Parte III

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Após se acalmar, ela bebeu todo o chá, comeu alguns biscoitos e deitou no ombro dele. Ele ainda não entendia bem o que havia acontecido com ela para que ela chegasse até ele daquela maneira. Mas ele estava gostando. Não podia negar que gostava da confiança que ela estava depositando nele. Por incrível que pareça, ele gostava de toda a situação. Dessa certa dependência que ela tinha dele. Porque para ele, na maioria das vezes, era ela quem parecia sempre invencível, indestrutível e inabalável. Mas não era. Por vezes, ela era só uma menina que precisava de abrigo. E naquela noite, o abrigo era ele. E tudo o que ele podia oferecer.
Finalmente minutos se passaram e o silêncio aconchegava-se na sala quente e escura do apartamento dele. Ela acabou adormecendo no peito dele. E ele, com medo de acordá-la, permaneceu o mais imóvel possível.
Também adormeceu.
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[continua]
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Me.W.o
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Parte II

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Enquanto ele preparava o chá, ela pegou as cobertas, que estavam acomodadas no sofá, e levou-as para o chão, em cima do tapete, para onde ela também se dirigiu, a fim de não molhar o sofá da casa dele. Enquanto isso, ele deixou a água aquecendo na cozinha e foi até o quarto buscar toalhas para ela se secar. Ele voltou, entregou as toalhas e voltou para a cozinha. Ela agradeceu ainda chorando e logo foi secando, delicadamente, mechas e mechas do cabelo. Quando o cabelo estava apenas úmido, enrolou a outra toalha no cabelo, como quem acaba de sair do banho. Já a terceira toalha, usou para secar a roupa molhada. Tão logo a água esquentou, ele veio com chá quente e bolachas. Pediu que ela voltasse para o sofá, mas ela insistiu que sentia-se a vontade sentada no chão da sala. Antes que ele fosse fazer outra coisa, segurou a mão dele pedindo que ele sentasse ao seu lado. Novamente, ele fez o que ela pediu. Sentou-se ao lado dela, pegou as cobertas e a cobriu. Preocupado com um possível resfriado, sugeriu que ela tomasse todo o chá, e também, que tomasse um banho quente a fim de colocar roupas secas. Ela só sabia chorar.

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[continua]
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Me.W.o

Parte I

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E no fundo ela não sabia o que estava fazendo ali, parada na frente do prédio dele, com o celular na mão. Ficou alguns minutos ali, parada, pensando se aquilo era realmente o que ela queria. Ligou. Ele, sentado em frente a TV, atendeu surpreso. Ela foi direto ao ponto: “posso te pedir um último favor?”. Ele balançava a cabeça em resposta a pergunta dela, e não notou que ela não podia ver o sinal positivo das levantadas de cabeça. Mas aquele silêncio todo, foi como um sim para ela. “Você poderia abrir a sua porta?” Assustado, ele fez o que ela pediu. E lá estava ela, parada na soleira da porta do apartamento 1402, de frente para ele, encarando o nos olhos e chorando. E vendo ela naquele estado, chorando e toda enxarcada por causa da tempestada que caía lá fora, ele a abraçou e a puxou para dentro do apartamento. Colocou-a sentada confortávelmente no sofá da sala e foi para cozinha preparar um chá bem forte e quente para aquecê-la.

[continua]

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Me.W.o

I’m Kat Stratford

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“A realidade é que não te amo com os meus olhos que descobrem em ti mil falhas, mas sim com o meu coração que ama o que eles desprezam, e apesar do que vê, adora se apaixonar.”
(William Shakespeare)

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E acordei em pleno domingo de sol, já era tarde. Estava de mau-humor, de cabelo bagunçado e tive que ouvir da boca do meu irmão que sou “aquela personagem principal de Dez Coisas que Odeio em Você, a do filme, não a do seriado” (a explicação dele para esse aposto é a de que ele não sabe como é a Kat do seriado). Bom, continuando, para quem não conhece ou não lembra, o nome da personagem é este que dá título ao post. 
E de fato, identifico-me com a personalidade dela, o filme como um todo tem uma representação especial para mim, sempre gostei da história, das personagens e de como as coisas não são sempre como nos contos de fada. Talvez para alguns, pareça uma história clichê, para mim, não é. 
Mas não é sobre o filme que eu vim falar hoje, e sim sobre o fato de o meu irmão mais novo vir me dizer que sou Kat Stratford. [SPOILER] Aquela Kat Stratford que com muita convicção, diz perante a sala, o que eu, muitas vezes, só tenho coragem de rabiscar no word ou pensar em voz alta sozinha no quarto. Aquela Kat Stratford que é uma anti-heroína, visto que, não é como as outras personagens das comédias românticas, que são sempre indefesas e menininhas. A Kat Stratford, como diria o pai dela no seriado e não no filme, é como um cactos:


Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirige o meu carro
E odeio seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir
E ainda mais quando me faz chorar…
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar


E fiquei um tempo pensando naquelas palavras. Não as do poema, porque essas eu acho incrível, mas nas palavras ditas pelo meu irmão. 
O que será que ele quis dizer? 
Perguntei: ele não respondeu.
Será que ele sabe que Dez Coisas é baseado em A megera domada, de Shakespeare? 
Pois se souber, ai de mim. Megera? Será?
Acho que preciso rever os meus conceitos. 
Devo realmente estar incomodando em algo.
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Me.W.o

Preces

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É noite quando Ella enxerga as coisas de modo diferente. Quando ela nota tudo o que deixou de fazer, de dizer, e até de sentir… Arrependimento. Noite… quando os pensamentos  d’Ella ficam claros. Noite… quando Ella percebe que feriu alguém, que se apaixonou, se angustiou, se cansou do dia.
Talvez tudo isso aconteça porque o céu já não é mais o mesmo. As cores parecem mais emocionantes, as luzes dos prédios, das casas, tudo parece iluminar mais que o sol. Ou talvez sejam as palavras, os gestos, até mesmo as atitudes que só se tem coragem de fazer quando é noite. 
Noite… que a permite muitas coisas.
Estado de liberdade, de paz, de complacência.
É noite quando Ella tem tudo mais vivo. Pensamentos, ideias, sonhos, vontades… É noite quando caem lágrimas de seus olhos, quando ela percebe que é fato que ela tem medo de ferir alguém… e é fato que ela não pensa que pode se ferir também. É noite quando ela mergulha em si e encontra algo novo que a permite relaxar… permite-se novidades. É noite quando tocam músicas ao fundo, o quarto fica a meia-luz e ela, com lápis e papel na mão, expressa tudo o que sente. E deixa em segredo, ao lado, na cabeceira da cama.
E já é quase dia quando ela, com dificuldade, finalmente desabafa… falando de problemas e sonhos através das palavras que escreve no papel branco a fim de cravar no tempo e em memórias tudo aquilo que é difícil para Ella dizer através das falas… 
Já é dia quando reza para todos os deuses do celeste que a perdoem por nem sempre usar as palavras certas pra dizer o que sente… Em prece roga que a entendam ou que pelo menos a deixem viver.
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Me.W.o

Risco

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Risca no papel aquela lembrança, 
daquilo que viveu tempos atrás.
Foi num momento impensado,
no minuto não cronometrado,
que algo inesperado aconteceu.

Como sempre as coisas mais importantes acontecem.

E naquele momento
ela fez o que achava que tinha que fazer.
Nessas horas não há muito tempo pra pensar.

Ela agiu. 
Tomou uma atitude.
Talvez não o fizesse hoje.
Talvez tivesse feito antes.
Mas a decisão foi tomada.
E agora ela vê
que existe apenas um momento
para arriscar.
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Me.W.o