Parte IV – Ele sabe como arrancar um sorriso

Ele veio com um sorriso bobo na cara e um pequeno cubo em suas mãos – sinal de que está aprontando alguma coisa. O cubo enfeitado com um belo laço – daqueles bem bregas, mas que mesmo assim conseguem ser doces, era pequeno e delicado.
Ele sabe que eu adoro pequenos objetos, não necessariamente miniaturas – as menores coisas podem provocar os maiores encantamentos, pois cabem em diversos espaços e condições.
Veio até mim meio bobo e docemente me beijou, deixou o cubo em minhas mãos e foi até a cozinha. Puxei o laço, num instante abriu-se diante de mim. A caixa era forrada por dentro com algodões imitando pequenas nuvens, havia alguns chocolates e o prato principal, algo que me fez ficar extremamente feliz. Uma caixinha de música: o melhor presente que poderia receber, ainda mais num momento como este. A música é a minha preferida, os chocolates também. Ele me entende melhor do que eu mesma poderia.
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Mais em:
Parte VII – A tua canção favorita
Parte VI – De mãos dadas
Parte V – O olhar que não me sai
Parte IV – Ele sabe como arrancar um sorriso
Parte III – Paz velada
Parte II – É quem eu quero
Parte I – Sou o que você quiser
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Desafio VI – Reescrever uma história

O Belo e a Fera

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Era uma vez um belo rapaz que gostava de música erudita e passava boa parte das horas do seu dia com o nariz enfiado no meio dos livros. Todos o consideravam belo, mas muito esquisito. As mulheres caíam aos seus pés e desejavam desesperadamente que ele desse atenção a elas. Mas ele era bastante desligado e tímido, jamais reparara em alguma moça na cidade – a sua paixão eram os livros. Um dia, quando estava distraído, caminhando de volta para casa, o belo rapaz perdeu-se na floresta e encontrou uma linda casa, dessas de campo. 
Começou a chover. 
Num impulso para proteger seus livros, correu em direção a casa e por ali permaneceu por uns bons minutos, até que percebeu a porta aberta. Entrou. Encontrou um mundo maravilhoso dentro daquela singela casa de madeira, enterrada no coração da floresta. À primeira vista uma aconchegante sala de estar, a lareira acesa, com o fogo queimando brando. Ao lado uma linda sala de jantar com a mesa posta para apenas uma pessoa. Sentiu-se um pouco incomodado, mas continuou seguindo pela casa, agora perguntando se alguém estava por ali. Ninguém respondeu. Mais a frente parou diante de uma linda escada. Ela parecia um imenso armário, cheio de gavetas de vários tamanhos, algumas até com fechaduras. Não ousou tocar nelas, respeitou ao menos aqueles detalhes reservados, entretanto começou a subir os degraus. 
Prêmio pela ousadia: um andar inesquecível para qualquer leitor, um andar de muitíssimos livros e excelentes cantos para leitura. Pensou que havia encontrado o céu, mal sabia que estava na toca de uma fera. Ela chegou com um copo de vinho nas mãos e uma máscara cobrindo a face, o único detalhe de seu rosto que era perceptível eram os lábios, belos e pintados com um forte batom vermelho. Ele levou um susto. E ela ficou uma fera. Bradou a todos os cantos que ele não deveria estar ali e que deveria sair imediatamente, pois caso não o fizesse ela tomaria as medidas necessárias. Ele continuava assustado, mas não conseguia movimentar os pés e seus olhos estavam hipnotizados por aquela imagem diante de si. Era como se ela tivesse acabado de sair de um livro – o que mais ele poderia querer? -, ficou ali, desafiando-a. Ela voltou a ameaçá-lo, pensou em chamar a polícia, mas estava curiosa demais para saber mais sobre aquele visitante – o primeiro em anos. A fim de atender as duas necessidades restou-lhe apenas amarrá-lo em uma das cadeiras da sala e fazê-lo falar. 
Aos poucos, os dois, apesar de inseguros e assustados foram mantendo a curiosidade como carro chefe, descobriram anseios, medos, sonhos e pessoas que marcaram suas vidas, descobriram o que os fizeram seguir pelo caminho que seguem e cogitaram inúmeras respostas às suas perguntas existenciais. Em algum momento, o belo e a fera eram apenas duas pessoas compartilhando pedacinhos de suas almas. 
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Esse desafio, para variar, é do Marcel Danilo e a ideia era reescrever uma história clássica com exageros e coisa e tal, espero que eu tenha atendido a expectativa.

Parte III – Paz velada

Ela não sabe – e nunca vai saber – que desde aquela noite eu durmo um sono leve, desses que as mães possuem – sempre prontas para ouvir qualquer chorinho ou reclamação.
Desde aquela noite meu coração para na boca a cada mudança de respiração que ela tem. A cada movimento um pouco mais agitado das cobertas eu salto da cama num pulo e penso no que posso fazer por ela.
Mas eu não faço nada, porque ela continua ali, dormindo, um pouco mais agitada do que o normal, mas ainda assim com um sorriso e uma calma no rosto contra as quais eu não posso – e não quero – fazer nada. E eu só fico ali, observando, como quem observa uma paisagem por muito tempo e acaba por descobrir novos segredos.
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Mais em:
Parte VII – A tua canção favorita
Parte VI – De mãos dadas
Parte V – O olhar que não me sai
Parte IV – Ele sabe como arrancar um sorriso
Parte III – Paz velada
Parte II – É quem eu quero
Parte I – Sou o que você quiser
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Na minha estante: o mundo hiper criativo de Harry Potter

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Saga:
(1) Harry Potter e a Pedra Filosofal; (2) Harry Potter e a Câmara Secreta; 
(3) Harry Potter e o Prisioneiro de Azkban; (4) Harry Potter e o Cálice de Fogo; 
(5) Harry Potter e a Ordem da Fênix; (6) Harry Potter e o Enigma do Príncipe; 
(7) Harry Potter e as Relíquias da Morte.
Extras ou Complementares:
(1) Animais Fantásticos e Onde Habitam; (2) Quadribol através dos séculos; 
(3) Os Contos de Beedle, o Bardo.

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Não há dúvidas de que Harry Potter é um dos maiores fenômenos literários do século: são sete livros da saga, três livros complementares, oito filmes, parque temático, brinquedos, jogos, roupas, música e outras infinidades de coisas vinculadas a marca criada por J. K. Rowling e seu mundo magicamente fantástico. 
Lembro bem que, no aniversário de nove anos do meu irmão mais novo, ele ganhou o primeiro livro da série: Harry Potter e a Pedra Filosofal, – este, por sinal, ainda estava sem a fonte com raios nas letras da capa. Logo em seguida eu pedi de presente o segundo livro e por aí foi, até os dias de hoje. Com certeza Harry Potter e J.K. foram responsáveis pela construção da minha gana por leitura.

A série Harry Potter narra a saga de Harry, um menino órfão que de início morava no armário embaixo da escada de seus tios, Válter e Petúnia, e no seu aniversário de 11 anos recebe uma imensa visita que lhe conta algo inacreditável: ele é um bruxo. Então um mundo todo novo se mostra a ele e ele não é mais apenas um menino órfão não amado pelos tios, ele é o menino que sobreviveu (Capítulo 1 do livro da Pedra Filosofal). Ao longo de sua jornada, Potter descobre o valor da verdadeira amizade e o quanto a lealdade e o companheirismo são traços difíceis de se encontrar nas pessoas e também o quanto isso e outras qualidades definem o caráter de alguém. Por este novo caminho, Harry desperta-se para o amor, descobre o quanto as pessoas podem ter sede pelo poder – e o quanto isso é destrutivo, principalmente para quem tem essa sede e o quanto o mundo pode parecer torto e ainda sim ser correto.

Para mim uma das grandes lições de Harry Potter com certeza é quanto ao valor das amizades, não importa quando, como ou onde elas começam, se são verdadeiras, elas serão o melhor combustível para se viver. Além das inúmeras cenas retratando as relações humanas, J.K. também trabalha muitas questões históricas e mitológicas disfarçadas ou agregadas em seus livros, como nomes de figuras importantes.

O que eu posso dizer depois disso tudo? LEIA!
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Nota: ★ ★ ★ ★ ★ 
Autor: J. K.Rowling
Editora: Rocco
Páginas: Vários
Ano: Vários
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Algumas oportunidades são como…

Agora que eu estava tão perto não podia deixá-lo sair da minha vista.

Corri para a rua a procura de um táxi.

Passou carro, passou carroça, bicicleta, motoneta, patinete, carrinho de rolimã, menos o bendito táxi.

Justo no dia em que eu o encontro, quando não posso perdê-lo de vista os motoristas de ônibus decidem entrar em greve, o mecânico jura que o carro precisa ainda de alguns reparos e que vai demorar, a bicicleta está com o pneu furado e continuo sem ver táxi na rua.

Mas minha avó já dizia, quando é para dar certo…

Resolvi dar uma adiantada e correr em direção ao parque mais próximo a fim de ver se encontrava algum deles. Nada. Mas pelo menos o outro continuava ali, diante dos meus olhos, alguns passos a minha frente, é claro, mas ainda na vista, agitado com toda aquela perseguição. Fazia tempo que não encontrava tanta euforia. Ele parecia se deliciar com aquela caçada.

Eu também.

Dobrando a esquina avistei o meu tão desejado veículo de busca e apreensão: alaranjado com uma faixa quadriculada em preto. Corri ao encontro do táxi. Abri a porta, me ajeitei correndo, deixei cair alguns papéis no chão do meu transporte salvador e disse apressada ao motorista:

– Rápido, siga aquele sonho.
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Algumas definições não encontradas no dicionário

ar.re.pi.o – Quando uma alma especial descobre e toca a nossa.
es.tran.gei.ro – Aquele que se sente sempre um peixe fora d’água, independente de onde parta e de onde esteja, inclusive sem sair do lugar.
a.bri.go – Local onde o coração relaxa.
ro.mân.ti.co – Pessoa que planta seu coração e cabeça na Lua e os esquece por lá.
a.bra.ço – A calma que cabe no espaço entre duas mãos, dois braços e um peito aberto.
pon.te – O caminho mais curto entre dois corações.
lá.gri.ma – Quando o coração transborda.
me.do – Um muro que levantamos a nossa frente.
cho.co.la.te – Presente divino utilizado no tratamento de corações partidos, TPM’s, indisposição e qualquer outra doença, sentimento ou sensação que exija algo gostoso.
sau.da.de – Quando o nosso coração muda de casa.
sor.ri.so – Gesto involuntário provocado por quem nos faz feliz ou por bolhas de sabão livres no ar.
co.ra.gem – O primeiro passo.
pas.sa.por.te – Licença ou documento oficial para despertarmos para um mundo novo. Carta de alforria.
a.mi.go – Aquele que permanece ao nosso lado mesmo quando nós mesmos não nos aguentamos.
fa.mí.lia – Quem nos ensina a voar, a andar de bicicleta e a cair e levantar.
ba.gun.ça – Método para disfarçar o perfeccionismo.
u.ni.la.te.ral – Qualquer um que se doa de mais.
al.ma gê.mea – Ser especial – amor, amigo, parente – que desperta o melhor em nós, quem acalenta, protege e nos desafia a ir além.
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