insone

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Interessante como em alguns momentos é preciso que uma noite de insônia nos impulsione a escrever. Geralmente meu sono é ‘regrado’ e dificilmente tenho insônia, mas hoje eu não consigo dormir. Talvez sejam os meus pés congelados e a temperatura quase zero lá fora. Talvez seja apenas o fim de semestre refletindo em minha cabeça preocupada em finalizar mais uma etapa. Ou talvez a culpa seja sua. E minha. Na verdade, toda minha, que gostaria de não estar insone e de não jogar responsabilidade para ti sobre algo que eu estou passando. Desculpe-me novamente, é o sono que começa a chegar e você sabe, eu já não respondo mais por mim.
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rehab

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E de repente, tudo o que você não disse em três anos, você despejou em cima de mim em três minutos. Tem noção do quão difícil de entender isso é? Não? Não tem noção? Então eu vou tentar explicar.
Foram três anos que eu tentava imaginar o que se passava na sua cabeça. Três anos que fiquei imaginando se as coisas que você dizia e a forma como agia faziam algum sentido. Fiquei imaginando se o que eu sentia você também sentia. Com o tempo, um certo ar de indiferença e um certo silêncio me fizeram esquecer. Esquecer o que eu gostaria de saber: o que você pensava e o que sentia. E então, um dia você chegou e disse tudo o que pensava e demonstrou tudo o que sentia. Pra quê? Pra me fazer surtar? Pra me fazer ficar sem saber o que fazer de novo? Pois então você conseguiu. Você disse tanta coisa, e jogou tanta responsabilidade sobre mim que eu enlouqueci. E eu só vim pra te dizer que a reabilitação ainda não terminou.
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Devaneios

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Estou extremamente ansiosa. Acho que são coisas antigas. Deve ser. Quando eu começo a pensar no assunto e a tomar consciência a respeito do meu problema, geralmente, a dor de cabeça some e a ansiedade diminui. Eu já disse que estou com dor de cabeça? Não. Pois é, culpa da ansiedade. Plena sexta-feira de curso e eu aqui, divagando a respeito de coisas sem sentido e sem nenhuma concentração. Não consigo prestar atenção na aula, o professor fica olhando pro teto. Isso está me dando agonia. Estou morrendo de sono. Dordegarganta. Será são sapos presos? Me sinto meio aérea, perdida, não consigo prestar atenção na aula. Que sono. Eu já disse isso? Quem sabe saia um texto disso tudo. Comi bolo demais. Dizem que doce dá sono. “Que seja doce” então, né Caio? Sexta deveria ser proibido ter aula a noite. Ingressos, será que já estão a venda? Não? Droga. É bom escrever, desabafar de alguma forma. Não sinto rancor, nem saudade. Na verdade, não sinto nada. Só me lembro de vez em quando. 20:05. Não passa o tempo. Passatempo. Estou enlouquecendo. Acho que é a dor no pé. Ou foi o calor que deu de tarde. Continuo agoniada com esse professor que fica olhando tanto pro teto. Meu olho está coçando. Fico pensando em milhões de coisas, menos na aula. “Perder o foco”. Só prestei atenção nisso. Mentira. Faz tempo que não falo com ele. Bom, ele também não me procura. 20:15. Agonia. Posso pedir para ir embora? Pronto, filminho. Vou dormir. “É impossível passar pela mesma água duas vezes”. Preciso fazer uma reorganização estratégica da minha vida. Não aguento mais ficar sentada. Posso dizer que é muito bom ter reconhecimento. Agora ele está falando de Comunicação. Posso pedir equivalência? Sim. Estou desenhando olhos durante a aula. Sinestesia. Quando alguém não olha nos seus olhos pode significar: medo, desinteresse, vergonha ou desconhecimento. De encontro ou ao encontro? A UTFPR é rota de aviões. 22:00. Fiz besteira. Tenho que falar menos. Acabo me metendo em rolo. Faltam 4 slides. 3. 2. 1. Cansei. Vou dormir.
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i’m a iceberg

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10% de mim está ali, visível pra você e todo mundo. Superficial. 10% que podem encantar ou assustar. 10% que às vezes eu não consigo encarar. 10% que às vezes tornam os outros 90% extremamente doces e harmoniosos. Afinal, não é sempre que estamos de bem com aquilo que vemos de nós mesmos.
90% de mim está ali, escondido, enraizado, esquecido, armazenado, protegido. Profundo. 90% que podem fazer você querer ficar ou ir embora. São segredos, mágoas, sonhos, risos, saudades, sentimentos, amores e histórias. Tudo em profundidade, em dimensões que a superficialidade jamais aguentaria carregar e que você jamais aguentaria ver.
Minto. Jamais não. Você aguentaria enxergar tudo isso se quisesse dividir comigo tudo aquilo que é faz parte da tua profundeza. Tudo aquilo que não está no raso. Tudo aquilo que não é seguro, mas que faz parte de ti.
Eu aguentaria ouvir tudo o que você tem pra me dizer, e você aguentaria o que eu tenho pra te dizer?
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Besteira X

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Já notou que costumamos dizer que estamos procurando inspiração? Pois é, estava eu, sem fazer nada, pensando “preciso de inspiração para escrever algo novo para o blog”. Só depois tomei consciência que inspiração não é algo que a gente busque, é algo que encontramos. Nós buscamos musos (ou musas), nós buscamos momentos, histórias, situações que nos levem à inspiração, não é assim? Buscamos algo que nos faça querer escrever, algo que nos surpreenda. Logo, pode ser qualquer coisa. Basta que você também esteja num momento de aceitação da inspiração, porque se não, será apenas um momento perdido ou mal aproveitado. Esteja aberto para a inspiração, pequenos momentos podem se tornar incríveis ideias para ótimos textos.

prison

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E você não sabe o que faço nas noites de sábado. Não sabe que fico em casa ouvindo músicas que me lembram você. Músicas que me lembram quem éramos ou o que éramos pra ter sido e não fomos. Sábados a noite são todos seus, mesmo que os seus sábados não sejam meus. Noites de sábado são frias, escuras e silenciosas. E não importa o barulho da rua, a luz da lua ou o calor da lareira acesa. As noites de sábado serão sempre assim enquanto você não estiver aqui. E não pense que digo isso com tristeza, não, eu não estou triste. Tudo isso é apenas uma constatação. Eu aprendi a contornar os sábados. Há outros dias além desse durante a semana. Sempre existirão os dias em que eu simplesmente não vou pensar se você está pensando em mim. Eu dedicarei os dias só a mim. Mas as noites de sábado continuarão sendo suas. Só suas.
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