Para uma menina: uma flor.



Não era um costume.

Passar por entre estranhos.

Reparando no cotidiano.
Ainda mais durante a noite.

Ainda mais durante o frio primaveril.
Mas havia uma menina.
Uma menina na esquina.

Com o coração na boca.

E impaciência no pé.

Havia um menino.

Um menino com uma flor.

E então ela reparou.

Que ao entregar a flor.

O mundo não era mais o mesmo para a menina.

Tudo havia sido esquecido.

O tempo.

O frio.

Tudo.
.
Me.W.O
.
Fonte da imagem: weheartit
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Eles

Era um dia incomum.
Ela fora do seu ambiente habitual.
Ele nem pensava em sair de casa.
Ele pensou nela e saiu.
Avisou-a que estaria as seis e meia pronto para vê-la.
O relógio brincava com a sua paciência.
E as borboletas com a sua barriga.
Até que ela o viu.
Sorrindo timidamente para ela.
Pernas bambas.
Sensação febril.
E seu coração desnorteado.
Eles se abraçaram.
E foi como se nada mais ao redor existisse.
Nada.
.
Me.W.O
.

s2

Em algum momento ela se perdeu.
Não prestava mais atenção no que elas falavam ao seu lado.
A conversa parecia desnecessária.
Em algum momento ele se perdeu.
Atrasado para a aula, deixando coisas pelo caminho.
A matéria parecia bastante necessária.
Até que o momento os colocou frente a frente.
Não estavam mais perdidos. Tinham se encontrado.
Havia uma revolução dentro de seus corações.
E por fora só paz. Sorrisos encabulados e baixar de cabeças.
Ela o viu. E ele também a viu.
E seguiram seus caminhos.
Terem se encontrado já bastava.
.
Me.W.o

Fonte da imagem: weheartit

; }

Foi assim. Uns oito anos atrás, mais ou menos.
Ela estava ali. E ele também. Conectados.
Era noite.

[Ok. Minto, não sabemos se era noite.
Não sabemos nem qual personagem começou a conversa.
Só sabemos que uma janela surgiu].

Continuando…
Uma conversa +
Dois estranhos +
Duas capitais =
Uma amizade sincera.

[Comunicado: Por questão de fatos rotineiros, os dois ficaram um tempo
sem se falar. Mas não a ponto de enfraquecer esse laço. Pelo contrário.
A amizade apenas cresceu.]

Amizade sincera que cresce a cada novidade.
A cada risada. Gesto. Palavra.
Sinceridade tida em cada palavra ou emoticon da conversa.
São tantas coisas pra se falar, ainda.

[Podem se passar mais oito anos que eles ainda terão
palavras. Ou silêncio. Ou caretas pra compartilhar.]

São revelações. Risadas. Choros.
Compaixão. Ensinamentos. Teorias.
Apelidos bobos e gentis.
Infantilidades. Adultices.

[E se alguém vier lhes dizer:
‘Como assim? Vocês não se conhecem e são tão amigos?’]

Ela dirá que não conhecer pessoalmente não é barreira.
Assim como a distância também não a é.
Amizade virtual não existe?
Ela aposta contigo que é mais verdadeira do que muita amizade cara a cara.
.

Me.W.o.

Chegou em casa, nem quis jantar.
Tinha se alimentado de um sentimento.
Algo que ainda lhe era inexplicável
Sorrindo, caiu levemente sobre a cama.
Lá havia um enorme balão vermelho.
Seguindo ao longe, entre os raios de Sol e as nuvens ela o via.
Era belo. Era quase impossível de acreditá-lo.
Só o acreditava porque o via.
Ela o sentia. Estava longe, mas o sentimento não a enganava.
Era felicidade demais pra ser apenas uma ilusão.
Eram palavras delicadas e gentis em cada conversa.
Eram sonhos que já pareciam reais.
Ninguém a acordou.
Ela ficou ali sorrindo, sonhando acordada.
Com um balão no céu.
E uma paixão na terra.
.
Me.W.o

Fonte da imagem: weheartit