Ella

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Ella sempre gostou do escuro. 
Do breu.
De enxergar as estrelas no céu pela janela.
De dormir protegida pela lua.

Ella sempre gostou de ouvir música bem baixinho.
Algo como um sussurro.
Bem de leve. 
Ao pé do ouvido.

Ela gosta de tudo aquilo que seduz.
Que provoca sem fazer muito alarde.
Algo bem quietinho.
Bem único.
Algo só dos dois.
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Me.W.o

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Parte X

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Ele ainda não conseguia compreender bem o que ela queria com tudo aquilo. Aquela visita. Todas aquelas palavras sem nexo. Explicações fora de contexto. Com certeza ela queria chegar à algum lugar, mas ele ainda não entendia onde é que ele se encaixava em toda aquela história. Há muito ele já havia parado de pensar nela, de sofrer por ela. Foi ela que disse que ele devia seguir em frente, conhecer outra garota. Foi ela que disse que aquele era o fim. E ele se quer soube por que. Talvez tenha sido o melhor. Foi o melhor pra ele. Ele seguiu em frente. Ela não. Ela mesma nunca entendeu o motivo de pedir aquilo. De pedir a ele para que esquecê-la. Na verdade, ela queria que ele tivesse lutado, insistido que seria impossível esquecê-la. Ela queria que ele tivesse demonstrado de fato todo amor que ele dizia sentir por ela. Ele desistiu sem lutar. Ela chorou sem parar. Talvez tivesse sido melhor nem tentar. Mas ela queria uma segunda chance, nem que fosse apenas uma segunda chance para dizer a ele tudo o que ela esperava que ele tivesse feito.
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Me.W.o

Cartas a um certo alguém II

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Passou um tempo desde a última vez que te escrevi. Era inverno. E agora, o Sol reina soberano em Manhattan. Tão soberano que as pessoas seguem ao Central Park para venerá-lo. Sério, é verdade. Não que as pessoas fiquem cultuando o Sol. Mas parece que todos os nova iorquinos combinam de sair e ir pra lá. Deitar naquele gramado verde e ficar admirando o tempo, recuperar a corzinha que o inverno levou embora. Acredito que você  gostaria de estar aqui. Você ama o Sol tanto quanto eu. 

Além do Sol, tenho muitas outras novidades pra te contar. E também uma vontade enorme de te contar pessoalmente, mas enquanto não souber quando volto te escrevo.

Então, além do calor maravilhoso que tem feito nesse início de primavera, comecei a trabalhar no Times, lembra desse sonho? Pois é, aconteceu. Tenho escrito crônicas pro jornal e tem sido maravilhoso. Qualquer coisa pode ser meu objeto de trabalho. Logo, caminho pela cidade reparando em qualquer cena que possa me inspirar. Com isso já tratei de comprar um celular com bastante memória. Para poder anotar tudo o que me vier a mente. Você sabe como esqueço as coisas rápido. E não quero perder uma boa história.

Esses dias, quando estava saindo do trabalho fiz uma daquelas minhas maluquices já conhecidas por ti. Saí, peguei um táxi, parei na Foley Square e dali caminhei até um pier que fica em baixo da ponte do Brooklyn. É simplesmente uma vista incrível.


Ainda tenho mais coisas pra te contar. Mas já já eu tenho que sair e no trabalho não terei tempo de terminar de contar tudo o que tenho vontade de te falar. Me espera? Já já entro em contato de novo.


Com carinho,


Ella.

Desejos

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E você tem tanta vontade de gritar, sair correndo pra algum lugar.
Você tem tanta vontade de caminhar a noite, sozinha, com música, nada mais.
Tem tanta vontade de não dar satisfação pra ninguém.
De não ser cobrado. Nem cobrar.
Simplesmente sair por aí.
Pra quem sabe um dia voltar.
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Me.W.o

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E o que eu quero dizer não cabe em palavras.
Então simplesmente sinto.
Ajo.
Sinto.
Muito.
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Me.W.o

O que aprendi…

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Com o 30 Days Letter Project:
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Aprendi que expor o que penso sobre pessoas que amo, admiro ou conheço é mais difícil do que parece. Você nunca sabe como a pessoa reagirá perante as palavras gravadas em uma carta, ainda mais quando a carta é totalmente pública. Você não sabe se o destinatário a lerá de fato, mas mesmo assim, você precisa acreditar que isso possa acontecer um dia. Logo, você coloca na carta o que sente e com isso tenta transmitir todo um contexto para aquela pessoa. Por vezes, me senti mal em explicitar tanto da minha vida particular em cartas, com medo de ofender pessoas que nem ao menos sabem desse projeto. Espero, de verdade, não ter ofendido ninguém. Procurei ser o mais sincera nas cartas a fim de me sentir bem, de poder dizer o que penso da forma que eu mais gosto de me expressar, escrevendo. Aprendi ainda que as cartas podem ser uma ótima terapia. É como um grito silencioso. Você escreve e fica ali, gravado, quietinho, você não precisou pronunciar nenhuma letra, e mesmo assim geram um efeito. Um efeito que pode ser negativo ou realmente positivo. O destinatário pode apenas recebê-la ou pode realmente considerar suas palavras como um indicativo de coisas significativas. Espero de coração que tenham gostado desse meu desafio pessoal, de expressar o que penso e o que sinto, de não fugir de nenhuma carta (embora três tenham atrasado devido a internet e a gripe). Procurei seguir a ordem por causa de um desafio pessoal, sem pular os números me comprometi a dizer o que penso, sem pensar muito.
Aos meus leitores, obrigada por acompanharem o blogue e esse projeto blogueirístico.

Beijos,

Mérie Ellen Weber de Oliveira.