Da série: o que Ella faria

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Já era madrugada quando Ella, sozinha em seu apartamento, abriu uma garrafa de vinho e serviu-o em uma taça bordô que havia ganho de presente da mãe, em comemoração ao apartamento novo. Com a taça na mão caminhou até a vitrola velha e colocou para tocar o LP daquela música que ela adorava. O apartamento iluminado por várias velas fazia um convite. Ella arrastou os móveis da sala e começou a dançar ao som daquela canção. Cantava e dançava tão livremente que esquecia que havia um mundo lá fora. Não imaginava que alguém, no prédio em frente, a observava. O apartamento do vizinho estava completamente escuro e ele estava sentado na varanda admirando aquela moça ser livre. Desejou profundamente não possuir amarras para ir vê-la e dizer que ela tinha o sorriso mais doce que ele já viu, que a dança dela era capaz de hipnotizar qualquer um e que ele gostaria de poder conhecê-la melhor.
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“Sofremos por nós mesmos e pelos outros. 
Sofremos pelas intransigências de nossas emoções precárias e porque nos deixamos atingir por outros, caducos dos mesmos problemas. 
Lançamos no outro a chama que nos consome, fazemos do outro o retalho que falta em nossa tessitura e lamentamos a diferença do tamanho ou de desejo. 
Quem há de nos visitar nesse recanto distante em que nos distraímos? 
Quem há de ter piedade da solidão voluntária ou ignorante? 
Quem terá a coragem de negar quando a regra é ceder?” 
CHALITA, Gabriel.

Princesinha

“Far far, there’s this little girl
She was praying for something to happen to her
Everyday she writes words and more words
Just to speak out the thoughts that keep floating inside
And she’s strong when the dreams come cos’ they
Take her, cover her, they are all over
The reality looks far now, but don’t go”
Yael Naim – Far Far
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Ela é como qualquer garota que tem sonhos.
Ela sonha tão alto quanto um castelo.
Sonhos tão grandes que às vezes não cabem em si. 
Sonhos que ela derrama e esparrama em versos e poesia em páginas em branco, 
caderninhos sobrecarregados, azulejo da cozinha ou num papel rasgado. 
Ela é uma princesinha, que vive num reino encantado tentando realizar o sonho sonhado.
Ela é uma princesinha que sonha em realmente viver num mundo encantado.
Enquanto o sonho não acontece ela constrói castelos.
Castelos de areia, castelos de carta, castelos em giz…
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Busca

‘Ganha-se a vida, perde-se a batalha’.
Dom Casmurro, em Capitu
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E se inicia uma nova etapa nos objetivos que eu quero para a minha vida. Eu quero e vou mudar. Vou começar a fazer tudo aquilo que eu acredite ser melhor pra mim. Cansei de ficar pensando no que os outros vão achar, ou como os outros agiriam no meu lugar. Vou tomar minhas próprias decisões, começando por ser feliz e me amar acima de tudo. A pior besteira que eu pude cometer nessa vida foi me colocar em segundo lugar. E se para ‘Ganhar a vida for preciso perder a batalha’ é isso que farei, de agora em diante eu só farei aquilo que me fizer feliz.
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“Às vezes é preciso diminuir a barulheira, 
parar de fazer perguntas, 
parar de imaginar respostas, 
aquietar um pouco a vida para simplesmente deixar o coração nos contar o que sabe.
E ele conta. 
Com a calma e a clareza que tem.”
Ana Jácomo

"A amizade dispensa os juramentos"

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Curitiba, 11 de maio de 2012.

Querida amiga,

Quem diria que 15 anos depois de nos conhecermos você, agora, estaria indo começar mais uma nova jornada na sua vida, dessa vez do outro lado do mundo, mais especificamente em Praga, na República Tcheca. Que orgulho de você. Sei que você fará um excelente trabalho por lá e acrescentará muito às pessoas com quem conviverá e sei que vai aprender muito também. Espero, principalmente, que aprenda a ser menos esquecida… rs. Bom, eu não preciso te lembrar de tudo o que passamos juntas, mas se fossemos falar de tudo, teríamos muita coisa pra contar. Imagine, eu lembro do dia que você chegou pra mim no Tia Paula e me perguntou por que eu estava chorando e desde aquele dia nós somos amigas. O tipo de amigas que realmente não exige juramentos, pois, de alguma forma, sabemos que sempre podemos contar uma com a outra. E quero agradecer especialmente pelas palavras de apoio em fevereiro, quando perdi meu padrinho, elas realmente foram muito importantes, pra mim e pra minha família, jamais esquecerei. Nessas palavras eu pude ver o quanto você cresceu como ser humano. Você realmente aprendeu como acrescentar coisas boas às pessoas, e por isso sou muito grata. Obrigada amiga por todos os bons e maus momentos, por todas as palhaçadas, por me apresentar diversas bandas novas, por pirar comigo ouvindo as músicas do Red Hot Chili Peppers e por criar coreografias para as músicas do Joãozinho. Obrigada pelos anos de estudo na mesma escola, pelos anos de amizade e dedicação. Mesmo quando não estudávamos na mesma escola e morávamos no mesmo bairro, ainda escrevíamos cartas uma para outra e eu espero que continue assim, viu? Não é por que você vai pra tão longe que vai deixar de se comunicar comigo e sim, acho carta mais legal. Ai amiga, te desejo uma abundância de coisas boas e magníficas pra você. Eu espero que dê tudo certo, que você não perca nada pelo caminho e que esse caminho te leve para infinitas coisas boas, porque você merece tudo isso. E saiba que mesmo eu aqui, nessa terrinha brasileira, vou sempre querer o teu bem e torcer para o seu sucesso sempre e se precisar de alguma ajuda, grite, que eu arranjo um jeito de ajudar. Te amo muito e toda a sorte do mundo pra você.
Com carinho,
Mé.
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“E toda vez que ele passa vai levando qualquer coisa minha…"

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Da série: coisas que ela não diz, mas sente.

“E eu ainda sinto muita falta de você. Muita. E cada vez que algum resquício seu volta a me encontrar – como algum sinal nos meios online, ou alguém que é próximo de mim e agora está próximo a você, mesmo que você não saiba – eu fico pensando em tudo o que não fiz e em tudo o que poderíamos ter feito juntos. Me perdoa.”

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