Os Ladrões de Coração

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Ontem (27/10) tivemos o lançamento do curta Os Ladrões de Coração na Cinemateca de Curitiba. Foi lindo. Foi lindo ver a casa cheia e a emoção de todos que trabalharam um ano inteiro para construir uma história maravilhosa em 20 minutos. É realmente muito bom fazer parte do trabalho do pessoal do curso de especialização em Cinema da FAP. Eles se empenharam muito e não mereciam nada menos do que sucesso. Parabéns a todos e parabéns pela linda homenagem a nossa querida Dona Anita, There Postui! Ela assistiu de camarote!
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Paraísos artificiais

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Às vezes eu acho que preciso de um empurrão. O suficiente para seguir em frente, não tão forte para dar de cara com o chão. Às vezes eu penso o quanto um empurrão te faz seguir adiante. E quando falo em seguir adiante não me refiro ao empurrão dado com as mãos ou os pés, me refiro àquele empurrão que te faz refletir e pensar em outras oportunidades, outros caminhos, novos projetos e algumas decisões que você precisa tomar e não toma por medo ou por indecisão. Hoje eu sei que muitos passos que eu dei vieram de alguns desses empurrões. Obrigada a todos que me congratularam com tal agrado. Eu posso dizer que é graças a esses empurrões que hoje eu enxergo de volta um dia lindo, uma noite estrelada e muita capacidade em criar. Acredito que hoje eu realmente sei que sou uma escritora, independente de escrever um best-seller ou em bloquinhos de papel. Escrever, independente do conteúdo, forma, projeto, te faz único, te faz perceber o quão maior o mundo pode ser.
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A mais bela

Para ler ouvindo Norah Jones – The Prettiest Thing
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A coisa mais bela que um dia eu já vi era relâmpago do alto de uma nuvem, iluminando a escuridão a um milhão de milhas por hora, era chuva molhando a calçada e o meu corpo cansado, era o sol depois de um período de muito frio. A coisa mais bela que um dia eu já vi agora parece fotografia no álbum de outra pessoa. Alguém que está seguindo com a sua vida, alguém que de fato está vivendo, eu, ultimamente, não tenho sido eu mesma, está tudo aqui dentro da minha cabeça como se eu estivesse sonhando, sonhando profundamente a ponto de acreditar que a coisa mais bela que eu já vi é apenas uma casa abandonada, com alguns móveis velhos e portas enferrujadas que guardam algumas histórias que eu não sei contar. No fundo, mesmo sonhando, eu sei que a coisa mais bela que eu já vi fez meus olhos se enxerem de lágrimas, e mesmo assim não escorreu nenhuma, porque não era choro, era apenas uma demonstração de que a coisa mais bela que eu já vi me emocionou a tal ponto que fez meu corpo inteiro parar para admirar. Não é a toa que a coisa mais bela que eu já vi fica aqui, na minha cabeça, nas minhas lembranças, nos meus sonhos, e nunca, nunca se transformará em palavras, pois é impossível descrever a coisa mais bela que eu já vi.
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Uma dança lenta, por favor

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Este não é um daqueles momentos bobos, nem a calmaria depois da tormenta, nem o sol depois da chuva, nem calor depois do frio. Este é um daqueles momentos de profunda e ofegante respiração, é o saber como se deve agir e mesmo assim exitar. Querida, este era o amor ao qual nós trabalhávamos, alimentávamos, nos apegávamos, nós o construíamos passo a passo. Faz algum tempo que eu percebo que por mais que tenhamos nos dedicado parece que não consigo segurá-la como quero, não consigo senti-la confortavelmente em meus braços. Será que estamos chegando ao fim? No fundo eu acredito que você sabe que estamos condenados, minha querida, estamos dançando lentamente em um quarto em chamas. Eu sei que fui aquele com quem você sempre sonhou e você é aquela que eu tentei desenhar. E não venha me dizer que tudo isso já não significa nada pra mim. Você é única, mas não estamos dando certo e eu farei o melhor com toda essa tristeza. Eu a esquecerei, e só lembrarei dos momentos felizes e acho que você devia tentar fazer o mesmo. Eu sei que você quer me bater, me tratar mal apenas para me machucar, mas saiba, eu já estou me sentindo mal por você não entender. E por favor, por você, chore o quanto precisar chorar. Não aprisione suas emoções, assim como eu não farei com as minhas, eu as deixarei livres. Bom, acho que no final de tudo isso nós já deveríamos ter aprendido de algum jeito que não éramos para sempre, apesar de tudo.
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Elle
PS: esse texto é apenas uma experiência, queria ver se eu conseguia transformar uma música numa história da Ella, espero que gostem.

Besteiras que contei

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Não sinto nada. Nada mesmo. Não há lágrimas, não há riso, não há tensão, simplesmente não há nada. Nem criatividade, nem desespero, nem medo. O que aconteceu? O que fez isso tudo acontecer? Por que não sinto nada? Não há nostalgia, não há saudade, não há lembranças no momento. Só um vazio que insiste em permanecer assim e isso está me matando, porque eu quero escrever e não consigo. Será mais um desses bloqueios criativos? Será mais uma folha em branco esperando uma gota de tinta ou risco de grafite? Estou precisando de emoção, inspiração e um toque de algo doce pra voltar a escrever.
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Seguir em frente

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Ella sente saudades de identificar formas nas nuvens, de contar carneirinhos, de pular em poças d’água, de jogar futebol na rua e de brincar de esconde-esconde. Sente falta de pedir torrões de açúcar para a avó, de pescar girinos no açude do avô, de construir semi-casas nas árvores, de descer de tirolesa e brincar de gato mia. Mas ela descobriu que pode revisitar tudo isso quando brinca com os primos pequenos ou quando conta histórias de quando era pequena e mesmo pequena fazia coisas grandes como castelos de areia ou caixa de papelão, quando subia em árvores, quando nadava o dia todo ou quando ajudava alguém. Ella sabe que todas essas lembranças seguirão com ela por onde for e isso já a faz muito feliz. Saber que viveu aquilo, que teve tantas oportunidades e que agora ela pode viver coisas novas, ter outras primeiras vezes e novas histórias para adicionar ao livro da vida.
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