Assim, simples

“Mas de cara dá pra sentir que vocês têm assim uma, como dizer. Uma ligação muito forte.”
(Caio Fernando Abreu em: Triângulo das Águas – Pela Noite)
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Ninguém sabe dizer onde, quando ou como tudo começou. Ninguém sabe dizer qual dos dois disse a primeira palavra, quando foi o primeiro abraço ou quando foi o primeiro olhar. Apenas sabe-se que as coisas continuaram, continuam… caminham. Ella ainda é uma menina cheia de sonhos procurando pequenas histórias escondidas. Ele ainda é um garoto procurando o melhor caminho para o futuro. E eles seguem juntos, de alguma forma, buscando coisas em comum.
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.words I couldn’t say

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Ella não sabia mais sobre o que escrever. Então, só lhe restou carregar as palavras, escondidinhas, esperando o momento certo para se derramar em textos. Ela sabia o por quê da dificuldade de compartilhá-las, mas ainda não era o momento para falar disso. Ela vai com calma e paciência, percorrendo os dias esperando encontrar o melhor meio de dizer tudo aquilo que ficou ali guardado, amadurecendo para explodir em versos e poesia.
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Falta de sorte (mais conhecida como zica)

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“Há males que vem para o bem”, já disse um ser sábio por aí e eu espero, de verdade, que isso seja verdade. Por que eu espero que seja verdade? Porque foram duas semanas de uma falta de sorte inexplicável que eu espero que tenham servido, no mínimo, como lição. Pra mim. Consegui bater dois carros diferentes. Consegui ficar gripada duas semanas seguidas. Consegui lesionar um dedo da mão direita. Consegui perder 2,5kg em três dias (e antes que você diga alguma coisa, não, não queria perder peso). Consegui enlouquecer minha mãe. Consegui preocupar o pessoal do trabalho no meu terceiro turno. Mas também consegui algumas coisas boas. Sabe quando a gente fica doente e começa a fazer drama pra ganhar atenção? Pois então. Sabe quando a gente quer mudar algo e sempre adia? Pois então. Mas o melhor de tudo é quando alguém nos diz que a gente precisa arriscar, que a gente precisa enfrentar os medos. De alguma forma ou de outra, isso mexeu comigo, e agora, eu mais do que nunca, quero mudar.
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A ‘marvada’

Ontem, no meu terceiro turno de trabalho, conversando com alguns colegas sobre a ‘marvada’ que atrapalha a minha vida, um professor me disse: “você não tem um blog? Use isso como válvula de escape.” E cá estou, pra escapar, mais um vez, pelas linhas desse blog, companheiro de alguns anos já. Pra quem já me acompanha há algum tempo, sabe que a ‘marvada’ da qual me refiro é a ansiedade. Pois bem, ela voltou a atacar, ou eu deixei ela voltar a atacar. Sei lá. Acredito que a minha ‘falta de tempo’ para dedicar ao blog e a escrita também facilitaram a ocorrência de uma crise um pouco mais braba nos últimos dias. Então, decidi voltar a este ambiente no qual eu consigo um pouco de tranquilidade. Gostaria de dizer que não está sendo nada fácil trabalhar em três turnos, em dois lugares diferentes, com dois ambientes tão distintos. Gostaria de parabenizar todos os trabalhadores guerreiros que aguentam situações de trabalho bem diferentes da minha, que realmente são situações dificeis. No fundo, eu sei que fui muito mal acostumada nos meus últimos trabalhos e por isso não estou encarando muito bem essa nova situação. Pelo menos coisas boas e pessoas incríveis aparecem nesse momento pra ajudar a gente, pra ver na gente algo que a gente não enxergava mais.

E foi assim…

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Inspirado em Vai deixar ela se molhar? da Barbara Moretti
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Ella, como sempre, acordou atrasada para ir ao trabalho. Levantou da cama, vestiu a primeira roupa que encontrou no armário, recolheu as chaves em cima do balcão e verificou, por cima, se tudo estava em ordem. Fazia um dia lindo lá fora, o céu claro e o ar um pouco abafado. Embarcou no ônibus e ficou imaginando o que dizer no trabalho. Sexta-feira e ninguém se importou com o atrasado dela, todos já estavam em clima de final de semana. Ninguém se importou muito com a morosidade para realizar certas atividades. O que todos queriam era chegar logo em casa. Ella estava distraída, mal e mal conseguia fazer o que tinha de mais urgente, ela só pensava em como ocupar o fim de semana. Saiu da empresa, pontualmente, às cinco da tarde. O clima abafado e ensolarado acabara de romper-se em chuva, e ela, desprevenida, começava a se encharcar. Não que ela estivesse muito preocupada, afinal era sexta-feira e finalmente ela poderia descansar. Correndo pelo centro da cidade, em busca de algum lugar para esperar o grosso da chuva passar, ela esbarrou em alguém. Ele, meio perdido, pedia desculpas.

(continua…)

Elas

“Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo”.
Caio Fernando Abreu
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Acho que não existe, no mundo, alguém que sofra mais do que as mães. Podemos ter cinquenta anos e elas, ainda, vão se preocupar, sofrer e chorar junto conosco. Então, nada mais justo do que dedicar esse post a pessoa que mais me aguentou nos últimos dias (anos). Quando eu não sabia mais o que fazer ou pra onde ir, quando eu não sabia mais o que falar, lá estava ela pra me oferecer colo e abrigo. Quando eu queria desistir, mudar toda a história, seguir outro caminho lá estava ela pra me olhar feio e me dar bronca. Quando eu disse que não sabia mais o que queria pra mim e estava em dúvida quanto às escolhas que tinha feito, lá estava ela para apenas me ouvir. Ela sempre está lá, mesmo quando não está. De alguma forma ela sempre consegue ser presente, preocupada, participativa e companheira. Não tenho como não agradecer TUDO o que ela sempre faz por mim. Principalmente, nos últimos dois anos. Sem ela eu acho que não teria aguentado tudo o que passei. Toda a fase de choradeira incontrolável, toda a minha angústia em não saber o que estava acontecendo comigo, todo o medo e a angústia, ela sempre se manteve forte enquanto esteve ao meu lado. E eu sei que nada disso foi fácil, porque secretamente ela chorava, ela sofria, adoecia. Desculpa mãe, eu não queria jogar tanta responsabilidade em cima de você e eu sei que você também se sente culpada, mas não se sinta, tudo o que compartilhamos é nosso e nós enfrentamos juntas. Obrigada por ser essa super-mãe (como a Oma sempre diz) e nunca esqueça o quanto eu amo você e o quanto eu sou grata por todos esses anos de dedicação e paciência. E em especial, me desculpe pela crise do último mês. Vai passar. Amo você.
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