Dor

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E ele não faz ideia de como dói pra ela perceber que tudo o que ela vem falando não faz mais nenhum efeito sobre ele. Ella tinha vontade de chorar. Ella tinha vontade de agredi-lo. Ela queria abraçá-lo. Queria pedir colo, pedir pra ele ser dela… Mas ela sabia que não tinha direito nenhum em impedi-lo de seguir em frente. Ela precisava disso. De um choque. Mas um choque que parasse de doer. Mas não parou.
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Me.W.o

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Sois

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Eu quero ser a tua paz, o teu sossego. 
Mas no fundo sou o teu caos. 
Quem te tira do sério. 
Quem te faz enlouquecer. 
Quem te faz pensar se vale mesmo a pena amar.
Eu sou teu Sol, teu mar, teu lar.
Teu samba, teu rock, tua bossa.
E agora, no fim disso tudo, me diz:
É isso que você sempre quis?
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Me.W.o

Memórias chuvosas

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Vestiu a roupa mais confortável que encontrou no armário, pegou o sobretudo preto em cima do sofá, as chaves na cômoda perto da porta e saiu sem esperar muito daquele dia cinzento. Era cedo, o Sol parecia ter resolvido brincar de esconde-esconde. No meio da brincadeira alguém não gostou e pôs se a chorar. Chovia. Lágrimas nos carros, nas janelas,  nos olhos dos passantes. Menos de um. Ela saiu de casa. Saiu procurando apenas resolver problemas cotidianos, mas acabou encontrando a felicidade travestida num guarda-chuva solidário. Era ele quem vinha para salvá-la da chuva fria daquele dia cinza. Com um sorriso que ela não esquece e um guarda-chuva para dois, ele veio ao seu encontro. Ele a pegou pela mão e a colocou ao seu lado debaixo daquele protetor de lágrimas celestiais. Ella o olhou agradecida. Ele a beijou apaixonado. E então o Sol pareceu brilhar nos olhos iluminados dos dois. O dia voltava a ser o que era. Iluminado.
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Me.W.o

Cartas a um certo alguém III

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A última vez que te escrevi foi de Paris. Paris foi incrível. Os museus, os restaurantes, as lojas, os hotéis. As pessoas? As pessoas nem tanto. Eu só conseguia pensar em você. Não pensei naquelas pessoas, estrangeiras. Só pensava em você. Mas não vamos falar de você. Nem de mim. Afinal, o combinado era não termos mais nenhum contato por pelo menos alguns meses. Tempo. Tempo pra nós dois. Lembra? Um tempo para fazermos o que tínhamos que fazer. O que eu fiz? Fugi de você, pra ver se as ideias voltam ao lugar. As ideias não voltaram, muito menos eu. Peguei um avião em Paris e parti para a Turquia. Pois é, nunca te disse isso, mas sempre quis conhecer Istambul, passear de balão na Capadócia. Eu sei, você vai dizer que eu sou doida. Talvez eu seja mesmo. Esse negócio de ir as alturas, sentir-se pequeno diante de uma imensidão, de um horizonte longínquo me faz muito bem. E eu estou falando sério. Quando eu chegar lá, te conto como está sendo a viagem. Na verdade eu não conto. Eu escrevo pra um dia te mostrar. Um dia quando nós dois estivermos realmente amadurecidos. Porque a gente sabe que ainda tem muito o que aprender. Que  esse tempo que a gente se deu é importante para os dois. Você sabe disso, não sabe? Já desviei de tudo o que eu queria te contar. Queria te contar que estou partindo pra outra aventura. E quando voltar te conto tudo. Te conto até se em algum momento dessa fuga de você eu consegui te esquecer. Pensa em mim. E me conta um pouco de você. Como é que você está? E lá vou eu de novo fugir do prometido. É a última vez, prometo.

Com amor,

Eu.

Metáforas

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Isso não é algo que você consiga mudar da noite pro dia. Medos, amores, sonhos… Você não passa a enfrentar seus medos só porque alguém te disse que você precisa enfrentá-los. Você não passa a amar outra pessoa porque alguém te diz que essa pessoa é melhor pra você do que aquela outra que você realmente ama. A vida não é assim e ponto final. Aos poucos você entende que nesse jogo todo, tudo depende mesmo de você. Você é responsável pelas mudanças que virão a ocorrer. Depende de você. Não importa o que os outros digam ou pensem que é melhor. É preciso que você enxergue os problemas. E no momento, eu continuo cega. Então, da próxima vez, que tal trazer alguns óculos de grau, quem sabe eu enxergue alguma coisa.

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Me.W.o