Surprise

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Ela ainda espera ser surpreendida.
Afinal, é época de Natal.
De sonhos serem realizados.
Se ela pudesse pedir qualquer coisa nesse fim de ano.
Seria que ele a surpreendesse.
Ela desejaria que ele notasse o quanto ele é importante pra ela.
E quanta falta ele faz.
Ela quer surpresa.
Não precisa ser algo que chame atenção de todo mundo.
Pode ser algo bem particular.
Só para ela.
Uma mensagem na caixa postal. Um email.
Uma mensagem offline no msn.
Qualquer coisa que a faça sentir-se única.
Especial.
Ainda mais na noite de Natal.
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Me.W.o

An.gús.tia

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Segundo o dicionário, angústia pode significar:
An.gús.tia


S. f. 1. Espaço reduzido; estreiteza.
2. Carência, falta.
3. Estado de grande inquietude que parece apertar o coração.
4. Med. Estenose.
5. Aflição, sofrimento.


Os pontos 2 e 3 me definem hoje. 
É como se o coração fosse pular para fora do peito.
É como se eu voltasse a ser criança com medo do escuro e fosse correndo para a cama dos pais pedir colo. 
Aparentemente não há nenhuma razão para isso.
Devo estar ficando paranóica também.
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Me.W.o

Ausência

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Aquela blusa. 
Aquele cabelo.
Não. Não é ele.
Não é ele quem está parado na chuva, esperando ela sair do trabalho.
Assim como não é ele quem está lá para abraçá-la por ela ter passado no vestibular.
Não é ele quem está lá para confortá-la por causa de uma notícia ruim.
Assim como não é ele na porta da casa dela, esperando ansioso para levá-la para jantar.

Será que ele não percebeu todos os sinais que ela mandou?
Será que ela devia ter sido mais clara em todas as suas palavras e atitudes?
Ou era ele quem estava desligado e fora de sintonia.

Ela havia lhe dado todas as chances.
Mas essas se esgotaram.
Assim como ela.
Que cansou de esperar.
O que não significa que ela não o ame.
Ela simplesmente não aguenta mais esperar.
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Me.W.o

Felicidade Clandestina

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“Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.”
[Clarice Lispector – Felicidade Clandestina]

Foi assim que eles se sentiram ao assistir aquele filme.

Como dois criminosos, dois clandestinos, com medo de serem descobertos.
O crime deles: amar demais, não discriminar, respeitar as escolhas individuais.
No inicio da sessão eram tantos os risos abafados.
Como se todos naquela sala compartilhassem uma felicidade meio proibida, pré-julgada eu diria.
Mas na realidade, tudo ali era muito poético.
Os espectadores, o filme, as emoções, pareciam partes de um romance.
Tão natural.
Eu me pergunto: porque alguém poderia querer coibi-los?
De verdade? Não sei.
Só sei que como bons criminosos.
Eles se esconderam naquela sala escura.
Esperaram ansiosos as luzes da projeção alcançarem a tela.
Assistiram atentos a tudo o que se passava.
Inclusive os outros ao redor.
E quando as luzes se ascenderam.
Ainda em seus papéis de clandestinos.
Correram em direção a realidade.
A caminho das máscaras.
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Me.W.o

When I see you smile…

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Complicado assim…
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