Prioridades

3x4

Ontem, depois de uma ótima conversa entre amigos, numa atípica sexta-feira acadêmica, voltei pra casa pensando em como o último semestre tem sido diferente de todos os que tive até agora na universidade. E quando digo isso, incluo a primeira graduação. Este é o primeiro semestre que resolvi fazer coisas que me agradam e me tiram um pouco do academicismo.

E acredito que isso só aconteceu porque precisei definir prioridades na minha vida. E agora, depois de ver uma indicação da Jordana sobre procrastinação que eu vi como pode ser perigoso ser procrastinador em algumas áreas específicas da nossa vida: a pessoal, a emocional e a de saúde. E pensando nisso, penso ter descoberto algo sobre procrastinação: você precisa de uma motivação ou de uma ação que atue como gatilho da mudança.

No meu caso, acredito que foi mais a segunda opção.

Na virada dos semestres, depois de voltar de férias, ao descobrir que não poderia permanecer no estágio – e depois receber novamente uma oferta pra ficar – usei a aparente falta de vontade do setor em me manter como gatilho para fazer tudo aquilo que tinha vontade. Depois de alguns meses indo para a faculdade das 7h30 às 18h para estudar e das 18h às 22h para estagiar, vi que alguns campos da minha vida estavam desequilibrados e que eu precisava fazer alguma coisa. Então usei a frustração para correr atrás do que eu queria: praticar atividade física, dormir oito horas e ter tempo para me dedicar a outros projetos. Infelizmente ainda não está como gostaria, mas já está bem melhor do que era antes.

Atividade física

Com o tempo livre do horário do estágio, junto com algumas amigas da universidade e o Lucas fui atrás de sair do sedentarismo. Me inscrevi na natação segundas e quartas; e musculação terças e quintas. A alegria ao voltar pra natação não podia ser contida. Cada músculo do meu corpo ansiava por voltar a praticar. Quando consegui completar mil metros em uma aula, fiquei muito feliz. Já na musculação, os treinos, cada vez mais elaborados e voltados à resistência muscular, me fazem me sentir mais segura quanto ao meu corpo e aparência, além de me ajudarem a superar novos desafios. O primeiro deles ir para a universidade de bicicleta. Quase três meses de atividade física diária contribuíram e muito para que eu conseguisse sobreviver a quase 13 km de pedalada. O próximo desafio será correr 5km na rua com a Jor e cia.

Oito horas de sono

Aos que me conhecem há mais tempo sabem o quanto dormir é importante pra mim. Sempre fui daquelas que acorda depois de todo mundo e mesmo acordada parece que ainda está despertando pra vida. Tendo isso em mente, as seis horas – às vezes menos – que eu estava dormindo semestre passado me faziam muito mal. Era difícil não ficar mau humorada ou não descontar minha frustração no namorado por conta das poucas horas de sono. Agora, com sono e atividade física regular, já não me sinto cansada – apesar de sentir os músculos latejarem de vez em quando – o que sinto é mais disposição para fazer as atividades do dia.

Tempo para outros projetos

Semestre passado, não tinha tempo para adicionar nada novo à minha agenda, e finais de semana eram dedicados inteiramente à família – seja a minha ou a do namorado. Neste semestre, algumas novidades apontaram como novos desafios a serem superados, a começar pelo PIBIC (Programa de Iniciação Científica), atividade acadêmica na qual nunca tive coragem de ingressar, à qual agora posso me dedicar. Além disso, acredito que pude contribuir muito mais para as discussões em sala – pois tive tempo para ler previamente os textos das disciplinas que me interessam mais; assim como pude me preparar melhor para os estágios de Língua Portuguesa e Inglesa que precisei reger este semestre. Ademais, pude voltar às aulas de Alemão.

O que coloquei aqui não é uma fórmula, um dogma, um mandamento de como você deve levar a sua vida, mas sim uma reflexão sobre antigos hábitos que eu tinha e o que eu sentia que precisava mudar. Espero que com isso você possa pensar também a sua própria vida e ver o que de fato é uma prioridade no seu dia a dia.

Anúncios

Não tão clandestina

 3x4

A minha relação com os livros não é tão parecida assim com a da protagonista de Felicidade clandestina, de Clarice Lispector, apesar de às vezes parecer uma relação de amor. E nessa relação tem um pouco de tudo: orgulho, vaidade, amor, cuidado, carinho e tantas outras relacionadas a emoções despertadas por palavras bem trabalhadas.

Bom, nessa minha relação, uma vez ou outra aparece alguém que me faz repensá-la. A primeira pessoa foi a Paula, minha professora de linguística no primeiro período de Letras, ela me indicou o Kindle, falou de seus inúmeros benefícios e no semestre seguinte: lá estava eu com o Kindle debaixo do braço. A segunda pessoa a me abrir os olhos, por alguma brincadeira do universo, também se chama Paulla. Ela é minha bibliotecária favorita – não que eu conheça muitas (brincadeirinha, Paulla) – e ela é responsável por me fazer repensar o modo como eu às vezes detenho um conhecimento que poderia alcançar outras pessoas.

Consciente como poucas, a Paulla é o tipo de pessoa que te faz refletir sobre muita coisa, desde a indústria alimentícia até livros e nosso sentimento de posse. E foi vendo o exemplo dela que hoje eu me sinto muito mais desprendida e menos escravizada pelos livros.

Depois dessas duas Paul(l)as na minha vida, percebi que minha compulsão por comprar livros diminuiu (apesar de o número de downloads ter aumentado). E acredito que com isso, minha vaidade em possuí-los também diminuiu. Já não vejo o acúmulo de livros na estante como algo positivo. Tenho pra mim que é muito mais interessante passar alguns livros pra frente (seja por doação, presente ou venda), porque assim o conteúdo presente naquele livro pode chegar a mais pessoas.

Espero com isso: abrir mais espaço em casa para outras coisas, nem que essa outras coisas sejam apenas mais espaço para ar e energia circularem; contagiar outras pessoas com as leituras que tive e com isso ter também com quem discutir (sim, parece um pouco egoísta); gastar menos e aproveitar mais; e ter em casa o estritamente necessário.

Foi pensando nisso que compartilho com vocês minha lista de vendas (as doações vão para o pessoal do Centro Acadêmico de Letras, que está angariando fundos). Caso tenha interesse em algum desses livros, entre em contato comigo: meh.weber@gmail.com.

1. Elizabeth Gilbert, Peregrinos (Editora Alfaguara) – [não lido, novíssimo];
2. Siba Shakib, Do outro lado do destino: a história de coragem, força e determinação da mulher que enfrentou o talibã (Editora Record) – [lido e aprovado, folhas um pouco amareladas];
[VENDIDO] 3. J. K. Rowling, Morte súbita (Editora Nova Fronteira) – [não lido, novíssimo];
4. Marina Nemat, Prisioneira em Teerã: memórias (Editora Planeta) – [lido e aprovado, um pouco amarelado];
5. Shoko Tendo, Yakuza Moon: memórias da filha de um gângster (Livros escala) – [lido, ótimo estado];
6. Johann Wolfgang Goethe, Os sofrimentos do jovem Werther, edição comentada (L&PM Pocket) – [lido, ótimo estado];
7. Jeffrey Eugenides, As virgens suicidas (Companhia das Letras) – [lido, ótimo estado];
8. Luís Dill, O dia em que Luca não voltou (Cia. das Letras) – [lido, novíssimo];
9. Matthew Quick, O lado bom da vida (Editora Intrínseca) – [lido, ótimo estado];
10. Matthew Quick, Perdão, Leonard Peacock (Editora Intrínseca) – [lido, ótimo estado];
11. Javier Moro, As montanhas de Buda: a odisseia de duas jovens monjas tibetanas apaixonadas pela liberdade (Editora Planeta) – [lido, um pouco amarelado];
12. Oliver Bowden, Assassin’s Creed: renascença (Editora Galera) – [do namorado, ótimo estado];
13. Kim Edwards, O guardião de memórias (Editora Sextante: Ficção) – [não lido, ótimo estado]
[VENDIDO] 14. Dante Alighieri, Divina Comédia (Editora Martin Claret) – [do namorado, ótimo estado];
15. Mark Twain, The adventures of Huckleberry Finn (Thomson Heinle, Illustrated Classics Collection) – [do namorado, ótimo estado];

Jaz

Para que serve a pedra?
A quem serve a pedra?
A mãos? A olhos?
Serventia
Tijolo barato de construção
Arremedo de terra
De teto
De chão
A pedra serve a quem?

Para lágrima: sorriso

3x4

Ontem, mais precisamente dia 3 de agosto, quinta-feira, recebi a notícia de que não poderei continuar com o meu estágio na Biblioteca por conta da minha grade este semestre. Depois de esperar quatro meses pra ser chamada, saio sem completar quatro meses de casa. Há algum tempo isso teria me abalado muito. Isso porque geralmente faço um planejamento e quando ele sai da linha, fico desestabilizada. Mas incrivelmente ontem não foi assim (mesmo que no fundo ainda tenha dado uma vontadinha de chorar) e acredito que alguns pontos contribuíram para isso.

Primeiro, desde que comecei a estagiar de noite na Biblioteca, perdi inúmeros eventos interessantes por conta do horário, um deles sobre mito, inclusive. Como não dá pra sempre solicitar dispensa para acompanhá-los, muitas vezes eu recebi relatórios detalhados do meu namorado, que os cobria por mim. Agora, poderei estar lá, participando deles.

Segundo, no final do semestre passado aceitei um convite para participar de um Programa de Iniciação Científica na universidade. É uma oportunidade rara de desenvolver uma pesquisa em Educação. Rara porque num momento que tem o nosso cenário político e financeiro não seria diferente. Logo, poderei me aplicar com mais dedicação a esse novo projeto.

Terceiro, tenho me cercado de pessoas tão incríveis, as quais estão me ajudando no meu aprimoramento como ser humano, e é difícil me ver mais tão perto delas. O convívio diário e as trocas de experiências são sempre um aprendizado. Mas sabendo o quão incríveis elas são, não importa a distância, continuarei aprendendo com os ecos do que conversamos e com nossas futuras conversas longe do ambiente de trabalho.

Quarto, duas pessoas muito importantes pra mim me disserem exatamente a mesma coisa: foca na formatura. (Tão focada que faço parte da Comissão rs). Agora, sei que, apesar de não receber mais a bolsa do estágio (que estava destinada ao planejamento que mencionei inicialmente), posso me focar em atividades que verdadeiramente agreguem ao meu currículo pessoal e profissional, como o Português para Falantes de Outras Línguas (PFOL) ou o Inglês para cegos.

Por fim, desenvolver um estágio na Biblioteca, apesar dos inúmeros pontos positivos, não era desafiador nem estimulante. Sou uma pessoa que gosta de certo movimento e quando me vejo sem muita coisa pra fazer, arranjo. Então, agora terei oportunidade para me coçar.

Dos cotidianos imagináveis #8

0eef8427ef1c2e325463c159a948dc4bEla deixa a porta aberta, apesar de insistir não ser preciso que volte. Pensa ser melhor não voltar. As paredes do apartamento angustiantemente claustrofóbicas imitam as de sua garganta: parecem querer se abraçar. As marcas dele ainda não deixaram o travesseiro e ela acabou voltando a fumar. Talvez ele tenha notado ao passar. Não existe um só dia de janela fechada por ali. Tudo está escancarado. É só querer enxergar.

Dos cotidianos imagináveis #7

45c4bf2aba51284fe4c46c511d8f0218

A vida foi tiquetaqueando e você nem notou que a cama mudou de lugar e nem o lençol é mais o mesmo. Aquele azul que você gosta deu espaço ao branco. Página pra criar. O roupão, peça indispensável das madrugadas frias, há tempos foi aquecer outro alguém. Você não notou que a cada lembrança que mudava de lugar ou de dono, ou até pro lixo, levava junto algo em mim. Você não notou quando as fotos pararam de sorrir e os tíquetes de cinema começaram a sumir. Já que você não notou, te digo: do que um dia fora um lar só restaram os cactos. Você não notou nem quando, ao andar em frente ao lugar que eu costumava morar, encontrou o seu restaurante favorito. Mas dessa vez, pelo menos, nem pediu pra levar… sentia-se em casa.