na minha estante: As aventuras de Tom Bombadil

Começando pelo primordial, diferente das outras obras do Tolkien que eu já li, em As aventuras de Tom Bombadil nos deparamos com poemas. No caso da edição da Martins Fontes, temos três deles. O primeiro traduzido pelo William Guedes com versos brancos (sem rimas), o segundo pelo Ronald Kyrmse com rimas e o terceiro sendo o original do J.R.R. Tolkien.
Não vou mentir, a primeira vez que peguei o texto achei bastante difícil, principalmente a primeira tradução. A segunda fluiu melhor e acredito que a responsabilidade pela facilidade possa ser atribuída ao modo ritmado proporcionado pelas rimas. E acho que se justifica pelo fato de Tolkien ter sua preferência por rimas.
Pra quem não sabe, Tolkien era apaixonado por poemas, um dos favoritos, se não O escolhido, era o Beowulf, um poema épico escrito em língua anglo-saxã com emprego de aliteração – uma figura de linguagem que consiste em repetir sons consonantais idênticos ou semelhantes para criar sonoridade.
Quando você lê o poema sem rima, por mais que você visualize o cenário, é como se faltasse algo. Quando lê o poema traduzido com rimas, a história flui, como se você cantasse uma história antiga. Há um encaixe. No original, mesmo pra quem não entende muito o inglês, vê que as rimas são sonoras e que o texto flui como uma música. O poema constrói a melodia.
É uma leitura que vale a pena pelo simples fato de ver algo diferente do Tolkien, além da história em si, que nos traz mais um pouco da Terra Média. 
Autor: J.R.R. Tolkien
Tradução 1: William Guedes (versos brancos e métrica)
Tradução 2: Ronald Kyrmse (versos com rimas e métrica)
Editora: Martins Fontes
Páginas: 208
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na minha estante: O código Bro

Para quem assistiu/assiste a série How I Met Your Mother – a.k.a. HIMYM – sabe que existe um personagem chamado Barney Stinson, um solteiro convicto que cria diversas regras para conquistar mulheres e também para orientar como os outros devem agir, como em relacionamento entre amigos, no caso em questão, mais do que amigos, Bro’s. 
Apesar de eu detestar as cantadas, os métodos de conquista e o modo como Barney enxerga tudo isso, ele ainda é um personagem carismático, criativo (mesmo que para o lado negro da força) e interessante. 
Em O código Bro, o autor Matt Kuhn reúne algumas dessas regras para formular, por meio de 150 artigos, algumas emendas e exceções, um código de conduta a ser seguido pelos Bro’s (muitas delas absurdas, como são muitas coisas que o Barney costuma dizer ao longo desses 8 anos de série). Os artigos são um retrocesso, além de bobos. O personagem é quase um homem pré-histórico. 
O livro de Barney Stinson e Matt Kuhn é um livro rápido de ler e é um excelente apêndice para quem curte HIMYM. Além de refletir muito bem quem o personagem representa na série [spoiler]: um homem ferido, com medo de compromisso, que acredita que algumas regras precisam existir para que ele seja beneficiado.

Autor: Barney Stinson e Matt Kuhn
Editora: Intrínseca
Páginas: 207
Ano: 2014

só lá mi fá dó lá si: The Paper Kites

O jovem Tenenbaum, visitando Featherstone em Staffordshire, Inglaterra, acompanhou os primeiros dias da chegada da primavera e o florescer de uma nova estação. Era impressionante o quanto se acumulava de cor viva ao bosque da cidade. Um espetáculo à parte.
Era quase fim de março e passeando pelo bosque, Tenembaum sentou-se à sombra de um salgueiro, beijou a grama e pensou em pintar aquele incrível cenário primaveril. Mas algo o impedia. Talvez fosse a lembrança de Eve que o detivesse. Aquele era um lugar onde ela adoraria repousar.
As folhas verdes e novas, o cheiro úmido do orvalho nas plantas e o céu azul de brigadeiro representavam, de certa forma, tudo o que ela sempre desejou para si: um paraíso no meio da turbulência da vida cotidiana; um respiro em meio às ventanias invernais; um mergulho gelado depois de horas sob o sol quente.
Certa vez, um fabricante do meu tempo, desses que me poupam as horas, concordou que afundar nos braços de Eve era aceitar a lição de Mr. Gray: somos seres maleáveis, logo, tudo cabe dentro de um doce abraço. Mesmo assim, o jovem de vestes austeras não tinha mais a menina sardenta de cabelos vermelhos e olhar inquieto em seus braços. Estava sozinho na Leopold Street. E permaneceu assim durante muitas de suas idas ao salgueiro.
Às vezes, o jovem Tenenbaum jurava ter ouvido um Martim-Pescador a cantar. O que é bastante improvável naquela região. Talvez fossem as lembranças de seu último dia com Eve brincando com ele. Estava entorpecido por elas, elas brincavam com a sua cabeça assim como ela o fez.
Naquele estado, paralisado pelas memórias de outrora, o jovem passou a se questionar. Já não lembrava mais as razões e os caminhos que o levaram até ali, pra longe dela. Existia uma falha em suas recordações. Quando foi que tudo mudou? Quando nossas pernas cresceram e nossos corações, pesados e ameaçados, começaram a nos controlar? Por que as coisas não continuavam como antes? Sentia falta dela e tudo o que podia fazer era reviver, por meio da memória, os bons momentos, visto que, dos maus, já não lembrava mais. E nem fazia questão de recordar.

O texto é inspirado nos títulos da banda The Paper Kites e você pode conferir boa parte das músicas na playlist a seguir.

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Felicidade

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Caminhou por algumas horas, seguindo a estrada de terra. Forrada também por folhas úmidas ao chão, como um carpete natural verde, ocultando seus passos, e algumas plantas rasteiras em meio àquela floresta negra, a estrada não era clara, mas também não era impossível de ser vista.

Acompanhada por finos fios de luz que atravessavam clandestinamente a copa das árvores, a nossa heroína, pela primeira vez, sentia-se onde deveria estar: longe das amarras e das cobranças totalitárias. Um passo atrás do outro a levava a um caminho belo e inédito, encaminhando-a ao destino tão sonhado.

Por mais lindo que fosse a trilha, havia trechos íngremes, alguns vales e outras dificuldades que pegam qualquer novato nessa busca de surpresa. Além disso, ainda havia certo receio em andar por um lugar inteiramente desconhecido, mas, para a personagem desta história (que poderia muito bem ser você), continuar seguindo em frente era fundamental. Dificuldades assim sempre aparecem, e assim como tantos outros viajantes que encontrou ao longo da estrada, o objetivo era permanecer em movimento.

Vontade e determinação por mudar pra melhor tornaram o caminho eleito uma jornada de muito amadurecimento e descobrimento pessoal. Levou consigo apenas o necessário. Cansou de carregar coisas que só tornavam o andar pesado. Andava leve, feito criança que anda com “passinho de algodão”. Apesar de não tirar os pés do chão, sentia-se como um pássaro.

As únicas coisas à frente e ao seu lado eram a vida e os valores e princípios que trazia consigo. O resto havia ficado para trás, como deveria ter sido sempre.
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na minha estante: Malala

Você já ouviu falar da jovem paquistanesa Malala Yousafzai? Malala é uma menina de 16 anos, filha de um diretor de escola, e irmã mais velha de dois meninos. Malala cresceu acreditando no poder da educação e seu maior sonho era tornar-se médica. 
No entanto, o sonho foi interrompido quando o Talibã, grupo extremista religioso, passou a provocar o terror e determinar as regras de convívio das pessoas. Segundo eles, seguindo os preceitos do Alcorão. Uma das proibições foi quanto à educação: meninas não podiam mais ir à escola. E foi aí que Malala passou a ser uma ativista – coisa que seu pai sempre acreditou que fizesse parte de quem ela é, estava certo. 
Convidada por um jornalista a narrar seus desafios durante o regime talibã, a jovem paquistanesa relatou por meio de um pseudônimo as dificuldades e os anseios das meninas que queriam estudar. Criticou as políticas impostas pelos talibãs e sonhou em ver de novo sua terra livre das opressões. Pagou um alto preço por expressar em voz alta sua opinião, mas também mostrou ao mundo as barbáries cometidas em seu país.
Em Malala – A menina mais corajosa do mundo, a jornalista italiana Viviana Mazza apresenta a trajetória da jovem que luta pela paz e pela educação por meio de uma excelente crônica, com uma pitada de ficção. As ilustrações que acompanham os capítulos também são belíssimas e nos fazem ir além na compreensão dos cenários. Vale a pena a leitura. 
O próximo passo é ler o livro escrito pela própria Malala.
Autora: Viviana Mazza
Ilustrações: Paolo D’Altan
Tradução: Luciana Cammarota 
Editora: Agir
Páginas: 191
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na minha estante: A última canção de Bilbo

Mais um livro muito bom do professor J.R.R. Tolkien.

Dessa vez encaramos as incríveis aventuras de Bilbo Bolseiro por meio de sua última canção. Com ilustrações belíssimas de Pauline Baynes, acompanhamos a narrativa das aventuras de Bilbo por imagens da trilogia de Senhor dos Anéis (as imagens grandes do livro) e também a jornada em O Hobbit (as figuras pequenas no pé das páginas).

Além disso, o livro da editora Martins Fontes é tão lindo, com capa dura e um cuidado maravilhoso para tornar essa obra praticamente um item de colecionador, vale a pena ler e ter. É o tipo de história e livro que penso em contar para crianças!
Autor: J.R.R. Tolkien
Ilustrações: Pauline Baynes
Tradução: Christine Röhrig
Editora: Martins Fontes
Páginas: 32