Cartas a um certo alguém IV

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Oi. Cheguei à Turquia. Eu estou bem, a viagem foi ótima, tranqüila, sem atrasos, e já me instalei num hotel no centro de Istambul. Quer saber como é aqui? Você não vai acreditar no número de coisas diferentes que vi por aqui. É uma cidade de uma cultura riquíssima, não há como não se empolgar com o número de coisas pra se fazer, lugares para visitar, pessoas pra conhecer. Mesmo que esse último ponto não me interesse muito, mas como uma amiga já disse, nós não podemos nos fechar para as pessoas ao nosso redor. Então, o que acontecer aqui, era pra acontecer. Voltei a falar de nós. Vamos falar da Turquia. A Turquia é algo como as mil e uma noites. É incrível. Já fui a cinco restaurantes diferentes. O hotel no qual estou hospedada é um palácio. A música que toca aqui é contagiante. Tenho vontade de aprender a dançar a Dança do Ventre. Mas a minha timidez e a minha itinerância me impedem de criar laços. Acho que não fui feita pra criar raízes. Você mesmo vivia me dizendo isso e eu tentava ir contra o meu jeito, mas é quase impossível ir contra a própria natureza não é?

Com amor,
Ella
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Três Amores!

Três amores… Quem me deu
Tão estranha sorte assim?
Três amores, tenho-os eu
E nenhum me tem a mim!

Mário Quintana

Rascunho

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Ella ainda sonhava com o vestido branco,
as latinhas amarradas atrás do carro
e as bençãos do céu.

Também sonhava com as viagens com os amigos,
a liberdade de poder sair sem dar satisfação a alguém.
Fugir de qualquer controle.

Sonhava com aquele emprego que a levaria a conhecer novos lugares,
sonhava com as viagens que lhe inspirariam a escrever mais
e também com situações que a permitissem um pouco mais de liberdade.

Ella queria ser livre
queria amar.
Ela sonhava.
Disso ela nunca desistiu.
Sonhar.
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Escrito em 20/04/10

Parte XII

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Às vezes meu coração sai escrevendo sem permissão. Fernando Engelberg

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“Acho que já está mais que na hora de partir”, pensou Ella. Caminhou nas pontas dos pés pelo apartamento dele, buscando as poucas coisas que trazia consigo naquela noite chuvosa em que apareceu diante dele. Andando como quem pisa em ovos, ela recolheu tudo, olhou ao redor e viu ele ali, deitado ao lado do sofá, dormindo tranquilamente. “Estraguei tudo, quer dizer quase tudo, vou embora antes que eu faça algo realmente imperdoável”. Ella aproximou o rosto do rosto dele, viu pela última vez cada pequeno detalhe de sua face, cada pequeno movimento que ela já conhecia de cor. Beijou-lhe pela última vez. Saiu pela porta da  frente sem olhar pra trás. Fechou a porta. Chorou. Mas seguiu em frente.

“Eu queria ter ficado lá naquela noite, 
mais do que qualquer coisa que eu já houvesse desejado. 
Mas eu sabia que não podia.”
Kevin Arnold – Anos incríveis
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Me.W.o

#30 – Quem é você?

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Já me fiz essa pergunta diversas vezes e, ouvi de mim, que todas as respostas estavam erradas.
Já tentei me definir, me rotular, etiquetar, mas não acho que isso funcione. 
Para um lance muito ‘orkut’ da vida. Quem é você?
A gente é o que é
o que aparenta ser
o que imagina ser.
Nós somos um novo eu a todo momento.
A questão parece ser mais um estar do que um é.
Acredite, não sou a mesma todos os dias.
Eu sou a garota que escreve nesse blog.
Sou a estagiária que trabalha a tarde na universidade.
Sou filha. Sou amiga. Sou neta. Sou sobrinha. Sou madrinha.
Sou muitas coisas. Mas quanto a características, posso dizer que sou mais a favor do estou.
Quase uma mulher de fases.
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#29 – No mês passado, o que você aprendeu

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O que eu aprendi? Puxa, está forçando a minha memória agora. Faz 25 dias desde o mês passado. Lembrar todas as coisas que aprendi parece muito para o momento. Será que não posso falar sobre o que aprendi hoje? Não. Tudo bem então. No mês passado, reaprendi o quão importante são os amigos e o quanto é importante gostar de si. Aprendi que não devo me forçar a fazer o que não quero, porque no fim quem sofre sou eu e eu tenho o direito de ser egoísta as vezes. E como o meu tio disse: ‘você não pode salvar o mundo, Merie Ellen’. E sabe, ele estava certo. Não posso mesmo salvar o mundo, por mais que eu tente, sempre começando por um grão. Mas às vezes o grão dá tanto trabalho que quem adoece sou eu. Então, como lição principal do mês, do ano, passado digo que eu aprendi que devo valorizar muito as amizades, porque essas, verdadeiras, permanecerão seja pessoalmente ou na alma. E aprendi que devo ser egoísta e pensar um pouco mais em mim, porque eu ganho e as pessoas ao meu redor também.
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