e perfumes

Coleciona gestos delicados
e sorrisos de ponta a ponta

Coleciona lágrimas de alegria,
as de tristeza deixa correr até que evaporem

Coleciona gritos de alegria, de raiva, de emoção,
engasgados ou expressados a plenos pulmões

Coleciona roteiros de viagens, panfletos,
histórias vividas sozinha ou compartilhadas,
páginas escritas e páginas amassadas

Coleciona tudo o que pode e o que não pode,
textos, palavras, significados, expressões,
medos, ideais, ilusões, sonhos e o que mais tocar o coração.

Usa como recordação,
inspiração,
por vezes até como muleta!

Às vezes, menina,
o segredo é abrir a gaiola
e deixar partir.

 

 

Com apoio dos lindos, Carol Silva e Vitor Setem.

na minha estante: A filosofia de Tyrion Lannister

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Para quem assiste a série de TV da HBO, “Game of Thrones”, ou já leu as Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor G.R.R. Martin, o livro “A filosofia de Tyrion Lannister” é uma coletânea de frases inteligentes, ácidas e sagaz de um personagem bastante interessante da série, o anão Tyrion Lannister. Ao longo de 160 páginas, a Editora Leya conseguiu reunir diversas passagens interessantes que mostram um pouquinho da personalidade desse grande personagem. Para mim, o livro não é um daqueles achados, você o lê muito rapidamente, e nem tudo é novidade, mas tem suas contribuições. É sempre bom lembrar de conceitos e frases como:

“Se um homem pinta um alvo no peito, deve esperar que mais cedo ou mais tarde alguém lhe atire uma flecha”

ou

 “Por que será que quando um homem constrói uma parede, o homem seguinte precisa imediatamente saber o que está do outro lado?”.

Tyrion Lannister é com certeza um dos personagens mais bem escritos que eu já vi.

Autor: G.R.R. Martin
Ilustrações: Jonty Clarck
Editora: Leya
Páginas: 160