Catarse

Catar-se. 
Reunir pedaços. 
Recolher um por um. 
Catarse¹.
Purificar a alma por meio de uma descarga emocional. 
Momento dramático que um dia resolve nos acometer.
Despertar.
De repente vi a vida sob uma perspectiva diferente, uma dessas que parece vir de dentro da gente, apontando e escancarando o que estava escondido sob o tapete ou atrás de algum quadro velho no fundo da alma.
Experimentei a liberdade, saí daquela situação opressora e me apresentei a mim mesma de forma inovadora. Despertei.

Aqueles caminhos estranhos, a pouca iluminação na trajetória e a paz que encontrei no final da estrada me trouxeram pra cá. Mas e daí? Logo eu me cato de novo, reúno outros caquinhos e coloco-me a divagar sobre o quanto me descobri de novo. E a gente se descobre, várias e várias vezes, em situações diferentes e com uma cabeça completamente mudada. Essa é a graça. Descobrir-se e redescobrir-se em meio a um turbilhão de ventos que passam pela alma e que nos transformam no melhor a cada dia.

¹Retórica. Segundo Aristóteles, a “purificação” experimentada pelos espectadores, durante e após uma representação dramática.

O nosso muro de Berlim

O nosso muro de Berlim foi erguido pedra sobre pedra, massa em cima de massa e nenhum de nós notou a sombra que foi se agigantando sobre nossas cabeças.
A claridade diminuiu, o vento não mais soprou e só o que restou foram rastros de outra vida.
O muro cresceu e talvez não tenhamos percebido porque já não éramos mais o que fomos um dia, ou o que representávamos um na vida do outro.
Ou, quem sabe, você sempre fora o norte e eu o sul. A Linha do Equador e o Trópico de Capricórnio. Estamos no mesmo plano, mas tal qual duas retas paralelas, não possuímos ponto em comum e não há ninguém para fazer uma interseção. 
Me desculpa, melhor deixar assim, um dia vem uma revolução e põe a baixo o velho e, porventura, nos apresenta um mundo novo de infinitas possibilidades de sonhar e realizar.
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Pé na estrada: Palmas-TO (Parte I)

Para quem não sabe, em julho deste ano, fiz uma viagem muito especial para Palmas-TO. Meus tios, que há 16 anos residem na capital tocantinense, me convidaram para regressar com eles para casa, e, pela primeira vez na história, uma integrante da família Weber-Oliveira foi visitá-los.

A viagem começou com uma despedida inesperada em Curitiba: a neve e o frio congelante de 2º. Seguimos animados para São Paulo capital, onde ficamos hospedados por duas noites. Visitamos a Rua 25 de março, comemos sanduíche de mortadela no Mercado Municipal e provamos da pizza sem queijo *um absurdo* em uma pizzaria da capital.

Na quinta-feira, 25, saímos de São Paulo a caminho de Itumbiara-GO, onde encontramos pouso numa singela, mas gostosa pousada de beira de estrada (BR-153), com direito a quarto e banheiro limpinhos (básico), wi-fi e café da manhã. O atendimento também foi impecável.

Curiosidade: Dia 25 de julho é dia do Motorista e muitos postos pelas estradas oferecem um lanchinho aos motoristas que estão na estrada. Paramos em um em Minas Gerais que ofereceram refri e salgadinhos aos que passavam. O engraçado da situação foi o espanto dos frentistas e caminhoneiros com o tamanho da família que saiu da Zafira, o mais alto tem 2,00m.

Logo cedo, depois do café da manhã, lógico, partimos para a etapa final da estrada. Destino: Palmas-TO, parada para almoço em Uruaçu-GO. Chegamos exaustos, mas a paisagem compensou tudo. O Brasil é tão imenso em diversidade que eu não fechei os olhos nem por um minuto, foi uma experiência incrível ver a mudança na vegetação, no clima e, infelizmente, nas estradas, muito precárias nas regiões entre Minas Gerais e Tocantins.

Nas próximas postagens eu conto um pouco da experiência.

Passarinhando

Era comum sentir os pés deixando o chão e flutuar acima das coisas ruins e supérfluas que a incomodavam. Também era habitual se perder nesses vôos primaveris e esquecer-se de retornar à terra firme. 
Por vezes chegou a acreditar que era feita de penas e plumas e que fora feita para voar na imensidão do céu azul.
Em outras ocasiões acreditava no que aqueles que não possuem asas a diziam e pensava mesmo que tinha a cabeça fora do lugar. Talvez fosse feita de vento, carregada feito nuvem para longe, para encobrir certos defeitos de fabricação. 
Apesar de tudo, costumava acreditar na primeira proposição. Gostava e acreditava que era bom ser alguém feito passarinho, fora da gaiola, a buscar novos horizontes e novos ninhos.
Ser passarinho é a oportunidade de escolher para onde se quer voar e as paisagens que se quer visitar.
Ser passarinho é poder fazer o impossível com aquilo que se tem: duas asas, o vento sob elas e um imenso campo de visão cheio de novas possibilidades.
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Desafio VIII – Planejar algo que não gostaria de planejar


A princípio havia pensado que não gostaria de planejar meu próprio enterro e penso que, agora, mesmo que soubesse de antemão que viria a falecer, não pensaria nos preparativos. Aproveitaria meus últimos dias ao máximo e os outros que se preocupem com o que seria feito do enterro.

Só um adendo quanto a essa questão: não gostaria de vídeos e nem grandes discursos sobre quem eu fui. Nós devemos valorizar e falar as coisas enquanto as pessoas estão vivas. O que vem depois é mera formalidade e imagem para os que ficam. Nada que seja dito em um velório contará mais do que o que foi feito em vida. 

Mas voltando ao tema do desafio, eu não gostaria de planejar o amor. Amor não é algo para ser planejado. Então, como o desafio é planejar algo que eu não gostaria de planejar, planejemos juntos o amor. 

❥ Em um dia que nada acontece como o esperado, e que nem por isso caracteriza-se como um dia ruim, a moça de sorriso doce, desavisadamente encontra-se descansando em um parque, numa tarde – inexplicavelmente – quente do inverno. Sem saber o que estava por vir, a moça coloca-se a ler um livro, desses bem rápidos de se ler, que você devora em uma sentada, tal qual aquela torta favorita. E num momento de distração vê ele ali, do outro lado do caminho, lendo também, não o mesmo livro, porque seria um terrível clichê, mas lendo. Então ele notaria que ela estava ali, olhando para ele, no começo ele continuaria lendo, mas então lembraria das histórias que conheceu por meio dos livros e recordaria que momentos como esse são únicos, e não se pode perder uma oportunidade como esta. Ele fecharia o livro e iria até ela com a desculpa “oi, tudo bem? qual livro você está lendo?”, os dois conversariam sobre os diversos livros que leram, os gostos literários, depois falariam de música, talvez saíssem para tomar um café e conversar ainda mais e então o amor nasceria igual nasce uma história na ponta da caneta numa folha em branco, proporcionando um livro cheio de páginas a serem preenchidas.
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Tem coisas que ninguém escolhe

Infelizmente não escolhemos por quem nos apaixonamos. De repente não paro de pensar em você, e a cada pensamento me pergunto como isso foi acontecer. Tudo isso me apavora. Você nem sabe que sofro em silêncio, imaginando como seria se estivéssemos juntos. Lembro-me, então, que você já é comprometido, mas mesmo assim eu não desisto de ser a responsável pelo seu sorriso, deve ser o melhor dos sentimentos. No fundo eu sei que é amor. Você me visita em meus sonhos e me põe a pensar e acreditar que eu não deveria te amar, mas nós não escolhemos quem amamos. Continuo sofrendo em silêncio. Não transpareço ciúmes, nem amor, porque sei que o que sinto, não é o mesmo que o que você sente. Mas eu sei que, se estivesse comigo, eu te daria um mundo de bons motivos para permanecer ao meu lado, independente do que venhamos a ser.
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…, 17 de setembro de ….
Do diário da Ella.
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