Call the police

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Chame a polícia, acho que enlouquecemos. Chame a polícia. Está na hora de voltarmos ao começo para enxergarmos e sentirmos a sua dor, a minha dor. Como eu me sinto? Vou descrever exatamente como me sinto, outra vez, para que entenda cada palavra que disse e porque imagino que tudo isso doeu tanto em você. Cada palavra que você disse me atingiu como mil espadas. Dói em mim cada osso, doem os ouvidos e eles ficam a zumbir e os olhos enxergam apenas através da névoa. Tudo o que vejo é um caos. Tudo o que vejo é uma versão pior da pessoa que não quero ser. Tudo que sinto é que você me machucou e ainda assim consegue me prender a algo que não é real. Então, chame a polícia, chame-a e colocaremos nossas dores em xeque e definiremos o que de fato é verdadeiro. E se no fim eu não puder fazer mais nada, chame a polícia, a guarda nacional, o corpo de bombeiros, pois eu perdi o controle. Você não pode me amar e depois simplesmente me cortar, me deixar em algum lugar a mercê de tudo. Você precisa me deixar ir. Por favor, me deixe ir.
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Festa natalícia

 ‘As festas de aniversários natalícios começaram anos atrás na Europa. As pessoas criam-se em espíritos bons e maus, às vezes chamados de fadas boas e más. Todos temiam que esses espíritos prejudicassem o aniversariante, de modo que ele ficava cercado de amigos e parentes, cujos votos de felicidade, e sua própria presença, o protegeriam contra os perigos desconhecidos que o aniversário natalício apresentava. Dar presentes resultava em proteção ainda maior. Uma refeição em conjunto fornecia uma proteção adicional e ajudava a trazer as bênçãos dos espíritos bons. Portanto, a festa de aniversário natalício destinava-se originalmente a proteger a pessoa do mal e garantir que tivesse um bom ano.’

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Se esse trecho for, mesmo que um pouquinho, de verdade, então sou uma pessoa iluminada e muito protegida, cercada pelos melhores espíritos que podem haver no mundo. Recebi tantas mensagens e telefonemas importantes hoje que me faltam palavras para expressar a gratidão por cada uma delas. Eu vou guardar cada voto no coração e vou agradecer todos os dias por ter tantas pessoas lindas na minha vida. Eu não preciso de um bolo com velas e nem de presentes de aniversário para isso, porque hoje cada mensagem foi um pouco de luz que eu recebi para iluminar ainda mais o meu caminho. Muito obrigada a todos! Saibam que eu desejo tudo em dobro para cada um de vocês, pois cada um contribuiu, de alguma forma, na formação da pessoa que sou hoje.

PS: Como eu não posso postar todas as mensagens que recebi hoje, quero compartilhar com vocês pelo menos o post da Carol!

Valentina

Era uma doce menina. Por vezes presa em seu mundinho perfeito de livros, músicas e fotografias. Quando enfrentava o mundo real ainda o via por uma lente que a fazia imaginar tudo mais bonito. Por vezes se machucava ao perceber que nem tudo era como imaginava: às vezes um parque mal cuidado, às vezes um amor à primeira vista. Mesmo quando estava ferida pensava nas coisas boas que lhe aconteceram e esquecia o que a magoara. A vida era muito curta para passá-la de cara fechada.
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Revolução

“Quem não é capaz de causar uma revolução dentro de si mesmo nunca conseguirá mudar as rotas sinuosas de sua vida. 
A maior miséria não é aquela que habita os bolsos, mas a alma.”
Augusto Cury

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Uma decisão: ficar uns dias sozinha.
Um pedido: permissão para ficar no apartamento do padrinho em Santa Catarina.
Uma saída: rodoviária de Curitiba.

Seguindo rumo a um desafio pessoal imposto por mim, sentia-me segura em relação a esta decisão: ficar uns dias sozinha. Já no ônibus estava animada e pensava ter sido a melhor decisão que tomei nos últimos tempos (e eu não me enganei). Primeiro dia tranquilo, padrinho passou algumas orientações. Segundo dia, primeiro dia em completo silêncio. Eu que sou uma pessoa naturalmente falante estava calada, mas minha cabeça estava a mil, pensando em milhões de coisas. Pela primeira vez ri de mim mesma por estar tão preocupada com coisas que antes eu achava bobas: “será que eu tranquei mesmo a porta?”, “será que eu apaguei a luz do corredor?”, “será que eu fechei a janela?”. Mordi minha língua. Depois de uma caminhada pela cidade voltei para o apartamento e me vi pela primeira vez sem saber o que fazer e procurando desesperadamente algo para ocupar minha mente. Foi então que eu percebi o quanto posso ser criativa quando não tenho o que fazer, mas essa criatividade nem sempre é positiva, por vezes, alguns pensamentos são um pouco assustadores. Mas outros são super bons e algumas coisas que acontecem te animam. Assim como quando eu estava deixando uma padaria com um livro na mão e a moça do caixa disse animadíssima que já tinha lido o livro e que tinha adorado e que agora queria conhecer a China, mas o marido não está muito afim. Nessa hora eu percebi como os livros podem salvar o seu dia, seja em uma leitura agradável enquanto você toma café ou como um início de conversa. Fui para casa e dormi relativamente bem.
Domingo foi um dia bipolar. Acordei cedo, tomei café na padaria, voltei para o apartamento, passei protetor solar e fui a pé até a rodoviária marcar minha passagem. Minha opinião sobre essa decisão: foi errada, mas com o erro a gente também aprende. Saí umas 9h40 e cheguei umas 10h30 na rodoviária, morrendo de calor, com o rosto queimando e me perguntando “por que diabos eu não peguei um ônibus para chegar até lá”, pois é, pensei que eu tivesse memorizado bem o caminho, ledo engano. Para voltar para o centro aí sim esperei por um ônibus. Almocei no centro e voltei para o apartamento. A tarde recebi uma ligação do Tar, depois saí para fazer um lanche e passei a tarde escrevendo/estudando/lendo e me enrolei para sair para jantar e então o tempo começou a mudar e eu me vi presa no décimo sexto andar de um prédio, procurando alguma forma de firmar as janelas e pensando no que fazer. Como a chuva não vinha pensei que fosse dar tempo de sair para comprar alguma coisa, na hora que abri a porta do apartamento um vento forte atravessou o corredor e eu querendo fechar a porta do apartamento para então fechar a janela da escada do prédio não conseguia fechá-la. Voltei para o apê e quando fechei a porta, o vidro da janela quebrou e eu me vi pela primeira vez realmente assustada.

O que eu aprendi com isso tudo?
Primeiro, “não há lugar como o nosso lar”, mas para reconhecer isso é bom que possamos conhecer um outro lado. Acredito que a experiência de ficar sozinha foi realmente muito válida, precisei realmente lidar comigo e ouvir o que eu tinha pra me dizer, e juro que não foi fácil, minha mente fértil conseguia me dar alguns sustos, mas também me deu boas ideias.
Confirmei que não é legal comer sozinha, mas também não é impossível aproveitar o momento, ainda mais quando se tem livros.
É bom saber que você consegue resolver as coisas por conta própria, mas é ainda melhor saber que mesmo à distância você pode contar com as pessoas que ama. Obrigada mãe, pai e mano.
Aprendi que mesmo diminuindo alguns pesos, ainda não sei administrar verdadeiramente o que levar na bagagem, levei roupa de mais e algumas coisas que nem usei.
Meu próximo passo é fazer a mesma coisa, mas em algum lugar novo, onde eu realmente precise estar por conta própria, quem sabe alugando algum lugar para ficar.

Acredito que amadureci bastante, mas ainda tenho muita coisa pra enfrentar e no fundo, mesmo com os sustos, foi bom ter esse tempo pra mim.
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Pausa

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Uma pequena pausa nas atividades cotidianas para fazer algo que eu NUNCA fiz:
ficar completamente sozinha.
Assim que voltar tentarei explicar como foi essa experiência para mim.
Por enquanto, aproveitem para ler os textos que vocês ainda não leram e dar uma opinião, caso queiram .
Logo, logo eu volto.

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"Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias"

título retirado do texto de Caio F. Abreu

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Há um pensamento que diz que: “A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, agradáveis surpresas em muitos embarques e grandes tristezas em alguns desembarques.” Se a vida é uma viagem, e nós somos todos passageiros de um trem, temos direito a algumas bagagens. Algumas pessoas conseguem viajar apenas com o que é realmente necessário. Às vezes cabem em uma bagagem de mão, outras em uma mochila, às vezes até em uma necessaire, mas é sempre uma mala pequena e com um conteúdo restrito e necessário a fim de não atrapalhar o deslocamento. Outros viajantes acabam por exceder o limite permitido e precisam pagar uma taxa pelo excesso de peso. Nem sempre vale a pena. Outros simplesmente não conseguem desapegar de velhos sentimentos e lembranças e fazem de tudo para carregar a vida toda em uma mala, por vezes sem alça, que atrapalha na hora de apreciar o caminho. Tem gente ainda que insiste em colocar tudo em um baú e torcer para permitirem que coloquem no trem. Há a esperança de que cada coisa que sentir saudade poderá ser encontrado ali dentro. No fundo não sabemos bem o que levar. Já é tão difícil definir o que levar para um final de semana na praia, já pensou em como seria arrumar uma mala para a vida toda?
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