Cartas a um certo alguém VII

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Já faz um tempo que saí da Grécia. Que país incrível, nem dá vontade de sair de lá. Mas como meu tempo é curto nessas viagens precisei seguir em frente, e cá estou: Itália. Outro país pelo qual me apaixonei. Você deveria estar aqui, vivia pegando no meu pé a respeito de comida e aqui é o país da boa mesa. Comi pizza que nem louca. Visitei museus, praças, monumentos. Fui a praia, montanhas, jardins. Depois te conto outras coisas desse lugar. Agora queria poder estar aí contigo e te dizer que estou preocupada. Acho que estou doente. É uma doença diferente, daquelas que não ficam tão a mostra, sabe? Acho que é por isso que tenho tanto medo de falar o nome dela. Dois anos atrás, quando tive aquela crise de choro e eu não sabia bem o por quê, recebi um diagnóstico, que me fez chorar muito. Um mês depois, soube que estava ‘curada’, então fiquei cética. Agora eu fico pensando, será que o diagnóstico estava certo? Tenho medo. E agora estou sozinha, com milhões de pensamentos, em um país tão incrível que fico até me sentindo culpada de estar assim. Quem sabe isso não me faça voltar mais cedo para casa. Talvez eu precise disso.Voltar. Recomeçar. 
Estou com saudades.
Ella.

20 coisas que me deixam feliz

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Fonte: algum blog que eu sigo e uma hora vou lembrar qual é.

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1. Viajar. Nada como conhecer novos lugares, culturas e espetáculos da natureza pra me arrancar mil sorrisos.
2. Dormir com chuva. Chuvinha ou tempestade, não importa, barulho de chuva sempre acalma na hora de dormir.
3. Livros. Cheiro, capa, histórias, personagens, textura… livro é maravilhoso.
4. Chocolate. Sem explicação.
5. Banho no escuro. Não sei, algo que aprendi e que me ajuda a ficar feliz!
6. Mensagens. Não importa o meio, tamanho ou o remetente, adoro mensagens!
7. Café. Café preto de vez em quando, café com leite todo dia e café cheio de frescuras a qualquer hora, seja pra encerrar um jantar com os amigos ou um passeio no Mercado Municipal com a mãe.
8. Cinema. Boas lembranças e histórias, por vezes, apaixonantes.
9. Ioga. Incrível como uma aula de 1h30min pode me deixar feliz.

10. Música. Combustível da vida.
11. Riso de criança. Dá vontade de rir mais ainda pra criança rir com mais vontade.
12. Doces. Não, não entra no ponto do chocolate. Chocolate é um item único. Aqui entram os doces que eu gosto de preparar 🙂
13. Dar presentes. É gostoso de ver a expressão da pessoa quando recebe.
14. Caminhar. Não importa onde.
15. Fotografar. Qualquer coisa, qualquer momento. 
16. Cartas. Adoro receber e escrever.
17. Anoitecer. É meu horário favorito do dia.
18. Banho de chuva. Independente da idade, banho de chuva é terapêutico.
19. Palavras. Salva minhas madrugadas de insônia, leitura e escrita.
20. À procura. 

Doar-se

Ouvindo City and Colour – Fragile Bird

Visitando o blog Doutorado aos 40 revivi uma história de 2008, ano que trabalhei como voluntária numa Escola Municipal em Curitiba. Éramos um grupo de meninas entre 18 e 22 anos, universitárias, e dedicávamos as manhãs de sábado ao reforço escolar. Eu saia de casa às 7h, 7h25 eu pegava o Cabral-Portão no Terminal do Portão, chegava no Terminal do Cabral por volta das 8h, às vezes, 8h10 e esperava as outras meninas do grupo chegarem por volta das 8h25, 8h30 embarcávamos na linha Tingui e por volta das 8h50 estávamos na Escola Municipal Eny Caldeira. 

Quando chegávamos à escola, muitas vezes, nossos alunos já nos aguardavam, muitos ainda acompanhados pelos pais. Esse era um ótimo momento para conhecer um pouco mais de quem dava a estrutura em casa. Era bom ouvir o que os pais tinham a dizer.
Durante os 6 meses que me dediquei ao voluntariado, fui responsável por uma turma de primeira série e uma da terceira. Nossa missão com os alunos da primeira série era principalmente questões de língua portuguesa: g/j, m/n, p/b, essas coisas. Já na terceira série eram questões de matemática. Comecemos pelos alunos da terceira série.
A turma da terceira série era um sonho, só lecionava para eles quando a professora titular faltava, o que era comum no voluntariado, algumas não conseguiam se comprometer o semestre inteiro. A turma tinha em média quatro alunos que frequentavam todas as aulas de reforço e por vezes tínhamos mais algum aluno. Era gostoso dar aula para aquela turma, todos interessados e prestavam muita atenção na aula e eu fazia questão de mostrar que estava contente com eles. 
Nos intervalos fazíamos algumas brincadeiras lúdicas para distraí-los, era divertidíssimo. Em uma dessas aulas eu notei que realmente acontece dos alunos se apegarem de mais a professora. Cria-se um laço tão forte de confiança que eu acho que alguns às vezes confundiam. O pai de um aluno, um dia, me disse que o filho contava as horas para vir às aulas de reforço, e ele como pai ficava orgulhoso. Faz diferença contribuir para um momento decisivo como esse: uma criança querendo ou não estudar. 

Bom, o mar de rosas que era a turma da terceira série era o oposto na primeira série. Quando fui convidada para ser voluntária e me perguntaram que turma eu gostaria de cuidar, nem pensei, disse logo: quero a turma da primeira série. Se eu soubesse que seria tão difícil, eu teria pensado duas vezes. A turma da primeira série era a maior turma de todas as séries, eram em média sete alunos, logo, tinham duas professoras. Agora você se pergunta, por que uma turma de sete alunos seria tão difícil? Bom, para alguém que tinha 18 anos, nenhuma prática com sala de aula, lidar com sete alunos era difícil, mas o mais difícil era lidar com as diferenças. Infelizmente eu não fui ensinada a lidar e explicar isso para os pequenos. Na minha turma eu tinha um aluno hiperativo, um aluno disléxico, um aluno estrangeiro (acabara de se mudar da Espanha), três irmãs órfãs e dois alunos que não eram frequentadores assíduos, um casal. Só posso dizer que no meu primeiro dia, cheguei em casa e chorei muito. Eu me sentia perdida, incompetente, sem saber o que fazer e como lidar com um grupo tão diferente, não era a toa que estavam todos no reforço.
Minha primeira dificuldade foi lidar com as três irmãs. Todas com personalidades diferentes. A mais velha era a mais atrevida, não parava quieta a aula toda, precisei chamar a atenção algumas vezes. A do meio tentava seguir o que a mais velha fazia. E a mais nova era um amor de menina, ficava sempre sentada e fazia todos os exercícios e quando tinha dúvida sempre vinha falar comigo. Aos poucos, fui gastando tanta energia tentando controlar a mais velha que a mais nova parou de fazer as atividades e começou a ficar triste, e eu sem saber o que fazer fui dar um abraço nela.
(Durante esses episódios a minha amiga ficou atendendo os meninos).
Ao abraçá-la eu pude perceber o quão frágil ela era: magrinha e tristinha, começou a chorar. Eu não sabia o que fazer. Quis poder tirar a tristeza dela. Nisso a irmã mais velha veio me irritar e então a turma saiu do controle. A minha amiga não levantava a voz, não colocava ninguém de castigo, ela focava em quem estava prestando atenção e continuava dando aula, logo eram 6 alunos descontrolados pela sala e uma professora. Nisso aconteceu o que eu realmente não sabia controlar e nem como solucionar, o aluno hiperativo disse: “professora, essas meninas não merecem estar em sala” e eu perguntei o por quê, e ele me disse: “é porque elas não tem pai e nem mãe”. Fiquei tão chocada com a crueldade daquele menino que eu não sabia o que dizer pra ele, no fim eu disse: “todos merecem estar na escola, não ter pai ou mãe não faz de ninguém melhor ou pior”. Acho que não foi uma boa frase, nem sei se ele entendeu de fato, naquele momento ele ficou quieto, mas trouxe alguma dor de cabeça pra mim em outras aulas (que talvez eu comente em outro post). 
Depois de tudo o que aconteceu naquela aula eu vi como é difícil se doar. Ainda mais numa situação dessas.Você simplesmente não consegue colocar o seu coração numa caixinha e ficar ali de forma imparcial. Você se envolve, se apega, se questiona, se emociona e muitas vezes surta sem saber o que fazer. Eu quis tanto ajudar aquelas meninas. Depois de algumas aulas eu percebi que o problema delas não era a sala de aula, era carência. E eu sabia que se eu me doasse demais, o dia que eu fosse embora elas iriam sentir. Então, o que você aprende a fazer é: doe-se um pouquinho e mostre que em todo lugar elas podem encontrar pessoas que se doarão todos os dias para fazê-las felizes. Eu espero que hoje, com uns 11 anos que elas devem estar elas tenham encontrado uma família e tenham encontrado todo o amor que elas merecem ter.
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O último

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O último é sempre o mais difícil. Você nunca sabe como vai reagir, o que vai falar ou escrever. As palavras parecem sentir dificuldade em se expressar. É porque é o último. O último é sempre o mais difícil. O último beijo, o último abraço, o último olhar, o último chocolate na caixa, o último livro de uma série. É sempre difícil enfrentar o fim, mas é preciso.
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11/11/11

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Chri,
Sim, eu sei, você vai me odiar eternamente por ter colocado essa foto aqui (provavelmente odiaria mais se eu colocasse aquelas fotos indecentes que mãe e pai adoram tirar), mas hoje é o seu aniversário e nada mais justo do que nesses 20 anos que você está fazendo te presentear com um post super lindo como esse. Bom, já é tanto tempo que a gente se conhece que eu nem sei mais o que falar pra você. Ainda mais agora que perdemos um pouco o contato, por conta de toda essa correria. Mas eu sei, você sabe, sabemos que sempre podemos contar um com o outro e espero, de coração que você realmente conte comigo sempre, para o que precisar, seja carona pro bar ou com atividades da faculdade/trabalho/vida. Eu amo você demais e quero estar sempre presente na sua vida.
Mana.