na minha estante: Mestre Gil de Ham

Ler qualquer coisa do Tolkien é como entrar em um universo fabuloso: existem homens da terra, cavalheiros e reis, e existem dragões e gigantes. E de alguma forma, embora existam pouquíssimas personagens femininas, estas, na maioria das vezes, possuem personalidades fortes.
Em Mestre Gil de Ham, Tolkien criou um cenário de conto de fadas para seus filhos, no qual o protagonista é Mestre Gil, um fazendeiro pacato que se vê diante de uma situação da qual não consegue fugir: diante de um gigante e logo em seguida de um dragão.
Nesta edição temos duas versões da mesma história, a primeira mais elaborada, a qual o escritor desenvolveu mais para lançar como livro e a segunda, o manuscrito, a qual tem a narrativa de Tolkien para os filhos, bem mais resumida, mas nem por isso sem o conteúdo essencial para uma ótima história!

Nota: ★ ★ ★ ★
Autor: J.R.R.Tolkien
Editora: MartinsFontes
Páginas: 104
Ano: 2013

na minha estante: Destrua este diário

Como descrever este livro, que não é bem um livro, mas também o é. Um livro que desafia qualquer leitor perfeccionista que tem medo de um mínimo risco, um dobrão que seja na orelha que qualquer página. Keri Smith nos desafia a enxergar este “diário” como uma experiência de maior contato com o livro, por vezes exageradas e assustadoras, em outras de forma bonita e poética. Destruir este diário te fará criar uma obra literária completamente única, algo que, por meio de determinadas atividades, te guiou para um paraíso seu, criado por ti, para algo que você jamais pensou que fosse capaz de fazer: destruir um livro. Para quem quiser conferir algumas destruições, confira a página oficial do livro: Destrua este diário.
Nota: ★ ★ ★ ★ 
Autor: Keri Smith
Editora: Intrínseca
Páginas: não lembro
Ano: 2013
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Cartas para um certo alguém

Alguém,

Como você está? Faz tempo que não te mando notícias. Às vezes o tempo parece brincar comigo, rouba-me os ponteiros do relógio e eu nem noto que já passou da meia-noite e que ainda  não sentei pra te escrever esta carta. 
Está escuro e silencioso. E pra completar o meu cenário favorito está um tempo agradável lá fora e eu estou de novo na estrada, desta vez em terras argentinas.
Buenos Aires é uma cidade fantástica. Dessas que nós nos apaixonamos pelas histórias que imaginamos encontrar por aqui. É tudo tão histórico e grandioso, faz com que a gente sinta vontade de passar um dia todo admirando pra ver se em algum momento algum detalhe nos salta aos olhos e então descobriremos algo impressionante (apesar de tudo aqui já ser impressionante sem histórias cotidianas para nos distrair). Entende o que quero dizer? São tantos cenários, é improvável que não haja centenas de histórias. Você consegue imaginar dezenas delas só pelo modo como as pessoas interagem com a cidade. Incrível.
Mesmo assim, no meio de tanta coisa linda como os Bosques de Palermo, com o belíssimo Rosedal, também encontramos sinais de abandono. Em cada esquina encontramos prédios históricos com fachadas abandonadas, diversas placas de aluga/vende pelos imóveis na cidade, pichações políticas (as quais aprendi a apreciar durante a estadia), vandalismo e muito, muito lixo nas ruas. O império de outrora está sofrendo uma baixa (e isto é uma das coisas que pode deixar qualquer um muito triste). É como olhar para um jardim abandonado, nós podemos enxergar diversas flores belas em meio ao mato que cresce grosseiramente, mas é preciso olhar com cuidado.
Será que você iria gostar desta cidade?
Apesar da crise há tantos lugares bonitos para conhecer e o melhor de tudo: dá pra se fazer muita coisa por aqui sem usar o carro. Faço quase tudo a pé. Em San Telmo, antigo bairro glamouroso de Buenos Aires, hoje um bairro boêmio, a segurança ao andar pelas calçadas durante a noite é invejável: um policial em cada esquina. Apreciar o tango na Plaza Dorrego é uma pedida certa e segura. Além disso, agora, no começo do ano, é bem provável que você consiga acompanhar os ensaios de algumas baterias de escola de samba. Pois é, parece que o carnaval não é forte apenas no Brasil, os argentinos também curtem o samba.
Se vier a cidade, não deixe de conhecer o metrô, histórico. E mais histórico ainda é a livraria El Ateneo, que fica na Avenida Santa Fe. O local é um antigo teatro transformado em livraria. São três andares de êxtase para os apaixonados por cultura e literatura. E se ainda assim não se sentir satisfeito existem diversos cafés, parques, museus e lugares incríveis para conhecer.

Com saudades,

Ella.
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só lá mi fá dó lá si: Daughter

Não lembro exatamente como eu descobri esta lindeza, mas acredito que foi em algum dos vídeos relacionados, que o YouTube sugere quando estamos assistindo a um estilo de música constantemente.
Se eu não me engano, Daughter apareceu como sugestão depois de eu ouvir Sarah Jaffe (Clementine), e que bom que eu dei uma chance para ouvi-los. 
Dauhter me conquistou de primeira, há dias que venho escutando a playlist que encontrei no YouTube e gostaria de compartilhar com vocês algumas dessas músicas!
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na minha estante: Perdão, Leonard Peacock

A primeira leitura deste ano já começou fantástica e vejamos como eu vou contar um pouco da história de Leonard Peacock sem contar tudo. Pois bem, Leonard é um garoto de 17 anos que praticamente vive sozinho, visto que sua mãe trabalha no ramo da moda e ausenta-se o tempo todo. Assim, Leonard que já se sente muito sozinho, sente-se ainda mais esquecido. O único com quem consegue manter um bom relacionamento é com o seu vizinho Walt, com quem assiste filmes antigos em preto e branco. Mesmo assim não é o suficiente para dizer que o nosso protagonista leve uma vida saudável. Triste e dura realidade das pessoas excluídas, banidas. Acredito que essas duas palavras caracterizem bem a situação dele no momento no qual o conhecemos. Leonard toma uma decisão que pode mudar o seu destino, mas também encontra pessoas importantes que o ajudam a enxergar o futuro com outros olhos. Este é um daqueles livros que restauram nossa fé na humanidade, apesar de…
 Nota: ★ ★ ★ ★ ★ 
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas: 224
Ano: 2013

Retratos de minhas memórias esquecidas

Nós caminhamos por horas ao redor daquele imenso lago que encontramos por acaso em uma de nossas rápidas viagens de final de semana. Eu ainda consigo lembrar do cheiro úmido da floresta, ao redor pássaros cantavam, o vento soprava delicadamente e o sol começava a aparecer entre as nuvens. Era um dia agradável, apesar do frescor matutino, o que transformava o nosso primeiro piquenique primaveril em algo simples, mas de de valor inestimável.

Depois de um dia intenso de caminhadas, banhos no lago e comida farta, deitamos sobre a manta colorida estendida no gramado verde e já seco daquele paraíso. Adormecemos.

Era engraçado como dormir em seus braços trazia conforto, mesmo quando estávamos em um lugar tão pitoresco e sem qualquer infraestrutura. Como se fosse o encaixe perfeito. Sei que dormi muito bem. E ele afirmava constantemente que havia dormido bem. Apesar de eu saber que em vez de dormir ele preferia aproveitar a visão de tudo aquilo que estava diante de nós: um paraíso particular, nosso segredo.

Já se passaram tantos anos desde esse dia.

Será que o vento é capaz de trazer as lembranças de forma tão clara assim? Um perfume, um cheiro característico que ele carrega e pronto, me coloco a pensar em tudo aquilo que aconteceu e que por tanto tempo ficou adormecido em um canto escuro de minhas memórias. Embora seja uma linda lembrança, não sei o porquê dela ter se escondido em minha cabeça. Mas também não importa mais, porque ela veio à tona e despertou em mim o desejo de viver outros momentos como este. E então, qual será o meu próximo passo?
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