Só para dizer que não esqueci.

“Quantos são os que dizem levezas com profundidade, acalentam o difícil ofício do viver com arte e, na proximidade, assustam pela mesquinhez que corrompe e aniquila os afetos. Já convivi com gente assim. Já me estranhei diante do paradoxo do dizer e do viver. E já sofri com isso. Minha natureza, talvez errada, é do afastamento. Prefiro partir a conviver com a hipocrisia. Prefiro ver de longe a frequentar os bastidores da avareza humana. Não sei se isso é o correto. As vezes volto e tento semear poções de amor, jogo-me numa empreitada de acreditar que o outro pode se livrar de suas sujeiras e emergir limpo para o convívio saudável. E, depois de dizer, me calo. Surpreendo-me, desistindo de novo. Concluo que só muda quem quer. Não há ninguém que tenha o poder de transformar aquilo a que se nega. Sei, amigo, que também tenho minhas imperfeições. E são tantas e tão incomodas! Mas longe de mim a avareza, a mesquinharia. Desfraldo com prontidão a bandeira da generosidade; é ela que me aproxima do ser humano”.
Gabriel Chalita.
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