Contém segredos

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Ele sabia… era só ela prender o cabelo num coque desleixado no alto da cabeça, que ele sabia que algo havia acontecido e alguma coisa importante viria pela frente. Geralmente começava com um longo silêncio, seguido por um soluçar abafado e algumas lágrimas que bagunçavam a maquiagem, nas raras vezes em que a usava e depois largava-se na poltrona perto da janela e fitava a vista, incansavelmente.
Ele sabia também que qualquer aproximação precisaria ser cautelosa, como quem se aproxima de um animal indefeso ou que há muito está enjaulado. Ele deveria primeiro dar carinho e atenção a fim de ganhar sua confiança, e acima de tudo, espaço, se ela não retribuísse nenhuma das tentativas era melhor que ele a deixasse quieta no canto.
Aos poucos ele chegou perto daquela por quem há anos devota-se em um amor incondicional. A alguns passos de poder tocá-la novamente e agora podendo vê-la mais de perto, olhou-a nos olhos gentilmente em sinal de “hey, estou aqui” e com a doçura de quem cuida de um jardim de flores raras a tomou em seus braços. 
Num abraço quente e carinhoso ela se rendeu, desarmou-se.
Não havia melhor lugar para estar e se recuperar de qualquer dificuldade cotidiana. Não havia melhor proteção do que aquele abraço e nem melhor travesseiro do que o peito daquele que faz seus dias mais bonitos. Ambos sabiam disso.
E ela já nem lembrava mais o que a incomodara. 
E nem queria fazê-lo. Caso as recordações voltassem à tona, ela sabia em quem confiar.
E ele estaria ali, como um parceiro que jamais deixa o seu posto.
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30 livros: indicações

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Como eu tenho andado meio desanimada com desafios muito longos resolvi resumir tudo em uma única postagem. E aí, quais seriam as suas 30 indicações?

  • Primeira leitura que tenha lembrança: Dona Cabra e os sete cabritinhos (mas lembro também da mãe lendo uma versão da bíblia para crianças, e da minha avó lendo uma coleção infantil pra mim).
  • Livro marcante em sua adolescência: a série Harry Potter e o Diário da Princesa.
  • Primeiro livro que tenha comprado: acho que foi Harry Potter e a Câmara Secreta (não foi com o meu dinheiro).
  • Um livro que tenha lido na escola e realmente gostou: O Romanceiro da Inconfidência da Cecília Meirelles
  • Uma peça magnífica: Macbeth de William Shakespeare
  • Um livro que tenha custado a terminar: geralmente quando a leitura não flui eu abandono o livro e volto tempos depois para dar uma nova chance. Então, não sei de nenhum.
  • Um livro que tenha sido indicado por um amigo: A menina que roubava livros do Markus Zusak, indicado por Ian Castelli, que no fim, nem leu haha.
  • Um livro que tenha te deprimido: Perdão, Leonard Peacock do Matthew Quick (apesar de também me dar esperança)
  • Um livro para ser lido de um só fôlego: Jogos Vorazes de Suzanne Collins
  • Um livro com adaptação cinematográfica a desejar: Percy Jackson e o Ladrão de Raios de Rick Riordan
  • Um clássico: Orgulho e Preconceito de Jane Austen
  • Um livro que tenha ganhado de uma pessoa especial: O morro dos ventos uivantes da Emily Brontë 
  • Um livro de seu escritor favorito: Persuasão de Jane Austen
  • Um livro nacional (ou lusófono): O Santo e a Porca do Ariano Suassuna 
  • O último livro que tenha lido: J.R.R. Tolkien – O senhor da fantasia – A biografia do Michael White
  • A melhor saga: Harry Potter (pelos valores, época e incentivo à leitura) de J.K.Rowling
  • Um livro com linguagem simples: Comer Rezar Amar da Elizabeth Gilbert
  • Um livro que o filme esteja a altura: A menina que roubava livros do Markus Zusak
  • Um livro universal que ainda não tenha lido: são tantos, um deles é Dom Quixote de Miguel Cervantes
  • Um livro que tenham te contado o final antes de terminá-lo: A esperança de Suzanne Collins
  • O próximo livro que deseja ler: Na terra da nuvem branca da Sarah
  • Um livro que te traga nostalgia: A vida secreta das abelhas da Sue Monk Kidd
  • Um bom livro de ficção: serve fantasia? O Hobbit do J.R.R. Tolkien
  • Um livro com tema singular: O bom Jesus e o infame Cristo de Philip Pullmann
  • Um livro que tenha na estante e nunca leu: são tantos :p
  • Um livro biográfico: Yakusa Moon – Memórias da filha de um gângster da Shoko Tendo
  • Um romance inesquecível: Memórias de uma gueixa do Arthur Golden
  • Um livro que gostaria que tivesse adaptação para a telona: Eu sou o mensageiro de Markus Zusak
  • Seu livro de cabeceira: sou péssima em escolher favoritos…
  • Um livro que queira indicar: As garotas da fábrica da Leslie T. Chang
Eu com certeza poderia indicar mais um monte de livros, mas pra não ficar cansativo, quem quiser conferir um pouco mais das minhas leituras pode acessar o meu perfil no Skoob e dar uma fuçada na minha estante.
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Síndrome de Atlas

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Ninguém havia imposto nada a ele. Ele simplesmente correu para ajudá-lo e tomou as suas dores como sendo dele. Carregou o mundo por ele. Atlas estava livre e ele, bom, ele estava com um peso gigantesco sobre os ombros. Um peso que de início era até suportável, mas, aos poucos, a gravidade e a falta de habilidade tornaram aquilo intolerável. Mas já parecia impossível e distante quebrar tal compromisso. Além disso, quem se comprometeria a assumir o fardo por ele? Dificilmente alguém se colocaria em tais condições, é por esse motivo que quem carregava o mundo era um deus e não um homem.

Segurar o mundo sobre os ombros é uma tarefa árdua. Por vezes solitária.

A empatia que sentiu por Atlas no momento em que decidiu assumir sua função logo tornou-se um tormento, tal qual as tempestades que costumam agitar os barcos em alto mar. A dor de carregar o mundo era tão insuportável que em um dado momento ele caiu sobre os joelhos e sentiu, literalmente, o mundo desabar sobre as suas costas fragilizadas. Apesar disso, ainda equilibrava o mundo em seus ombros. Inconscientemente, a cada dia, cedia mais um pouco. Cedeu tanto que terminou com a cara no chão e aquele globo imenso inerte sobre a lombar.

Ninguém veio socorrê-lo. Até que ele decidiu que precisaria fazer algo por si. Voltou a ajoelhar-se e com o coração despido, orou. Implorou que alguém viesse ajudá-lo, alguém que dividisse o peso com ele. Ele foi atendido.

Acordou.

E ao acordar, tudo parecia mais claro, nítido do mesmo modo que a janela que já não está mais embaçada.
Qualquer coisa que ele precisasse fazer para ajudar o outro, ele precisaria fazer primeiro por si.

No fundo, a lição sempre esteve ali: “seja a mudança que você quer ver no mundo”.
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só lá mi fá dó lá si: London Grammar

London Grammar é um trio britânico fantástico formado por Hannah Reid, Dan Rothman e Dominic ‘Dot’ Major. Os conheci por meio da minha irmãzinha linda, Nina Tschumi, que me apresentou a música Strong, linda. A voz da Hannah é mágica.

Bem, e como o meu conhecimento sobre estilos musicais é nulo, eu digo que o estilo deles é o de inspirar a escrever.  Eles são o tipo de banda que que criam cenários por meio de melodias e letras.

O fato de ouvir estas músicas e sentir já é um bom sinal pra mim. Música pra mim é isso: sentir. Não preciso de mais nada. O som pesado, por vezes melancólico e profundo do London Grammar me faz viajar e querer ir além. Espero que curtam! 

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na minha estante: J.R.R.Tolkien – O senhor da fantasia

Eu não costumo falar em minhas análises sobre a qualidade dos livros que li, mas acredito que hoje cabem alguns comentários: comprei esta edição da biografia de J.R.R. Tolkien da Editora Darkside e fiquei impressionada com a qualidade do material; o livro tem capa dura, folhas grossas e amarelas, boas ao toque, além de uma impressão impecável, contendo inclusive fotos de Tolkien e pessoas próximas a ele, como o escritor C.S. Lewis (As crônicas de Nárnia). Com certeza um livro muito bem produzido.
Além da excelente produção, o trabalho de pesquisa de Michael White, autor da biografia, é bastante denso, elaborado e abordam inúmeros cenários, desde a infância até os últimos dias desse incrível escritor, passando por relacionamentos familiares, religiosos, acadêmicos, profissionais até editoriais.
Confesso que ao ler a biografia espantei-me com diversos assuntos, tanto da infância difícil, perdendo mãe e pai muito cedo, quanto sobre a conversão da família – primeiro a mãe – ao catolicismo, e também os dias em Oxford e a difícil “missão” de ter que enfrentar duas guerras mundiais e ainda por cima ter que produzir. 
Se eu pudesse defini-lo em uma palavra: excêntrico. Não posso negar que ele seja um escritor incrível, capaz de criar um universo inteiro em mínimos detalhes. Fantástico. No entanto, o temperamento desse homem também não deve ter sido muito fácil de lidar. Segundo White, Tolkien era um homem conservador, bastante devoto e perfeccionista e devido a este último ponto em especial encontrou diversas dificuldades ao longo da vida, mas também graças ao perfeccionismo que o seu trabalho é o que é hoje: lendário.
E foi a construção desta lenda que me levou a querer conhecê-lo um pouco mais. Ler a biografia de alguém é como se colocar no papel do biografado e imaginar quais caminhos ele foi traçando ao construir a sua obra. Ler sua biografia foi como entrar um pouquinho em sua mente. Uma leitura bastante proveitosa, eu diria.
Autor: Michael White
Editora: Darkside
Páginas: 280
Ano: 2013
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na minha estante: trilogia Jogos Vorazes

Confesso que demorei para me entregar à trilogia de Jogos Vorazes. Há algum tempo o meu irmão e um melhor amigo haviam lido a série e comentado, assisti Jogos Vorazes, mas só me despertei para ler a trilogia depois de assistir Em Chamas – e para o meu espanto, depois que comecei a ler eu os devorei em 5 dias.

Pelos filmes já é possível notar um paralelo entre o universo de Panem e o nosso universo, apesar de não termos jogos violentos para competir, temos reality show e programas de auditório que funcionam tão bem quanto – a famosa lei do pão e circo (panis et circenses).

Acredito que Suzanne Collins constrói, ao longo dos três livros, uma importante história, que vai além do romance entre dois jovens. Ela nos apresenta um cenário ampliado do mundo em que vivemos, e acredito que foi isso que chamou ainda mais a minha atenção. Num mundo que vive e respira entretenimento, é bom saber que ainda existe certa consciência sobre como estamos sendo manipulados e que em meio a isso tudo existem pessoas capazes de lutar contra um sistema opressor.
Para quem viu apenas os filmes, saibam que vale a pena se aprofundar mais nesse enredo construído por Collins, há muita coisa no livro (muita mesmo) que não é trabalhado no filme – o que não é algo ruim, pois o filme precisa de um ar mais comercial e cinematograficamente rentável.
Durante os três livros acompanhamos os pensamentos da jovem Katniss Everdeen, 16, que vive no Distrito 12 de Panem. A jovem, assim como tantos outros jovens dos doze distritos, procura formas de manter sua família alimentada e protegida em meio ao caos que é viver sobre a guarda da Capital – o centro de poder e luxo de Panem. Em meio aos desafios diários, em um determinado dia, jovens de 12 a 18 anos participam da Colheita, uma data que os relembra das “consequências” de se rebelar contra a Capital. Cada distrito colhe (seleciona) e envia uma moça e um rapaz para participar dos Jogos Vorazes – um reality show televisionado obrigatório apresentado a toda Panem. A cada edição apenas uma das crianças deve voltar com vida para o seu distrito, sendo então considerado um Vitorioso.
Na 74ª edição dos Jogos Vorazes, a irmã de Katniss, Primrose Everdeen, é selecionada, e não suportando a dor de ver sua irmã de apenas 12 anos enfrentando um cenário sanguinário como este, Katniss se oferece como voluntária. Ela jamais imaginou que um gesto de proteção fraternal pudesse se transformar em algo tão poderoso. E é isso que acompanhamos por meio dos pensamentos de nossa heroína: a evolução de um pensamento e o aprofundamento de seus sentimentos perante às pessoas que conhece ao longo da jornada. Aqui vale ressaltar que é o pensamento de uma jovem de 16 anos, que se vê diante de um ambiente opressor e violento.

[Update] Em meio as já difíceis situações que Katniss precisa enfrentar, ela ainda se vê confusa quanto aos seus sentimentos e ao que é verdadeiro e falso no meio em que está submersa. São tantas formas criadas para escapar e enfrentar à Capital, que ela já não sabe mais o que é dela e o que impuseram à ela. Assim como a relação que ela desenvolve com Peeta Melark, o jovem de seu distrito que é enviado com ela para os Jogos. Peeta é um rapaz doce e gentil, o oposto de quase todos os competidores dos Jogos. Ao longo da leitura foi impossível não gostar do jeito com o qual ele trata Katniss, mesmo assim, em alguns momentos, cheguei a duvidar dos sentimentos dele em relação à ela, pois muita coisa parecia ser feita apenas pensando nos Jogos. Contudo, tantas coisas acontecem que é impossível não torcer para que os dois fiquem juntos. Lembro aqui que esta é uma opinião minha e que, ao ler a trilogia em uma devorada só, as memórias estavam frescas e claro, muitos detalhes importantes demonstravam que Katniss tinha apenas um objetivo: proteger sua família. E esta com certeza é uma tarefa difícil e por que não perturbadora em Panem. Logo, muitos dos conflitos de sentimentos da personagem podem ser justificados pela pouca maturidade (16 anos) e pelo ambiente violento que a espera.
Bom, não quero correr o risco de apresentar nenhum grande spoiler, portanto, só uma dica: leiam!
Nota: ★ ★ ★ ★
Autora: Suzanne Collins
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 397 – 413 – 421
Ano: 2008 – 2009 – 2010
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